Guilherme Paulus vende grupo GJP em negócio milionário

Com nove hotéis das marcas Wish, Prodigy e Linx, a rede hoteleira foi parar nas mãos da R Capital. O negócio, segundo apurou o NeoFeed, alcançou R$ 800 milhões

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Wish Resort, em Natal (RN), uma das joias da rede

O empresário Guilherme Paulus, um dos maiores representantes do turismo brasileiro, criou e vendeu algumas das principais empresas do setor.

A CVC, a maior operadora de turismo da América Latina, foi vendida para o Carlyle e depois abriu seu capital. A companhia aérea Webjet, também criada por ele, foi parar nas mãos da GOL.

Agora, Paulus dá mais uma tacada mostrando desapego às marcas que cria.

Ele acaba de vender a rede hoteleira GJP, com nove empreendimentos no Brasil, para o grupo de private equity R Capital, com R$ 3,5 bilhões sob gestão.

No negócio, foram incluídas marcas e empreendimentos hoteleiros Wish, Prodigy e Linx. O Castelo Saint Andrews, um hotel de luxo em Gramado, projeto pessoal de Paulus, ficou de fora do negócio.

O NeoFeed apurou que dois fatores foram determinantes para a venda. O primeiro foi a pandemia, que machucou muito o setor hoteleiro e fez com que o grupo queimasse caixa.

Guilherme Paulus já vendeu a CVC, a Webjet e agora a GJP

O segundo ponto foi a oportunidade que surgiu. Fontes de mercado afirmam que a GJP buscava abrir capital e, no meio do caminho, um banqueiro de investimento apareceu com a proposta de compra.

Os valores não foram divulgados, mas o NeoFeed apurou que o negócio girou ao redor de R$ 800 milhões.

Fábio Godinho, que atuava como CEO da GJP, seguirá no comando da operação, agora sob o controle do R Capital.

O fundo R Capital é o braço de private equity da RTSC, holding brasileira que também mantém negócios no mercado financeiro, em áreas como asset management e gestão de fortunas.

Fundado em 2014, o grupo RTSC atua, especialmente, nos segmentos imobiliário e mantém participações em empresas de setores como gestão de recursos, securitização e garantias imobiliárias.

Dentro desse escopo, uma questão, em particular, atraiu o interesse do R Capital na GJP: a possibilidade de escalar os conceitos de timeshare e multipropriedade, com os quais, o fundo já trabalha.

A GJP já atua com o timeshare, que consiste em dar acesso à sua rede no Brasil e a hotéis da parceira RCI no exterior, por meio de um clube de sócios. Ao mesmo tempo, a empresa vinha investindo para começar a explorar o formato de multipropriedade.

Bastante difundido nos Estados Unidos por redes como Hilton e Marriott, o conceito de multipropriedade envolve a venda fracionada de unidades em empreendimentos e o compartilhamento do uso e dos custos pelos cotistas.

Ganhar escala nesse espaço era um dos focos da GJP, que previa a inauguração de empreendimentos como o Linx Canoas, em Porto Alegre (RS) e o Air São Paulo, que marcaria o lançamento da Air, quinta bandeira da GJP, centrada no segmento de lifestyle e mesclando negócios e lazer. Os projetos foram interrompidos, no entanto, em função do agravamento da pandemia.

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