Sergio Eraldo Salles, ex-Crescera Capital, se une à Treecorp como sócio

Sergio Eraldo Salles, que fundou a Crescera Capital (antiga Bozano Investimentos) e foi sócio de Paulo Guedes, vai atuar no conselho e na captação do quarto fundo de até R$ 700 milhões da Treecorp

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A Treecorp captou R$ 600 milhões em três fundos e tem no portfólio Petz, Estapar, Tânia Bulhões e Ademicon

O fundo de private equity Treecorp, que tem em seu portfólio Petz, Estapar, Tânia Bulhões, Ademicon e Cabana, entre outras empresas, está trazendo como sócio Sergio Eraldo Salles, ex-Crescera Capital (que antes de chamava Bozano Investimentos).

Salles chega a casa fundada por Filipe Lomonaco, Bruno Levi D’Ancona e Danilo Just Soares com a missão de atuar no conselho e na captação do quarto fundo da Treecorp, cuja meta é levantar até R$ 700 milhões.

“Estávamos conversando há mais de um ano e agora surgiu a oportunidade”, diz Salles, ao NeoFeed. “Vou estar junto no fund raising e na originação de negócios.”

Salles atuou por quase nove anos na Crescera, de onde saiu em agosto do ano passado. Ele fundou a gestora, na época batizada de Bozano Investimentos, em conjunto com Paulo Guedes, atual ministro da Economia, a partir da união de três companhias: BR Investimentos, Mercatto e Trapezus. Guedes deixou a sociedade ao ir para o governo federal no fim de 2018.

“Salles é um dos mais experientes profissionais de private equity no país”, afirma D’Ancona. “A sua experiência, atuação em diversos conselhos e credibilidade vão somar muito na nossa originação e relacionamentos com investidores.”

Na Crescera, Salles dividia a gestão com Guedes. Os dois se alternavam nos cargos de CEO e de presidente do conselho. Na época em que esteve à frente do negócio, o fundo investiu na empresa de educação Afya, que abriu capital na Nasdaq, e no Hortifruti Natural da Terra, vendida para o grupo suíço Partners Group (no ano passado, a Americanas comprou a empresa, que se preparava para um IPO).

Desde que deixou a Crescera Capital, Salles tem se envolvido em diversas frentes. Uma delas é a Legend, da qual é sócio, que atua como um wealth management para famílias com mais de R$ 100 milhões para investir, mas também tem um braço de assessoria de investimentos no qual o BTG Pactual é um dos sponsors. No total, tem R$ 8 bilhões sob custódia.

O novo sócio da Treecorp atua também no conselho de administração da companhia área Azul e está no conselho de auditoria de riscos da fabricante de aviões Embraer. Ele se mantém ainda em dois comitês de investimentos da Crescera Capital. “Sei lidar bem com esse tipo de governança”, afirma Salles, referindo-se ao potencial conflito de interesse entre as duas gestoras.

Agora, Salles passará a fazer parte de uma gestora de private equity que já levantou três fundos que somados captaram R$ 600 milhões. Ele também vai contribuir no conselho, que já conta com o publicitário e empresário Roberto Justus e Nemer Rahal, que atuou por muitos anos no Pátria e, atualmente, é sócio da Mindset Ventures.

A Treecorp, que nasceu em 2011, faz cheques na casa dos R$ 100 milhões por fatias relevantes das companhias nas quais investe. O alvo são empresas médias, com faturamento que variam de R$ 50 milhões a R$ 400 milhões, com alto potencial de crescimento e geradoras de caixa, como o caso da administradora de consórcio Ademicon, que movimentou R$ 8,2 bilhões com a venda de cotas de consórcios em 2021.

Assista a entrevista de Bruno Levi D’Ancona ao Café com Investidor:

A gestora vai ao mercado captar o seu quarto fundo em um momento delicado do mercado, em que o aumento das taxas de juros tem afugentado investidores de classes de ativos de ilíquidos, como private equity e venture capital. “Vamos mostrar o nosso track record aos investidores”, afirma D’Ancona.

Recentemente, a Treecorp tem usado estratégias de saídas que fogem ao modelo tradicional de simplesmente vender sua participação. A Zee.Dog, considerada uma “Nike dos pets”, foi comprada pela Petz em uma operação de R$ 715 milhões. Na transação, a gestora ficou com uma fatia de 3% da Petz.

A venda da Zul Digital, um aplicativo que permite pagar estacionamentos e outros serviços associados a um carro, à Estapar envolveu também ações e dinheiro. No negócio, a Treecorp ficou com 6% da companhia e ganhou um assento no conselho de administração.

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