Mistura de AWS e WeWork do setor de saúde, Livance capta R$ 30 milhões

Rodada foi liderada pela Cadonau Investimentos, investment office do Grupo Jereisssati, e pela Astella. Startup, que mistura tecnologia, real estate e healthtech, vai usar recursos para crescer número de unidades. O fundador Claudio Mifano conta os planos

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Unidade da Livance: estilo do WeWork, mas com pagamento dos consultórios conforme o uso, como a AWS

Qual a melhor maneira de definir a Livance, uma startup que tem um pedaço de real estate, outro de tecnologia e ainda uma parte de healthtech? De uma forma simples, ela poderia ser classificada como uma mistura entre a empresa de computação em nuvem AWS e a de coworking WeWork.

Nesta quinta-feira, 1º de julho, a Livance, que mescla o pagamento de uma assinatura com o uso sob demanda de consultórios por profissionais de saúde, está anunciando que captou R$ 30 milhões em uma rodada série A com investidores que, de certa forma, ilustram esses expertises da startup.

A rodada está sendo liderada pela Cadonau Investimentos, o investment office do Grupo Jereissati, dono do Iguatemi, e pela Astella Investimentos, que já investiu no seed money da Livance.

Seguem o aporte a Terracotta Ventures, um venture capital especializado no segmento de contrutechs e proptechs, o Green Rock, family office dos fundadores do laboratório Salomão Zoppi, e a Mago Capital, veículo de investimento de Gilberto Mautner e Claudio Gora, fundadores da Locaweb.

“Os investidores têm experiência em tecnologia, saúde e real estate”, diz ao NeoFeed Claudio Mifano, cofundador e CEO da Livance, que recebeu R$ 50 milhões desde que a startup foi fundada, em 2017, em conjunto com o médico oftalmologista Fabio Soccol e o engenheiro Gustavo Machado.

A Livance oferece a profissionais de saúde, por meio de uma assinatura de R$ 236, acesso a uma plataforma que permite a gestão das consultas via site ou aplicativo. O pacote prevê ainda um website com URL personalizada e sistema de agendamento de consultas, bem como números de telefone e WhatsApp para atendimento exclusivo.

Os profissionais de saúde, que podem ser a médicos, nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos, pagam ainda um valor variável em razão do uso dos consultórios no modelo de pay-per-use: o valor é de até R$ 1 por minuto dedicado às consultas.

Atualmente, a Livance conta uma rede com nove unidades, cada uma delas com, em média, 18 consultórios. Oito delas estão localizadas na Grande São Paulo e uma em Campinas.

A startup conta com 85 funcionários e já conquistou mais de 2 mil profissionais de cerca de 40 especialidades médicas e da área da saúde. Mais de 52% dos profissionais que têm seus consultórios na Livance atendem em ao menos duas unidades e 26%, em ao menos três.

Com os recursos, a Livance vai investir em novas unidades. O plano é chegar a 20 em até 24 meses, assim como ter as primeiras instalações fora do Estado de São Paulo. Rio de Janeiro e de Belo Horizonte são as cidades candidatas a receber essas unidades. O número de funcionários deve saltar para 300.

Os fundadores da Livance (da esq. a dir.): Gustavo Machado, Fábio Soccol e Claudio Mifano

Os investimentos devem também ser usados no desenvolvimento da tecnologia. “A Livance não funciona sem tecnologia”, diz Mifano. A plataforma tecnológica foi toda desenvolvida em casa.

Um médico que assina a Livance, por exemplo, passa a ter toda a sua agenda centralizada, além de contar com secretárias que fazem um atendimento personalizado.

Os pacientes que marcam a consulta usam totens na unidade para fazer o check-in antes do atendimento. Os médicos pagam as salas pelo tempo que as usam em uma consulta. Ao fim do atendimento, o paciente faz o pagamento no totem.

“O mundo está caminhando cada vez mais para esse lado de flexibilidade”, diz Pedro Jereissati, CEO do grupo Jereisssati e que comanda a Cadonau Investimentos. “A Livance tem um modelo super vencedor, principalmente para aquele médico que está começando a carreira.”

A Cadonau, explica Jereissati, busca oportunidades de negócios que podem receber recursos tanto da família, como do Iguatemi. No fim, acaba sendo um misto de um family office com um corporate venture capital. “A nossa cabeça é de longo prazo”, diz Jereissati. “Queremos participar agora de negócios que daqui a 10 anos e 15 anos serão grandes.”

Atualmente, além da Livance, a Cadonau investiu na clínica de saúde Sim, na startup de alimentos saudáveis Liv Up e na Infracommerce – nesta Jereissati comanda o conselho de administração.

Do mercado financeiro às startups

Mifano fez carreira no mercado financeiro antes de resolver empreender. Ele trabalhou por 13 anos na gestora Claritas, de onde saiu como sócio. Resolveu mudar a carreira e foi passar um ano estudando na Universidade Stanford, nos Estados Unidos. “Fui com mochila nas costas e com a mente aberta”, relembra ele.

Lá, conheceu Gustavo Machado e decidiram empreender juntos. No período em que estudavam, chegaram até a desenvolver um projeto na área de real estate. Mas o médico oftalmologista Fabio Soccol, amigo de Machado, se uniu à dupla e eles começaram a estudar outras ideias.

Soccol havia criado uma plataforma de agendamento de consultas que não tinha dado certo no passado. Foi então que os três resolveram pensar em um projeto que unisse real estate, tecnologia e saúde.

Antes de fundar a Livance, eles usaram o consultório de Soccol para desenvolver um MVP (minimum viable product). Ao longo da jornada, entrevistaram mais de 150 médicos para tentar entender suas dores. A primeira unidade foi inaugurada em 2017, mais de um ano depois de o trio se unir e começar a pesquisar o que fazer.

Questionado se a Livance é inspirada em algum modelo internacional, Mifano diz que não. Ele afirma que, nos Estados Unidos, a startup Alma, fundada em 2018, tem um modelo semelhante, mas voltado exclusivamente a psicólogos e sem a camada de tecnologia da Livance.

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