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Microsoft paga US$ 2 bilhões por uma “carona” na Cruise da GM

A companhia comandada por Satya Nadella está investindo na Cruise, startup de veículos autônomos da americana GM, que foi avaliada em US$ 30 bilhões. Objetivo é ter acesso aos dados gerados pelos carros

 

Carro da Cruise em teste nas ruas de São Francisco, nos EUA

Em mais um sinal de interesse das empresas de tecnologia pelo segmento de carros sem motorista, a Microsoft está investindo, em conjunto com grupo de companhias, US$ 2 bilhões na Cruise, startup de veículos autônomos da americana GM, nesta terça-feira, 19 de janeiro.

Com a nova rodada, a avaliação da Cruise passou para US$ 30 bilhões – o valor anterior era de US$ 19 bilhões. Além da Microsoft, os atuais investidores seguiram a captação. Entre eles, a GM, que mantém sua posição majoritária, e a Honda, além de outros investidores institucionais que não foram revelados.

De acordo com os termos do acordo, a Cruise usará o serviço de computação em nuvem Azure da Microsoft para implantar serviços de veículos autônomos. A startup da GM vem testando há anos o serviço de carros autônomos em São Francisco, na Califórnia, e planeja um serviço de robô-táxi.

O interesse da Microsoft no segmento tem mais a ver mais com a quantidade de dados que serão gerados pelos carros sem motoristas do que necessariamente em ter um veículo autônomo para chamar de seu.

Por hora, estima-se que um carro sem motorista possa gerar 5 terabytes de dados, o equivalente a 1,6 mil filmes da Netflix. Essas informações podem ser monetizadas pelas empresas donas dos veículos.

Em um comunicado, o presidente da Cruise, Dan Ammann, disse que o envolvimento da Microsoft ajudará Cruise a comercializar sua tecnologia. O CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou que a companhia quer ajudar os carros autônomos a se tornarem populares.

O aporte acontece 18 meses depois de investimentos de US$ 7 bilhões na Cruise, realizados entre 2018 e 2019. A meta da startup da GM era lançar seu serviço autônomo de carona até o fim de 2019. Mas a Cruise não conseguiu cumprir o prazo e não definiu um novo cronograma. Recentemente, a companhia sinalizou aos investidores que está ficando perto de comercializar a sua tecnologia.

Esse é mais um lance que mostra que o apetite das empresas de tecnologia em relação ao mercado de veículos voltou a ficar maior. No ano passado, a Apple deu sinais de que quer também uma fatia desse segmento. A companhia liderada por Tim Cook deve voltar a investir nessa área e deve ter um carro movido a eletricidade até 2024.

Outro exemplo é o da startup Aurora Innovation, que observou sua avaliação subir para US$ 10 bilhões após comprar a unidade de carros autônomos da Uber – antes, ela era avaliada em US$ 2,5 bilhões. A Amazon detém também uma fatia minoritária nessa empresa.

Em junho do ano passado, a Amazon resolveu ir além e assumiu 100% da startup de carros autônomos Zoox por mais de US$ 1,2 bilhão. Com a empresa, a companhia fundada por Jeff Bezos planeja criar uma frota de veículos para serviços de carona.

O valor de mercado da Luminar Technologies, que fabrica tecnologia de detecção baseada em laser para carros autônomos, passou de US$ 1,9 bilhão, quando abriu o capital, no mês passado, para cerca de US$ 10 bilhões.

A Waymo, divisão de veículos autônomos da Alphabet, holding que controla o Google, levantou pelo menos US$ 3 bilhões no ano passado de investidores como Silver Lake Partners, Canada Pension Plan Investment Board e Mubadala Investment Company. A startup começou a oferecer caronas ao público em geral na área de Phoenix, nos Estados Unidos, no ano passado.

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