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Meritocracia precisa chegar ao topo das empresas. Até no conselho de administração

A máxima “eu faço parte de um núcleo de acionistas, então tenho assento garantido no Conselho” não é algo aceitável. Não podemos praticar a meritocracia de forma profissional e não fazer o mesmo entre os nossos controladores

 

Se há algo capaz de potencializar o papel dos Conselhos de Administração enquanto guardiões de governança e cultura nas organizações é a meritocracia. Originada do latim mereo (merecer) e do grego antigo krátos (poder), a palavra leva consigo todo o conceito de visão de longo prazo, alinhamento de valores familiares e empresariais e desenvolvimento de uma cultura corporativa necessários para pavimentar a trajetória de uma companhia sólida e duradoura.

No Grupo Algar, a meritocracia é um de nossos valores principais. Estimulamos a profissionalização da família, da empresa, do Conselho e avaliamos o desempenho de todos os stakeholders, sempre com o intuito de adotar as melhores práticas que, em última instância, irão refletir na geração de valor para uma empresa mais saudável e versátil. O ambiente é bastante dinâmico, as práticas mudam com velocidade e é preciso ter agilidade para acompanhar as transformações do ambiente de negócios.

Esse princípio, que nasceu com a cultura do fundador do Grupo Algar, extrapola a empresa e chega à família. Como principais responsáveis por transmitir a cultura empresarial, não podemos praticar a meritocracia de forma profissional e não fazer o mesmo entre os nossos controladores.

E promovemos isso fomentando um plano de formação bastante abrangente a todos os nossos acionistas, o que inclui análise de performance e identificação de high potencials que podem dar uma contribuição mais rica ao grupo.

A máxima “eu faço parte de um núcleo de acionistas, então tenho assento garantido no Conselho” não é algo aceitável. Quando um acionista que exerça a função de conselheiro ou executivo também trabalha para a valorização do seu capital, esse sistema acaba evoluindo de uma forma natural.

Com isso, as pessoas despontam, desenvolvem sua própria liderança e, com um reconhecimento conquistado em bases sólidas, acabam sendo apoiadas pelos demais acionistas a desempenhar papeis diferenciados dentro da organização ou mesmo dentro do conselho de sócios ou dentro da família.

A meritocracia da família para a empresa e da empresa para a família, exercitada de forma positiva, gera um círculo virtuoso com impactos muito benéficos para a gestão.

Conselhos de Administração são órgãos que geram valor para as organizações, por isso exigem independência para a composição de seu quadro. Soma-se a isso a necessidade de reunir competências distintas e explorar a diversidade de maneira mais arrojada para evoluir em suas discussões com pontos de vistas diferentes.

Tudo isso discutido de forma bastante transparente entre os acionistas é o cenário ideal para que a companhia avance e atinja seus objetivos de futuro.

* Luiz Alexandre Garcia é presidente do Conselho de Administração do Grupo Algar, que atua nos setores de tecnologia, turismo e agronegócio

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