Na Bemobi, uma mudança de patamar e um “animal completamente diferente”

Em relatórios, analistas da XP e do BTG Pactual destacam o balanço sólido da empresa de aplicativos, puxado, especialmente, pela estratégia da companhia para diversificar sua oferta

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A operação internacional já representa 48,4% da receita total da Bemobi

Parte do grupo de empresas de tecnologia que acessou a bolsa de valores brasileira desde novembro de 2020, a Bemobi abriu capital em fevereiro de 2021, quando levantou R$ 1,2 bilhão, sendo pouco mais de R$ 1 bilhão em sua oferta primária.

Depois de chegar à B3, a empresa, que distribui e extrai sua receita de aplicativos, passou a integrar, nos últimos meses, uma outra lista: a das companhias do setor cujas ações estão em franca queda no mercado de capitais, diante do menor apetite por ativos com perfil de alto crescimento.

Entretanto, na noite da última quarta-feira, 16 de março, ao divulgar seu resultado referente ao quarto trimestre e ao ano consolidado de 2021, a companhia deu sinais de que pode reverter esse quadro. Essa é justamente a visão da XP que, em relatório, destacou a “mudança de patamar” da Bemobi.

“A Bemobi reportou resultados sólidos no quarto trimestre de 2021, ligeiramente acima das nossas estimativas, que já incorporavam um cenário otimista”, escreveram os analistas Bernardo Guttmann e Marco Nardini, da XP.

Entre os indicadores destacados pela dupla no período estão os crescimentos de 102,3% em receita líquida, para R$ 128,1 milhões, e de 61% no Ebitda ajustado, para R$ 42,4 milhões.

Além dos números, o relatório ressaltou o fato de esse ter sido o primeiro balanço a consolidar, integralmente, números da chilena Tiaxa e da brasileira M4U, empresas compradas pela Bemobi em agosto do ano passado.

“O crescimento inorgânico mudou o patamar da companhia ampliando de forma consistente o portfólio de soluções em microfinanças e soluções de pagamento digital”, afirmaram os analistas, destacando ainda a boa execução da estratégia de diversificação de serviços e receitas da empresa.

O BTG Pactual também chamou atenção para essa frente ao destacar que a Bemobi é um “animal completamente diferente” do que era há um ano, quando os jogos e aplicativos representavam mais de 70% da receita. Agora, essa fatia é de 39%.

Para os analistas Carlos Sequeira e Osni Carfi, do BTG Pactual, tais números mostram uma “diversificação saudável”. “É ótimo ver que a Bemobi agora é menos dependente do segmento de jogos”, escreveram.

Na visão da XP, outro ponto positivo são as operações internacionais da Bemobi, que alcançaram no período uma participação de 48,4% da receita líquida da empresa.

Esse mapa de operações fora do Brasil inclui uma estrutura com 35 funcionários na Ucrânia. O país e seu entorno respondem por cerca de 5% da receita da Bemobi e a empresa informou que parte dessa equipe já deixou a região, o que não afetou, até o momento, a oferta dos serviços a partir da unidade.

Diante desse quadro, os analistas da XP veem a Bemobi “extremamente barata” na comparação com seus pares de tecnologia no mercado brasileiro. Com recomendação de compra para o papel, a dupla tem preço-alvo para a ação de R$ 35 no fim de 2022.

Os analistas do BTG Pactual também recomendam a compra do papel e têm preço-alvo de R$ 30 para a ação.

Até aqui, a reação do mercado ao resultado da empresa, avaliada em R$ 1,3 bilhão, tem sido positiva. As ações estavam sendo negociadas com alta de 4,24% por volta das 15h na B3, cotadas a R$ 14,50.

Levando-se em conta o preço de fechamento no pregão de ontem, as ações da Bemobi acumulam uma desvalorização de 8,6% no ano e um recuo de 36,7% sobre o preço fixado no IPO da companhia.

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