Negócios

Agora está nas mãos do brasileiro Michel Doukeris a missão de revigorar a AB InBev

Nascido em Lages (SC), Michel Doukeris comandava os negócios da América Norte e sucederá a Carlos Brito, que ficou 15 anos à frente da AB InBev, a maior cervejaria do mundo, a partir de 1º de julho

 

Passagem de bastão: Carlos Brito (à esq.) deixa o comando da AB InBev para Michel Doukeris

A AB InBev, maior cervejaria do mundo, dona de marcas como Budweiser, Stella Artois e Corona, chegou a avaliar alguns candidatos de fora de suas fronteiras. Mas, no fim, acabou optando por uma solução caseira para conduzi-la nos próximos anos.

Nesta quinta-feira, 6 de maio, o brasileiro Michel Doukeris, de 47 anos, um veterano da empresa que estava à frente dos negócios da América do Norte, foi confirmado como o sucessor de Carlos Brito, que comandou a cervejaria durante 15 anos.

Doukeris, que nasceu em Lages (SC), vai substituir Brito a partir de 1º de julho com a missão de revigorar o crescimento das vendas da AB InBev em um momento em que os consumidores estão migrando para cervejas artesanais e outras bebidas, como vinhos e drinques. O executivo, que está no grupo desde 1996, também terá de encontrar uma nova fórmula de expansão para a AB InBev.

Durante os anos em que Brito esteve à frente da empresa, ele a transformou na maior fabricante de cervejas do mundo com base em aquisições bilionárias – a mais recente delas é a da SABMiller, em 2016, por mais de U$ 100 bilhões. Mas essa fórmula se esgotou. Além de deixar dívidas, que somavam US$ 82,7 bilhões no fim de 2020.

Desde 2015, quando as ações da AB Inbev foram negociadas em seus valores máximos, os papéis da companhia estão em queda. Atualmente, eles estão sendo vendidos por quase metade do valor – ontem, a ação fechou cotada a US$ 58,69. Por volta das 11 horas, subiam mais de 6%.

Não bastasse isso, a pandemia deixou mais evidente a necessidade de buscar outros ingredientes para crescer em vez da estratégia de comprar grandes empresas e cortar custos. Atualmente, é cada vez mais urgente ter um contato mais próximo do consumidor final.

Nesse caso, um exemplo de como fazer isso pode vir da Ambev, operação comandada por Jean Jereissati desde janeiro de 2020. Por aqui, o aplicativo Zé Delivery, que entrega cerveja gelada em menos de 60 minutos na casa do consumidor, está apresentando um desempenho surpreendente.

No resultado divulgado hoje pela Ambev, dona das cervejas Skol, Brahma e Antarctica, a empresa informou que o aplicativo fez 14 milhões de entregas nos três primeiros meses de 2021 –  a companhia não forneceu dados para comparar o crescimento com o mesmo período do ano passado.

Doukeris estava à frente das operações da América do Norte desde 2018, período em que mudou o portfólio de bebidas para ofertas mais premium e expandiu para outras categorias, como as hard seltzer, bebidas alcoólicas gaseificadas e leves.

Com isso, ele compensou a queda nas vendas da Budweiser e da Bud Light, as principais cerveja da AB InBev nos Estados Unidos. O executivo também investiu em dados e análises para um marketing local e regional mais direcionado.

Nesta quinta-feira, a AB InBev divulgou vendas e lucros de seu primeiro trimestre que superaram as expectativas do mercado. A receita do primeiro trimestre aumentou 17%, para US$ 12,29 bilhões. O lucro líquido foi de US$ 595 milhões, ante um prejuízo de US$ 2,25 bilhões no mesmo período do ano passado.

Nos três primeiros meses de 2021, a receita cresceu 5% na América do Norte, quase 62% na Ásia-Pacífico e 29% na América do Sul, um sinal de recuperação à pandemia. As vendas nos EUA para bares e restaurantes, por exemplo, já se recuperaram para cerca de 80% dos níveis pré-pandêmicos.

Em uma entrevista no mês passado, Doukeris disse que espera que as vendas de cerveja se beneficiem de uma celebração pós-pandemia semelhante à que ocorreu na Europa após a Segunda Guerra Mundial.

“Durante a guerra, você estava escondido em sua casa, com medo de morrer”, disse o novo chefão da AB InBev, citando histórias de seu pai, que viveu na Grécia do pós-guerra. “Depois da guerra, todos queriam viajar, encontrar amigos e comemorar pequenos momentos. Acho que vamos viver alguma euforia pós-Covid.”

O analista da RBC, James Edwardes Jones, disse ao The Wall Street Journal que Brito estava “entre os melhores CEOs que encontramos em 30 anos”, mas que a empresa agora precisava de um conjunto diferente de habilidades de liderança, dadas as poucas oportunidades de fazer negócios e uma necessidade urgente de desalavancagem. “O tempo dirá se Michel é a pessoa para fornecê-los”, afirmou.

Leia também

UM CONTEÚDO:

BRAND STORIES

VÍDEOS

Assista aos programas CAFÉ COM INVESTIDOR e CONEXÃO CEO