Enquanto o mercado pisa no freio, o BTG Pactual põe fé na Vale

A mineradora brasileira reduziu as projeções para produção e investimentos e tem sido vista com cautela por investidores. Mas os analistas do BTG veem potencial de valorização

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A Vale diminuiu a expectativa de investimento para 2021 de US$ 5,8 bilhões para US$ 5,4 bilhões

Uma das três maiores mineradoras do mundo, a Vale não passou imune à queda da demanda chinesa por minério de ferro. Em evento com investidores e analistas na quinta-feira, dia 9 de setembro, a companhia informou que reduziu a projeção de produção para 2022, de 400 milhões para 370 milhões de toneladas, e diminuiu a expectativa de investimento para 2021, de US$ 5,8 bilhões para US$ 5,4 bilhões.

De quebra, a empresa divulgou ainda que as despesas decorrentes da tragédia de 2019, em Brumadinho (MG), devem ficar entre US$ 2,7 bilhões e US$ 3,2 bilhões neste ano.

No mercado, a reação não poderia ser outra. Embora a empresa também tenha anunciado medidas de descarbonização, para se tornar uma companhia mais “verde”, as ações negociadas na B3 fecharam o pregão de quinta em queda de 0,26%, a R$ 94,7, após chegarem a cair 1,96% ao longo do dia, na menor cotação em 30 dias.

O BTG Pactual, porém, uma das casas que veem potencial de valorização para o papel, segue otimista com a Vale. “Para nós, a parte mais importante da história é que a gestão continua altamente disciplinada na alocação de capital e continuará executando o negócio com um modelo de ‘ativos leves’”, escrevem os analistas Leonardo Correa e Caio Greiner, em relatório distribuído a clientes.

A ADR da Vale em Nova York fechou a sessão de quinta-feira negociada a US$ 17,98, mas o BTG estima um preço-alvo de US$ 30 em 12 meses. “Acreditamos que a empresa continuará apresentando um progresso tangível na frente ESG, retirando o desconto excessivo atualmente atribuído ao preço de sua ação”, afirmam.

Na visão dos analistas, o mercado tem estado cauteloso com a Vale por fatores como os tropeços na produção de Carajás (PA), afetada pelos controles de poluição na China, que reduziram a demanda, e informações limitadas da companhia a respeito da distribuição de dividendos.

“E os investidores parecem estar esperando que os preços do minério de ferro se estabilizem, após a volatilidade sem precedentes na semana passada”, escrevem. A visão do BTG, contudo, é mais positiva.

“Do nosso lado, acreditamos que a história de ‘baixo para cima’ da Vale está boa como sempre”, diz o banco, no relatório. “E acreditamos que a ação parece altamente subvalorizada, mesmo sob um cenário de preço de minério de ferro a US$ 100 por tonelada”, afirmam os analistas, que esperam que a demanda da China volte a se recuperar entre setembro e outubro. Na quinta, a commodity era negociada a US$ 132,19, no porto de Qingdao, na China, o menor preço desde dezembro.

No segundo trimestre, a Vale registrou lucro líquido de R$ 40 bilhões, quase oito vezes os ganhos de R$ 5,289 bilhões anotados em igual período do ano passado. A receita líquida, por sua vez, foi de R$ 87,8 bilhões, mais que o dobro dos R$ 40,4 bilhões faturados em igual intervalo de 2020 – um avanço impulsionado pela alta do preço do minério de ferro no período.

Sobre os dividendos, apesar das informações limitadas da Vale, o BTG acredita que o montante será divulgado em breve pela companhia e deve girar em torno de US$ 8 bilhões.

Além da tragédia de Brumadinho, que só em 2021 podem gerar custos de até US$ 3,2 bilhões para a Vale, a companhia ainda convive com as consequências do rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG), em 2015.

Fruto de uma joint venture entre a Vale a australiana BHP Billiton, a Samarco pediu recuperação judicial em abril deste ano, com uma dívida de R$ 50,7 bilhões. Sob questionamentos dos credores, o plano de recuperação judicial ainda não foi aprovado.

No dia 18 de agosto, uma ação do Ministério Público de Minas Gerais pediu o arresto cautelar dos bens da Vale e da BHP, exatamente no valor de R$ 50,7 bilhões, incluído na recuperação judicial.

No dia seguinte, contudo, o juiz Adilon Cláver de Resende, da 2ª Vara Empresarial de Belo Horizonte, negou o pedido do MP. Em sua decisão, ele disse que a suspensão do processo seria uma “medida extrema e com forte indicação de prejuízos à Samarco e aos seus credores, especialmente os trabalhistas e fornecedores, bem como à economia das regiões e estados em que atua e a do próprio país”.

A Vale é avaliada em R$ 477 bilhões. Nesta sexta-feira, dia 10, os papéis operavam em alta de 0,48%, para R$ 95,15, por volta das 12h.

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