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Na adversidade, que CEO você é: cenoura, ovo ou café?

Em um curso online, James Leath, que atuou como coach do time de basquete do Chicago Bulls, fez essa pergunta. A resposta pode ajudar você a ser um executivo melhor para liderar sua equipe

 

Pandemia é um misto de tudo: conversa consigo mesmo, reflexões sobre o futuro e decisões sobre o que fazer agora. Como a grande maioria, meu começo foi bem difícil.

Eu, que estava acostumado a fazer minhas sessões de coaching presencialmente, tive que me adaptar para esse modo remoto. As primeiras conversas também tinham um tom sombrio. Meus clientes CEOs e empresários traziam um misto de surpresa, ansiedade e incertezas.

Trazer alguma luz para eles era minha tentativa. Procurávamos olhar as questões sobre diferentes abordagens e, depois de cuidar do caixa, refletir sobre as melhores opções para vencer e convencer acionistas e colaboradores das decisões tomadas.

Mas, para ajudar mais eles, procurei me ajudar. Convencido que o esporte de alto rendimento e o topo do mundo corporativo têm muita similaridade encontrei um curso online com James Leath, que atuou como coach do time de basquete do Chicago Bulls e com ampla experiência em potencializar competências emocionais de atletas de alta performance.

Em uma das lives dos módulos deste curso, James trouxe uma reflexão interessante. Ele perguntou aos participantes que estado uma cenoura, um ovo e grãos de café ficam após 20 minutos de água fervente.

Depois de muitas brincadeiras, e eu pensando que era pegadinha, ele deu as respostas. A cenoura depois de um tempo na água fervente fica toda murcha. O ovo cozinha e endurece. Já os grãos de café, além de manterem seu estado natural, influenciam ao seu redor com seu aroma.

Reações à parte, James fez um link sobre como os diferentes perfis de atletas reagem na adversidade. Como acredito que um CEO nada mais é do que um atleta corporativo e, com raras  exceções, a Covid trouxe um mar turbulento, fiquei pensando em como utilizar essa analogia para ajudar meus clientes a serem mais café e menos cenoura e ovo.

Nessa caminhada de provocações para mudanças de estado mental fui colecionando aprendizados.

1) É preciso ativar a consciência de como está se comportando. No começo, percebi muitos CEOs oscilando entre os perfis cenoura e ovo: ou muito depressivos pois seus planos de M&A e expansão caíram por terra, ou com voracidade por cortes e demissões, que me impressionava. Através de perguntas, possibilitamos uma autoavaliação e reflexão de como estamos reagindo.

2) Descobrir e falar do que está indo bem ajuda a trabalhar os maiores desafios. Quando você ativa o perfil cenoura ou ovo, fica bem difícil reconhecer que, mesmo nessa situação, muita coisa está dando certo. Conseguir reconhecer exemplos concretos, desde a equação do caixa, o home office funcionado ou ampliação do e-commerce em tempo recorde, ajudam a liberar energia para tratarmos os desafios mais difíceis.

3) Líderes seniores são muito mais observados do que acreditam. Procuro reforçar que as pessoas olham muito mais os CEOs do que eles pensam. Percebem o tom de voz, as expressões faciais e até se ele está se cuidando. Por isso, quando transmitimos energia, bom humor, disposição e direção, contaminamos positivamente todos ao nosso redor. E aí é que o perfil café gera grande impacto.

4) É quase impossível estar café o tempo todo. A ideia aqui não é projetar o CEO ideal, aquele que acorda e dorme feliz todos os dias, minuto a minuto. Oscilações entre esses perfis são naturais, pois a própria vida é feita de altos e baixos. A ideia é trazer consciência de como você está operando no momento e assim descobrir a melhor forma para ir ao perfil desejado.

Recentemente, conversei com um CEO que claramente assumia um perfil ovo, mas exigia que seu time fosse mais café. É quase como querer ganhar na Mega-Sena sozinho sem apostar.

Se queremos algo do time, temos que ser os primeiros a entregar esse comportamento. Depois que ele reconheceu isso, trabalhamos em identificar instrumentos que o deixariam mais positivo e com mais energia em influenciar positivamente os outros.

No caso dele, o que funcionou foi uma mistura de mais exercício físico, meditação, leituras interessantes fora do negócio e fazer mentorias para jovens empreendedores de startups. Foi muito interessante como ele descobriu seu papel e reconhecimento nesses encontros. Se ele saía tão animado deles, por que não replicar suas interações na empresa com o mesmo tom?

Na adversidade extrema, os caminhos mais óbvios são murchar ou endurecer. Mas quem realmente consegue deixar seu time mais forte é quem influência, provoca, desafia, reconhece e agradece. E com um time mais forte, as chances de ganhar o jogo aumentam.

Quem sabe você pode fazer uma reflexão de que papel tem assumido como líder nesse momento? Mais café, menos ovo e cenoura é uma receita nutritiva para a empresa, seu time e, lógico, você.

*Sergio Chaia atua como coach. Foi chairman da Óticas Carol e CEO da Nextel. Atua como vice-presidente do Conselho da Ourolac, investida pelo Bradesco, e é também conselheiro e educador do Instituto Ser + , uma ONG voltada à recuperação de jovens em situação social de risco preparando sua inserção no mercado de trabalho. Autor do livro “Será que é possível?”

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