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Insiders

A fama cobra caro: o marketplace que fatura milhões vendendo vídeos de celebridades

Na plataforma Cameo, que já recebeu US$ 50 milhões em aportes, os usuários pagam para receber mensagens de atores, músicos, atletas e influenciadores digitais. E o negócio pode vir para o Brasil

 

O YouTuber canadense Cody Ko é uma das “estrelas” da plataforma

Receber uma mensagem de aniversário do ator Brian Austin Green ou um recado do apresentador do Shark Tank, Kevin O’Leary, não é mais privilégio para amigos ou poderosos. O americano Steven Galanis, 31 anos, percebeu a obsessão dos “simples mortais” pelas celebridades e subcelebridades e resolveu faturar alto com isso, usando a tecnologia.

Galanis criou o Cameo, um marketplace de talentos no qual qualquer pessoa pode contratar uma celebridade, atleta ou personalidade para gravar um vídeo personalizado, com um script de 250 caracteres. “Em tempos digitais, uma selfie é o novo autógrafo”, diz Galanis, fundador e CEO do Cameo, ao NeoFeed.

Nascido e criado em Chicago, Galanis, formado em marketing e management pela Duke University, começou sua carreira no mercado financeiro, mas depois entrou no setor de entretenimento, trabalhando com filmes e séries. Seu debut no mundo da tecnologia aconteceu no Linkedin, quando se uniu ao time de vendas da empresa.

Todas as experiências adquiridas nesses mercados tão distintos foram condensadas três anos atrás, quando o Cameo foi ao ar. “A primeira celebridade a confiar na nossa iniciativa foi o atleta de futebol americano Cassius Marsh. Vendemos o primeiro vídeo em março de 2017”, afirma.

A memória fresca ajuda a colocar tudo em perspectiva. Desde o lançamento, o marketplace já comercializou cerca de 400 mil vídeos e a celebridade que protagoniza o filme de poucos segundos ganha uma porcentagem em cima de cada “produção” vendida.

Steven Galanis, o fundador e CEO do Cameo

Quem acompanhou o crescimento dos contratados e contratantes foi a receita da empresa, cujo aumento fica na casa dos 600% e permitiu à startup captar US$ 50 milhões numa rodada série B, liderada pela Kleiner Perkins e com participação da Spark Capital e Bain Capital. No total, a empresa já levantou US$ 65,2 milhões, e não esconde o desejo de, num futuro talvez não muito distante, abrir o capital no mercado americano.

Para manter o sonho vivo, Galanis trabalha com um modelo de negócios simples e eficiente. “Retemos 25% do agendamento de cada vídeo, de cada celebridade em nossa plataforma”, afirma. Os cachês são definidos pelos próprios talentos, e variam de US$ 20 a US$ 2,5 mil.

Os cachês são definidos pelos próprios talentos, e variam de US$ 20 a US$ 2,5 mil

O mais caro é cobrado pela estrela Caitlyn Jenner, que já foi conhecida como o ex-atleta olímpico Bruce Jenner, ex-marido da mãe de Kim Kardashian. Ele fez uma operação de mudança de sexo e se transformou em uma personalidade da TV americana.

Os usuários podem selecionar a celebridade a ser contratada pelo nome, faixa de preço ou área de atuação: atores, atletas, músicos, personagens de reality show e Youtubers.

Quem estranha a categoria à parte para a mídia social talvez nem imagine que, de todos os famosos ali, o mais popular seja justamente um instagrammer. No caso, é o comediante Evan Breen, que cobra US$ 25 por vídeo.

O influencer tem 1647 avaliações e 4,9 estrelas na plataforma – essa forma de validar o trabalho dos contratados garante a qualidade da entrega e a manutenção da plataforma, que está sendo cada vez mais dominada por personalidades das mídias sociais.

“Acho que essas redes democratizaram o sucesso. Se você parar para pensar, o Justin Bieber começou sua carreira no Youtube. Ele era, portanto, um youtuber em si”, conta Galanis.

Qualquer usuário do Instagram com mais de 200 mil seguidores pode fazer sua inscrição pelo app; mas também é possível entrar para o seleto clube por meio do convite de quem já faz parte do marketplace ou submetendo seu perfil para avaliação da própria equipe do Cameo.

Qualquer usuário do Instagram com mais de 200 mil seguidores pode fazer sua inscrição pelo app

Essa forma de estruturação tem feito sucesso, e não apenas nos Estados Unidos. “Cerca de 30% do nosso negócio vem de outros países”, revela Galanis, cuja estratégia prevê rápida expansão do negócio. E o Brasil faz parte dela. “Já estamos recrutando talentos no Brasil e estamos negociando com o rei Pelé”, conta.

Para desbravar novos mercados com força total, o Cameo está apostando pesado na formação da própria equipe, cujos membros já se espalham por países como Inglaterra, Austrália e Argentina.

“Já estamos recrutando talentos no Brasil e estamos negociando com o rei Pelé”, diz Galanis

Uma das últimas contratações robustas da empresa foi o CMO Stefan Heinrich Henriquez, que entrou para o time em agosto deste ano. Antes, ele atuava como head global de marketing da empresa chinesa TikTok, outro fenômeno como uma rede social de vídeos.

Enquanto contratam novos talentos para fazer a plataforma, e outros para usá-la, o Cameo vai crescendo na base da emoção. “Essas celebridades são basicamente pagas para ficarem ainda mais famosas. Quando alguém que você já gosta faz algo legal para você, então a sua lealdade e carinho para com aquela pessoa se potencializa”, diz Galanis, que revela que seu público mais recorrente são mulheres de 24 a 34 anos.

Mas antes que pensemos que “apenas” elas se deixam seduzir pelas estrelas hollywoodianas (ou subcelebridades), vale lembrar que a maioria dos contratos funciona como um presente: as celebridades são pagas para mandarem vídeos endereçados a outras pessoas. O “autógrafo digital”, quem diria, já é um negócio. E bem-sucedido.

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