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Em meio ao isolamento social, a bilionária “Netflix dos celulares” estreia no EUA

A plataforma de streaming para celulares Quibi recebeu US$ 1,8 bilhão em investimento dos principais estúdios de Hollywood. Sua estreia acontece num momento que a maioria da população está em casa. Mas especialistas acreditam que essa não é uma boa hora para colocar no ar um serviço de vídeos curtos

 

Chrissy Teigen é a estrela do programa “Chrissy’s Cout”, da Quibi

Comparado às empresas tradicionais de streaming, como Netflix, Disney+, Amazon Prime e outras, a Quibi passou os últimos meses tentando “educar” sobre seu ineditismo. Mas nesta segunda-feira, 6 de abril, data de sua estreia, surge a pergunta de alguns bilhões de dólares: seria seu diferencial suficiente para vencer em tempos de coronavírus?

A empresa criada por Jeff Katzenberg, ex-presidente da Disney e cofundador da Dreamworks, se apresenta como a primeira plataforma com conteúdo cinematográfico original exclusivo para celular. Seu grande trunfo é a curta duração de seus filmes, séries e shows: todos os seus títulos têm, no máximo, dez minutos. 

É um entretenimento pensado para os momentos “on the go”, como chamam os americanos aquela espera entre uma atividade e outra, como quando se espera o metrô na plataforma, um ônibus na estação, o elevador no lobby ou a passagem do café.

A Quibi nasce com investimentos que somam US$ 1,8 bilhão proveniente das maiores companhias de Hollywood, incluindo Sony Pictures, Walt Disney Company, Warner Bros e MGM. O site chinês Alibaba, bem como os bancos Goldman Sachs e JP Morgan também são investidores da plataforma.

A plataforma de streaming para celulares nasce também com o apoio de empresas de peso. Marcas como Pepsi, General Mills, Google, T-Mobile, Walmart e Taco Bells desembolsaram US$ 150 milhões para estamparem seus produtos nessa nova proposta de mídia digital.

A estreia da Quibi acontece justamente em meio ao recorde de audiência das plataformas de streaming. Com a quarentena imposta por autoridades em diversas regiões do país e o home office institucionalizado, a demanda por vídeos e séries nunca foi tão alta.

O consumo por esse tipo de entretenimento é tão grande que a Netflix se viu obrigada a reduzir a qualidade de seus vídeos na Europa e em outras regiões do mundo, para evitar um “apagão” de seus serviços, cujos servidores e internet não aguentariam tamanha procura.  

Essa audiência só tem de comemorar a expansão do cardápio, que com a Quibi traz ao menu títulos originais como a série “Survive”, estrelada por Sophie Turner. A primeira temporada do show já conta com três episódios de 8, 10 e 9 minutos cada, respectivamente.

Outra opção que tem agradado diferentes paladares é o programa “Chrissy’s Court”, que traz a ex-modelo e influencer Chrissy Teigen no papel de juíza. A cada episódio, Chrissy tem de julgar disputas reais, numa espécie de “Casos de Família”, só que mais leve e bem-humorado.

O primeiro episódio conta a desavença de um cantor de um restaurante e um cliente, que tiveram um desencontro quanto aos estilo de músicas tocadas e acabou com uma caixa de som quebrada. O “processo” tinha valor de US$ 900, e ambas as partes são ouvidas com humor. Além de Chrissy, a mãe da modelo e o marido, o cantor John Legend participaram também da atração. 

Durante a apresentação da plataforma na Consumer Eletronic Shows (CES) 2020, em Las Vegas, Katzenberg afirmou que, no primeiro ano de atividade do Quibi, seriam colocados no ar 8,5 mil capítulos de 175 shows.

Para além do entretenimento, a “grade” de programação do app conta também com noticiário e conteúdo esportivo – outro diferencial das demais plataformas de streaming, 

Embora tenha todos esses temperos exclusivos, uma diretora de arte de uma grande agência de publicidade disse ao NeoFeed, em condição de anonimato, que a Quibi erra em não adiar seu lançamento.

“Apresentamos a plataforma para diversos clientes, porque acreditamos no potencial desse tipo de conteúdo, mas nos preocupa a estratégia da companhia. Agora que estão todos em casa, não há necessidade de entretenimento em formatos curtos para celular – estão todos vendo televisão”, afirmou a diretora de arte. Segundo ela, a audiência não costuma dar segunda chances a aplicativos, e errar agora pode ser fatal.

Quem parece validar a opinião da diretora de arte é o crítico de cinema do site Indie Wire, David Erlich, que usou seu Twitter para dizer o que pensa. “Acabei de baixar o Quibi, experimentei um de seus shows e deletei o aplicativo do meu celular em menos tempo que leva um de seus episódios”, escreveu Erlich.

A Quibi, que é uma brincadeira com a expressão “quick bites”, como são conhecidos os conteúdos curtos e chamativos, está oferecendo 90 dias gratuitos para os novos usuários.

Depois desse período, quem quiser continuar acompanhando a plataforma poderá escolher entre desembolsar US$ 4,99 para ter acesso ao conteúdo com publicidade, ou US$ 7,99 para assistir à programação sem nenhum tipo de propaganda. 

A Quibi tem como CEO a executiva Meg Whitman, que já comandou a fabricante de computadores HP e o site de leilões eBay.

Sobre a estreia da plataforma, Whitman se limitou a usar o Twitter para dizer que “está animada para dividir a Quibi com todos” – e compartilhou o link para o download do aplicativo. 

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