Na Ademicon, o consórcio é o carro-chefe. Mas o crédito entra no radar

A empresa, investida do fundo de private equity TreeCorp, movimentou R$ 8,2 bilhões com a venda de cotas de consórcios em 2021. Agora, entra na área de crédito em parceria com Banco Bari e Creditas e vai captar um FDIC de até R$ 80 milhões

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Ao longo de 30 anos, a empresa paranaense Ademicon construiu uma empresa que movimentou R$ 8,2 bilhões e faturou R$ 435 milhões em 2021 com base quase que exclusivamente em um único produto: a venda de consórcios de imóveis, veículos e serviços.

Em 2020, ao se fundir com a Conseg, a companhia trouxe para a base de acionistas o fundo de private equity TreeCorp. E, com isso, começou a colocar no radar o crédito.

No ano passado, a Ademicon fez uma parceria com o Banco Bari para home equity, em que fornece crédito com garantia de imóvel. Neste ano, a companhia está prestes a anunciar uma parceria com a startup Creditas para car equity .

Na mesma linha, a Ademicon planeja captar um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) de até R$ 80 milhões para oferecer crédito aos seus clientes que queiram dar lances em consórcios, antecipando a compra do bem.

“Estamos fazendo um teste, um MVP”, diz Tatiana Schuchovsky Reichmann, CEO da Ademicon, em entrevista ao NeoFeed, referindo-se as ofertas de crédito que a companhia vai lançar neste ano.

A entrada em crédito é um primeiro passo para a diversificação da Ademicom, que tem planos de abrir o capital no longo prazo. A estimativa de Reichmann é que em até quatro anos, a companhia possa tocar o sino da B3.

Mas isso não significa que a empresa vai deixar de lado a área de consórcios, o seu ganha-pão. Ao contrário. A ideia é reforçar o produto e a principal estratégia é crescer as vendas através de suas lojas.

Atualmente, a Ademicon conta 145 lojas no modelo de licenciamento espalhadas pelos principais Estados brasileiros – a maioria está concentrada na região Sul e Sudeste. A meta é abrir 25 novos canais de venda neste ano. E até o IPO, Reichmann quer manter esse ritmo anual de aberturas.

Por ser uma instituição financeira, a Ademicon não pode trabalhar com suas lojas no modelo de franquia, cobrando royalties. Mas a estratégia, na prática, é semelhante e a companhia ganha uma comissão gerada pelas empresas licenciadas que abrem a loja para revender os seus produtos.

Tatiana Schuchovsky Reichmann, CEO da Ademicon

Outra braço que a Ademicom pretende reforçar é a sua área de white label, em que atua no modelo de um “consórcio com um serviço” para outras empresas. A New Holland, fabricante de implementos agrícolas, assim como Iveco, Librelato, Mitsubishi e Suzuki são clientes dessa unidade.

Com isso, a meta é chegar, em 2022, a R$ 10 bilhões em vendas de cotas de consórcio, um mercado que explodiu durante a pandemia do novo coronavírus.

De janeiro a dezembro de 2021, as vendas de novas cotas de consórcio atingiram 3,46 milhões, um recordo histórico, segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac). Os negócios também bateram recorde, alcançando a marca dos R$ 222,2 bilhões, um crescimento de 35,8%.

É um mercado em que os grandes bancos, como Itaú e Bradesco, dominam as vendas. O desafio da Ademicon é ser uma “intrusa” neste meio.

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