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Depois da sua conta de e-mail, o Google agora quer sua conta bancária

O Google é o mais recente gigante do Vale do Silício a entrar no mundo financeiro. Ele pretende oferecer contas correntes aos seus usuários, operadas pelo Citigroup

 

Google ainda não confirmou se haverá taxas em seu serviço Cache, de conta corrente

O Google é o mais recente gigante do Vale do Silício a apostar em serviços financeiros. Na manhã desta quarta-feira, 13 de novembro, a empresa de Mountain View anunciou que, a partir de 2020, passa a oferecer uma conta corrente pessoal, no serviço batizado de Cache.  

Não é a primeira iniciativa do Google na área – mas é a mais ousada até então. A primeira delas foi em 2011, quando lançou o Google Wallet, uma carteira digital que armazena dados de cartões de crédito e débito dos usuários. Quatro anos mais tarde foi a vez do Google Pay, sistema de pagamento, entrar em ação.

Sem licença para operar como um banco propriamente dito, o Google fez parceria com o Citigroup, que vai operar as contas. A Stanford University Credit Union, agência de crédito estabelecida no Vale do Silício, também vai dar apoio. 

Ambas as instituições declararam, através de comunicado oficial, que parcerias como essa, com o Google, são estratégicas para conquistar um público mais jovem e nativo digital, além de representar um caminho seguro de crescimento para além das agências físicas.

A ideia é que os correntistas acessem e utilizem seus recursos pelo já existente Google Pay, cuja previsão é alcançar 100 milhões de usuários em 2020. Em 2018, esse serviço do Google havia conquistado 39 milhões de usuários ativos, segundo a empresa de análise Juniper Research.

Com o novo produto e novas ferramentas, o Google ganha mais força para “brigar” com a Apple, que tem 140 milhões de usuários cadastrados em seu serviço de pagamento, o Apple Pay.

A empresa liderada pelo executivo Tim Cook também dá seus próprios passos no mundo das fintechs. No começo deste ano, a gigante anunciou o Apple Card, cartão de crédito que é apoiado pelo Goldman Sachs e Mastercard. Lançado ao público americano em agosto, a companhia ainda não revelou quantas unidades foram emitidas e ativadas.

Quem deve pegar carona nessas novidades é o Uber, que tornou público em outubro deste ano sua iniciativa Uber Money, ainda sem previsão de lançamento. A proposta é que o serviço sirva como uma carteira digital, voltada, sobretudo, aos mais de 4 milhões de motoristas registrados junto à empresa. Com a ferramenta, eles conseguiriam ser pagos imediatamente após cada corrida. 

Não é de agora que a Amazon também se dedica ao setor das fintechs. Em 2007 ela adquiriu a TextPayMe, um serviço para celular de transferência peer-to-peer. No mesmo ano, a companhia investiu na startup Bill Me Later, que dava aos varejistas a possibilidade de oferecer aos seus clientes uma opção de financiamento.

Ao longo desses anos todos, a empresa de Jeff Bezos vem estruturando seus serviços financeiros, inclusive seu sistema de processamento Amazon Pay. De acordo com reportagem do jornal econômico The Wall Street Journal, a gigante tem conversado com alguns bancos sobre a possibilidade de também oferecer contas correntes.

Com uma estratégia diferente, o Facebook parece apostar mais na força crescente das moedas digitais. A rede social pretende ter sua própria criptomoeda, a Libra, que não tem data para estreia. 

Mas o que Zuckerberg já tirou do papel, pelo menos nos EUA, foi o Facebook Pay – sistema que descomplica o envio e recebimento de pagamentos em todas as redes sociais e aplicativos da empresa, como WhatsApp e Instagram.

A ferramenta está, por ora, disponível a usuários selecionados, mas ao longo desta semana deve estar ao alcance de todos os usuários dos Estados Unidos. 

Diante de tantas investidas do mundo da tecnologia, o Google pode ganhar tração pelo bolso: a gigante não anunciou se vai cobrar taxas em suas contas, o que pode ser um atrativo e tanto. 

Caso opte por manter o produto gratuito, o Google corre o risco de alimentar as suspeitas de que sua investida visa à exploração de dados pessoais dos usuários. Com o Cache, a empresa saberia quanto e como as pessoas utilizam seus recursos financeiros – informações que não teria acesso com os demais produtos da casa.

O Google desmente as suposições, alegando que não faz uso dos dados cadastrados no Google Pay para propósitos publicitários e não compartilha essas informações com terceiros. Nas palavras de Caesar Sengupta, executivo do Google, a empresa busca apenas agregar valor aos usuários, bancos e comerciantes.

Segundo uma pesquisa da consultoria McKinsey, 85% das pessoas entrevistadas afirmaram que confiariam em serviços financeiros oferecidos pelo Google.

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