Negócios

A fintech de Carlos Wizard dobra de tamanho e parte para o exterior

Em 2019, pelo sexto ano consecutivo, a Hub Fintech registrou um salto de 100%, com R$ 6 bilhões em transações. A meta para 2020 é alcançar um volume de R$ 12 bilhões e 6 milhões de contas digitais sob gestão. O roteiro para esses números inclui um novo aporte, lançamento de serviços e internacionalização

 

O empresário Carlos Wizard Martins

Filho de um caixeiro-viajante, Carlos Wizard Martins percorreu uma trajetória singular no mercado empresarial brasileiro. Depois de um início de carreira como professor de inglês, ele decidiu empreender e construiu um patrimônio estimado em R$ 4 bilhões.

Boa parte de sua fama e fortuna veio de negócios que lidam diretamente com o público. Da primeira companhia, a rede de escolas de idiomas Wizard, às operações locais de fast food das bandeiras KFC, Pizza Hut e Taco Bell, entre outras frentes que compõem o portfólio atual de sua holding Sforza.

Uma das marcas desse guarda-chuva é, porém, praticamente desconhecida pelos consumidores. Criada em 2012, a Hub Fintech é responsável pela infraestrutura e a gestão de produtos e serviços financeiros white label, que são ofertados por fintechs e empresas de outros segmentos. De varejistas como o Magazine Luiza a aplicativos como 99 e Rappi.

Com atuação restrita aos bastidores, a Hub Fintech está, no entanto, cada vez mais sob os holofotes na Sforza. Em 2019, a empresa registrou, pelo sexto ano consecutivo, um salto de 100%, ao processar R$ 6 bilhões em transações, por meio de 4 milhões de contas digitais ativas. Os dados foram revelados com exclusividade ao NeoFeed.

“A projeção é dobrar novamente a operação em 2020”, diz Alexandre Brito, CEO da Hub Fintech, em entrevista ao NeoFeed. “Nossa expectativa é alcançar um volume processado de R$ 12 bilhões e uma base de 6 milhões de contas ativas.”

Por trás desse cenário, está um mercado cada vez mais aquecido. De um lado, a demanda vem de fintechs que, em muitos casos, preferem concentrar seus recursos e esforços na aquisição de usuários para seus serviços.

Em outra frente, estão companhias dos mais variados setores, como varejistas e empresas de telecomunicações, que enxergam nos produtos financeiros digitais uma oportunidade adicional para reter seus consumidores e consolidar uma nova e importante fonte de receita.

“Nos dois casos, ter um parceiro que já tenha todo o aparato tecnológico e regulatório corta tempo e agiliza a entrega dos produtos”, afirma Bruno Diniz, fundador da Spiralem, consultoria especializada em inovação para o mercado financeiro. “Isso criou um mercado à parte. Silencioso, mas com um potencial gigante. Na guerra das fintechs ou dos bancos digitais, quem vende a arma sempre está ganhando.”

Alexandre Brito, CEO da Hub Fintech

O “arsenal” da Hub Fintech envolve desde a fabricação, a impressão e a personalização de cartões até o processamento e autorização das transações, além do atendimento aos usuários.

O pacote inclui ainda toda a infraestrutura e gestão por trás de ofertas como contas digitais, empréstimos, benefícios, gestão de despesas e recebíveis, bem como serviços de análise antifraude.

Brito destaca que, desde o início, a Hub Fintech decidiu não atuar no “mar aberto” do mercado B2C. “Nós nos especializamos na tecnologia e no regulatório. Somos bons em fazer a roda e o motor”, afirma o executivo. “Quem faz bem o trabalho na ponta coloca o chassi e se preocupa em ter os demais acessórios.”

Nessa corrida, a Hub Fintech não está sozinha. Entre os concorrentes, há ao menos duas brasileiras ganhando corpo. Uma delas é Conductor, que recebeu um aporte de valor não revelado da Visa, no fim de 2018, e tem entre seus clientes empresas como GetNet, Pernambucanas e Ebanx. A segunda é a Matera, que captou, em fevereiro, R$ 100 milhões junto à gestora de private equity Kinea.

No páreo

Em meio ao avanço do mercado e da competição, a Hub Fintech também está se capitalizando. “Estamos na reta final de um processo de funding, que devemos concluir ainda neste mês, com a entrada de novos sócios”, afirma Brito, sem revelar mais detalhes sobre a operação.

O CEO também não comentou sobre a participação de Wizard nessa nova composição. Desde o início da operação, o empresário injetou cerca de R$ 150 milhões na empresa. E, em entrevista concedida ao NeoFeed em julho do ano passado, afirmou que a companhia “já valia mais de R$ 2 bilhões”

Com a nova rodada, a Hub Fintech planeja acelerar uma série de estratégias com o objetivo de ampliar seu leque de ofertas, a partir da base de contas que gerencia para terceiros. A mais recente delas é o lançamento de um serviço que permite aos usuários dos cartões realizarem saques diretamente no caixa de varejistas parceiros.

Para os varejistas, a ideia é oferecer uma alternativa que reduza os custos na comparação com o processo tradicional dos chamados caixas eletrônicos, que envolve questões como aluguel de carros fortes e transporte de valores. Ao mesmo tempo, essa abordagem amplia potencialmente o movimento de consumidores nas lojas e permite reduzir as tarifas cobradas nos saques.

Em maio, a Hub Fintech lança o serviço de saques no varejo em 1,6 mil lojas, de 400 cidades do País

Com início dos testes previstos para maio, o serviço estará disponível na largada em 1,6 mil lojas, de 400 cidades do País. O mapa de expansão vai priorizar postos de gasolina, farmácias e supermercados. E o plano é cobrir todos os municípios brasileiros em um prazo de 18 meses.

Lançada no fim de 2019 e fruto de um investimento de R$ 20 milhões, a operação de cartões de benefícios, de alimentação e refeição, é outra frente prioritária. Para escalar a oferta em restaurantes, a empresa fechou uma parceria de distribuição com a Rede. Até o momento, os vouchers já são aceitos em bandeiras da Sforza, como KFC, Pizza Hut, Taco Bell e a rede de produtos naturais Mundo Verde.

Uma segunda etapa passa por crescer a rede de aceitação em supermercados. Os cartões já são aceitos no Carrefour. Outras três grandes redes estão em fase de integração. “O plano é fechar com uma quinta e última grande rede com cobertura nacional”, diz Brito. “E ir a mercado buscar outros parceiros.”

Em termos de portfólio, a Hub Fintech trabalha, no momento, em ofertas para a entrada em segmentos como saúde e seguros. Ao mesmo tempo, parte dos investimentos será destinada à entrada, de fato, da empresa no mercado internacional. Hoje, a companhia já conta com uma empresa aberta na Argentina, sem, no entanto, explorar o mercado do país.

Nos próximos 12 meses, a empresa planeja abrir operações na Colômbia, no Chile e no Peru

Nesse mapa de internacionalização, Colômbia, Chile e Peru são os pontos escolhidos para receber operações da Hub Fintech nos próximos 12 meses. Concluídas essas iniciativas, a Argentina será o próximo passo.

“São mercados onde vemos combinação de ambientes regulatórios propícios, economias saudáveis e demanda de nossos clientes que já atuam nesses países”, diz Brito, que avalia investir em aquisições para acelerar a entrada nessas novas geografias.

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