Com foco nas DNVBs, Adventures faz aquisição para acelerar no e-commerce

Compra da agência de performance digital e-Can, especializada em operações de comércio eletrônico, faz parte dos planos da Adventures para impulsionar as vendas dos produtos das marcas digitais de celebridades que a empresa pretende lançar neste ano

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Adventures fortaleceu sua operação de e-commerce

Em mais um movimento de aproximação do mercado de publicidade com o setor de e-commerce, a Adventures deu sequência ao seu plano de criar uma solução digital que incorpore todos os passos da jornada virtual de compra dos consumidores de suas marcas. Nesta quinta-feira, 21 de julho, a empresa anuncia a aquisição da agência de performance digital e-Can, especializada em comércio eletrônico.

O negócio, revelado com exclusividade ao NeoFeed, estava sendo costurado nos últimos três meses. A transação que dá 100% de controle da agência para a Adventures, que vai absorver a companhia dentro de sua operação, envolveu pagamento em dinheiro e distribuição de ações, mas apenas para os sócios da e-Can que ainda vão permanecer no negócio.

“É uma aquisição na qual a gente traz grandes marcas para dentro para fazermos todo o trabalho de performance, SEO, otimização e práticas de CRM”, diz Felipe Dellacqua, sócio e vice-presidente da divisão de e-commerce da Adventures. Ele chegou à empresa em março, convidado pelos sócios-fundadores Rapha Avellar, Ricardo Dias e Gerard Roure. Outro sócio é Edwin Junior, que atua como presidente da Adventures.

Fundada em 2013 por Daniela Aquino como uma agência de marketing digital, a companhia ganhou terreno no setor e tem mais de 70 clientes. A maior parte no setor de moda, com empresas como Tommy Hilfiger, Dress to, Gringa, entre outras. Em outras áreas, também opera com empresas como Yorgus (de iogurte natural), Drogasmil (farmácia) e Rede Manaus (de acessórios automotivos).

Nos últimos anos, a companhia incorporou mais sócios em seu negócio. Entre eles estava Sergio Eraldo Salles, CEO da Legend Capital e que também foi fundador da Bozano Investimentos (hoje Crescera Capital) ao lado de Paulo Guedes, atual ministro da economia. Salles e Flávia Galvão, da Ipanema Ventures, deixam o negócio após o M&A.

“A e-Can traz para a Adventures uma estrutura que envolve desenvolvimento e performance, implementação de loja, CRM”, diz Daniela, que permanece no negócio. Com isso, a Adventures amplia o leque de serviços para pisar com mais força no mercado de e-commerce, principalmente com suas DNVBs (digitally native vertical brands).

A Adventures ainda pretende realizar outra operação de M&A nos próximos meses, com a compra de uma empresa que atua com full commerce, mas o nome ainda é mantido em sigilo.

O dinheiro para as aquisições vem do aporte de R$ 50 milhões que a Adventures anunciou em fevereiro deste ano e que avaliou a empresa em R$ 450 milhões. O aporte Série A foi liderado pela Provence Capital e teve a participação do Mercado Livre, de dois executivos do Twitter (Matthew Derella e Adam Bain), além de investidores que já haviam aportado no negócio, como Atmos, Navi e Arbor Capital.

A Adventures revelou que, em dezembro do ano passado, tinha receita recorrente anual de R$ 90 milhões e Ebitda de R$ 10 milhões, sendo que quase todo o faturamento veio dos serviços prestados para grandes clientes, como Tiktok, Americanas, Tinder, Disney, Stone, entre outras. A expectativa é de que a receita deste ano seja escalada pelas marcas digitais.

Da esquerda para a direita: Gerard Roure, Felipe Dellacqua, Daniela Aquino, Sergio Eraldo Salles e Edwin Junior

O plano para isso envolve criar uma plataforma de comércio eletrônico completa e que possa competir, por exemplo, com empresas como a Infracommerce – que, por sua vez, freou as aquisições. A chegada da e-Can e de outras empresas ajudam a ampliar o leque de serviços da Adventures desde a aquisição do cliente por meio de mídias digitais até a otimização da taxa de conversão, armazenamento, parte logística, CRM e SAC.

A aproximação do mercado de publicidade com o e-commerce vem acontecendo com maior frequência nos últimos meses. Um exemplo recente foi a compra da empresa brasileira Corebiz, que atua como uma consultoria especializada em e-commerce, pelo grupo britânico WPP, referência no mercado de publicidade. O negócio foi anunciado nesta semana.

Estratégia completa

Empresa de marketing digital e gestão de marcas, a Adventures nasceu em 2020. Em dezembro do ano passado, resolveu entrar no mercado de DNVBs com o lançamento de uma primeira marca em parceria com a atriz mirim Sienna Belle.

Para este ano, a empresa já tem seis contratos firmados com celebridades. Um deles é com o cantor sertanejo Gusttavo Lima, que tem quase 44 milhões de seguidores no Instagram. No segundo semestre, o artista terá um perfume lançado em parceria com a Adventures. Outros contratos, inclusive com outra celebridade de grande porte, também foram firmados pela empresa.

Enquanto fortalece seu time, a Adventures estrutura sua operação para conseguir ampliar as vendas dos produtos, cuja receita é repartida entre a celebridade e a companhia, sendo que esta última arca com todos os custos envolvidos no negócio. Para auxiliar neste processo, a empresa firmou parcerias com players de e-commerce como Mercado Livre, Shopify e VTEX.

Depois de trazer uma grande celebridade e reforçar o background de seu negócio, a companhia também pretende se aproximar da área de tecnologia da informação. “Queremos usar dados para criar eficiência e escala para marcas próprias e de terceiros”, afirma Dellacqua.

Neste sentido, a companhia desenvolveu e lançou dois softwares no mercado. Um deles é chamado de Smartcommerce, que monitora diversas fontes de dados em tempo real para que o empreendedor tome as melhores decisões em termos de logística, marketing, reposição de estoque e outros pontos do negócio.

O outro programa é chamado de Brandlovers, que é utilizado para gerenciar microinfluenciadores, embaixadores e comunidades das marcas nativas digitais. “É um software que ajuda a transformar fãs em afiliados que auxiliam no crescimento da marca, divulgando e sendo remunerados pelas vendas”, afirma Dellacqua.

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