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Insiders

Depois das “carnes” vegetais, chegou a vez dos camarões, lagostas e caranguejos veganos

Tyson Foods, gigante americana avaliada em US$ 30 bilhões, tem planos de lançar outras proteínas para atender um mercado que vai valer US$ 23 bilhões em 2023

 

A “carne” pode ser falsa, mas não é fraca. Isso porque a disputa pelo mercado vegano, com produtos que imitam a proteína animal, acaba de ficar mais sangrenta.

A Tyson Foods, antes investidora da Beyond Meat, uma das principais empresas deste setor, assume de vez seu protagonismo na concorrência apostando agora no camarão vegano. 

A companhia se tornou uma das investidoras da New Wave Foods, uma das novas queridinhas no mercado das foodtechs. A startup, com sede em São Francisco, promete lançar, no início do ano que vem, o primeiro camarão sem nenhum tipo de derivado animal. 

“Estamos firmes no compromisso de ver e fazer crescer nosso negócio de carnes tradicionais e esperamos ser líderes no ramo de proteínas alternativas, que experimenta um crescimento de dois dígitos”, disse Noel White, o CEO da Tyson Foods, em comunicado oficial. 

A Tyson ficou com um um pouco menos de 20% de participação na New Wave por um valor não revelado. O fato é que a companhia enxerga muito potencial. “Talvez um dia seja um negócio bilionário para a empresa”, diz White.

Ainda mais com a gama de novos alimentos que estão para sair do laboratório da New Wave. Depois do camarão vegano, feito a partir de uma mistura de algas marinhas, proteína de soja e sabores naturais, a companhia pretende desenvolver imitações de lagosta e caranguejo sem derivados animais. 

Cabe à Tyson alavancar o network e a escalabilidade da pequena New Wave, que, por enquanto, limita sua distribuição a três empresas alimentícias locais, em São Francisco. A estratégia da startup, de focar em buffets e serviços do gênero, se deve ao fato de que 80% do consumo de camarão, nos EUA, acontece fora de casa. 

Pioneira

A Tyson Foods foi a primeira grande empresa de alimentação a investir nesse mercado. Até abril deste ano, a gigante baseada no Arkansas detinha 6.52% das ações da Beyond Meat, mas vendeu toda sua participação um pouco antes da startup abrir capital.

Hambúrguer vegano da Beyond Meat

Em maio, a Beyond Meat lançou seu IPO e foi avaliada em US$ 1,46 bilhão. Na quinta-feira, 12 de setembro, seu valor de mercado estava em US$ 9,2 bilhões, mas os investidores andam receosos diante das quedas das ações.

No dia 26 de julho, o papel valia US$ 234,90. Na quarta-feira, 11 de setembro, estava em US$ 151,81. Mesmo assim, está bem acima dos US$ 65,75, que marcaram a estreia na Nasdaq.

O que tem deixado os investidores receosos é a movimentação de gigantes do setor, que prometem bater de frente com a Beyond Meat. Em junho, a própria  Tyson Foods confirmou que iniciaria uma linha da hambúrgueres e nuggets veganos.

Na época, o comunicado derrubou em 4% as ações da Beyond Meat e fez crescer 3% as ações da companhia baseada no Arkansas, hoje avaliada em US$ 30 bilhões.

Dá para entender o receio. Maior processadora de proteína animal dos EUA, a Tyson Foods fornece mais de 11 bilhões de quilos de carne de frango, boi e porco para redes como McDonald’s e Walmart, além de outras varejistas. A empresa emprega 121 mil funcionários em operações que se espalham por 22 países.

Estima-se que mercado de “carnes” veganas valha atualmente US$ 8,5 bilhões e, de acordo com a Euromonitor, deve bater em US$ 22,9 bilhões em 2023. Só nos Estados Unidos, 60% dos consumidores entrevistados pela consultoria Mintel declararam que estão interessados em diminuir o consumo de carne animal.

Por isso mesmo, outras gigantes começaram a meter a colher nessa panela. Dias atrás, Hormel e Kellogg anunciaram que têm a intenção de lançar, cada uma, marcas exclusivas com produtos que imitam proteína animal. 

Hormel e Kellogg anunciaram que têm a intenção de lançar, cada uma, marcas exclusivas com produtos que imitam proteína animal

No caso da Kellogg, a linha “Incogmeato” vai estar sob a liderança da marca MorningStar Farms, e vai incluir hambúrgueres, nuggets e um produto que imita um corte mais macio do peito de frango. 

A Hormel, por sua vez, especializada em carnes de porco, vai apostar nessa variação. A linha “Happy Little Plants” vai trazer produtos feitos à base de soja, com 20 gramas de proteína vegetal por embalagem.

A princípio, a empresa vai testar a novidade em mercados e pontos de vendas selecionados, mas deve em breve, assim como a linha vegana da Kellogg, chegar a todos os supermercados americanos.

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