Negócios

Bill Gates: é impossível retomar a economia e “ignorar a pilha de corpos”

Em participação no programa TED Connects, o bilionário criticou a tese de políticos como Donald Trump, que defendem o fim do confinamento e da paralisação da economia, mesmo diante dos riscos do coronavírus

 

O fundador da Microsoft e filantropo Bill Gates

Em 2015, durante uma apresentação no TED, Bill Gates alertou para o fato de que o mundo não estava preparado para lidar com uma grande pandemia.

Cinco anos depois, o bilionário americano recorreu novamente à platataforma para tecer duras críticas ao modo como alguns líderes globais, em especial, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estão conduzindo a reação à pandemia do coronavírus.

“É muito difícil dizer às pessoas: ‘Ei, vá a restaurantes, compre casas novas, ignore a pilha de corpos ali no canto, queremos que você siga gastando porque talvez haja algum político que pensa que o crescimento do PIB é o que importa”, afirmou Gates, durante o TED Connects, evento online no qual respondeu a perguntas sobre o coronavírus.

Gates não mencionou nomes. Mas suas palavras foram uma clara referência a Trump, que vem defendendo a volta das atividades econômicas, mesmo diante do avanço da pandemia. Ontem, o presidente americano afirmou que planeja pôr fim às medidas de confinamento no País até a Páscoa, para amenizar os impactos na economia.

“Nós podemos fazer as duas coisas juntos. A cura não pode ser pior do que o problema. O Congresso deve agir agora. Vamos voltar fortes!”, escreveu Trump, em postagem no Twitter.

Trump não é o único político que tem adotado essa postura. O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, segue a mesma linha do presidente americano.

Na noite de terça-feira, 24 de março, Bolsonaro fez um pronunciamento em rede nacional de televisão e rádio. E, no discurso, minimizou os riscos do coronavírus e criticou as autoridades estaduais e municipais que impuseram medidas restritivas no País, como o fechamento do comércio e a quarentena.

O discurso de Bolsonaro ressoa entre os empresários brasileiros, que começam falar em uma quarentena seletiva. É o caso de Abilio Diniz, que defendeu que o lockdown deve ter prazo para terminar e não demorar meses.

Gates foi claro sobre o que pensa sobre assunto. “É muito irresponsável alguém sugerir que podemos ter o melhor dos dois mundos”, disse Gates.

Foi o que tentou a Inglaterra, ao buscar mitigar o efeito econômico do coronavírus. O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, era contra o isolamento, mas confrontado com o aumento de casos e as projeções que indicavam um agravamento da crise, ele não negou a realidade e implementou uma rígida quarentena no Reino Unido.

Gates afirmou ainda que o efeito econômico do isolamento é realmente dramático e desastroso. Mas que não há escolha. “Quanto mais cedo fizermos isso, mesmo que de um modo difícil, mais cedo poderemos voltar ao normal”, afirmou o bilionário, que prevê um período de seis a dez semanas de confinamento.

“É muito difícil dizer às pessoas: ‘Ei, vá a restaurantes, compre casas novas, ignore a pilha de corpos ali no canto, queremos que você siga gastando porque talvez haja algum político que pensa que o crescimento do PIB é o que importa”, afirmou Gates

Durante o programa online, Gates observou que os Estados Unidos perderam a oportunidade de evitar a paralisação obrigatória ao não agirem com rapidez suficiente para conter o avanço do vírus. Com mais de 46,5 mil infectados e mais de 700 mortes, o país já é apontado por autoridades e especialistas da saúde como o novo epicentro da pandemia.

O bilionário ressaltou ainda que o país precisa ampliar sua capacidade de realizar os testes de diagnóstico do Covid-19. “Ainda não estamos criando essa capacidade e destinando esses recursos às pessoas necessitadas”, afirmou Gates. “Isso é extremamente urgente.”

Gates é conhecido por destinar recursos a projetos ligados a causas humanitárias e sociais, por meio da Bill & Melinda Gates Foundation, iniciativa que mantém com sua esposa Melinda.

Recentemente, o casal anunciou um investimento de US$ 125 milhões, em parceria com a Mastercard, em um fundo para financiar testes e pesquisas científicas para combater o coronavirus.

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