Fintech ZigPay leva balada e shows sem filas à Europa

Fintech que levantou R$ 40 milhões com Edgard e Diogo Corona, da rede de academias SmartFit, e Ricardo Goldfarb, da família que controla a Lojas Marisa, começou a operar em Portugal neste mês. Próximo destino é a Bélgica

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O aplicativo da ZigPay

Pouco menos de um ano após levantar um aporte de R$ 40 milhões, a ZigPay está colocando em prática o plano de levar seu meio de pagamentos cashless voltado para bares, baladas e eventos para a Europa. Depois de desembarcar em Portugal, a empresa mira agora outros países do Velho Continente.

Fundada em 2017 e investida por Edgard e Diogo Corona, da rede de academias SmartFit, e Ricardo Goldfarb, da família que controla a Lojas Marisa, a fintech que opera com cartões ou pulseiras que são carregadas previamente com créditos pelo consumidor estreou em Portugal no começo deste mês.

A próxima escala nessa “turnê” pela Europa será na Bélgica, quando o sistema será utilizado para o consumo de itens no festival de música eletrônico Tomorrowland, marcado para julho.

“A chegada ne Europa abre um leque de oportunidades para que a gente opere em diferentes países e não só em eventos, como em estádios, bares e restaurantes”, diz Bruno Lindoso, que hoje divide o cargo de CEO com Nerópe Bulgareli, cofundador da ZigPay ao lado de David Pires, Yan Tironi e Carlos Lino, em entrevista ao NeoFeed.

O movimento de expansão ocorre graças a parcerias firmadas pela fintech com o banco Santander e com a startup holandesa Paybyrd, que também opera com meios de pagamento cashless. Com os acordos, a ZigPay pode atuar em todos os países da União Europeia. No radar, estão os mercados da Holanda e da Espanha.

O plano de chegar no mercado europeu ganhou força após a fusão, no ano passado, com a NetPDV, outra startup de meios de pagamento cashless que foi fundada em 2014 por Bruno Lindoso.

O negócio permitiu que a empresa escalasse sua operação e passasse a atender os principais eventos realizados no Brasil. A companhia já disponibilizou a tecnologia de pagamento em festivais como Lollapalooza, Rock in Rio, Oktoberfest Blumenau, João Rock e Rodeio de Jaguariúna, entre outros.

“Hoje o meu maior concorrente é cultural”, diz Lindoso. “Acabei de voltar da Alemanha, onde o dinheiro em espécie representa mais de 60% das transações em eventos. Lá ainda se faz eventos como se fazia aqui no Brasil há sete anos, onde as pessoas trocam o dinheiro por fichas e tokens de plástico.”

Além de oferecer uma maneira mais prática para realizar as compras substituindo as fichas de papel em caixas, a ZigPay também atua com o gerenciamento da operação. Um sistema da companhia permite que o comerciante tenha controle da operação financeira, sabendo quais foram os produtos mais vendidos, os horários com maior consumo, entre outras informações.

A partir dessas informações capturadas, a companhia também consegue realizar uma análise sobre como um determinado evento pode ser organizado. Ao saber qual foi o consumo e o preço médio de uma determinada cerveja em um evento, a startup pode auxiliar outros produtores com a escolha de marcas e dos valores que serão cobrados.

Para gerar receita, a companhia cobra um percentual sobre o volume transacionado no evento. Outra fonte vem justamente dos dados capturados, que são usados para que a ZigPay faça uma consultoria para produtores, auxiliando-os na montagem dos eventos.

A operação atual conta com 200 funcionários e a empresa espera contratar pelo menos mais 29 pessoas até este ano. Lindoso não revela números do negócio, dizendo apenas que a fintech deve movimentar algo em torno de R$ 2,5 bilhões em TPV (volume total de pagamentos) em 2022.

Nesta estratégia de expansão, a chegada ao Velho Continente representa um passo importante. Atualmente, a startup já opera na América Latina, em países como México, Uruguai, Peru, Colômbia e Guatemala, com um time de 10 funcionários. A previsão é triplicar a equipe até o fim do ano e preparar uma expansão futura para Argentina e Chile.

Bruno Lindoso, CEO da ZigPay

Outro mercado no radar é o americano. A chegada aos Estados Unidos está prevista para uma “segunda fase” de expansão internacional, segundo Lindoso. A tendência, no entanto, é que isso aconteça somente após mais uma captação.

A chegada em novos mercados, no entanto, só deve acontecer quando a startup captar mais dinheiro, algo que está nos planos da fintech. “Estamos discutindo a possibilidade”, diz Lindoso. “Com o que temos hoje, já dá para garantir o crescimento até o fim do ano e conseguimos trazer rentabilidade para o negócio de uma forma saudável”.

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