No cardápio do BofA, JBS e Marfrig são as escolhidas

Em relatório sobre os ativos brasileiros do setor, o Bank of America recomenda a compra dos papéis dos dois frigoríficos, enquanto mantém classificação neutra para a BRF e o Minerva

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Um 2021 marcado por fortes e sólidos níveis de exportações, especialmente nos segmentos de frangos e suínos. E pelos impactos, verificados no quarto trimestre, nos volumes de carne bovina, em função da proibição dos embarques para a China.

Partindo desse contexto, o Bank of America divulgou nesta terça-feira um relatório com um balanço das empresas brasileiras de proteínas no ano passado e as perspectivas para 2022. E, na largada do ano, já escolheu seus ativos preferidos no setor.

Em linha com o que foi observado em 2021, o banco manteve a recomendação de compra para as ações da JBS e da Marfrig, com preços-alvos, respectivamente, de R$ 70 e R$ 34. Atualmente, a cotação dos papéis das duas companhias está no patamar de R$ 36 e R$ 21.

Ao mesmo tempo, os analistas Isabella Simonato, Guilherme Palhares e Fernando Olvera mantiveram a recomendação neutra para os papéis da BRF e da Minerva, com preços-alvos de R$ 27 e R$ 13,50, respectivamente, contra os valores atuais nas faixas de R$ 23 e R$ 10.

Como pano de fundo dessas análises, o trio traçou um panorama sobre cada segmento do mercado. Um dos destaques foi o crescimento de 8% nos volumes de frango, apesar da redução nas importações por parte de mercados asiáticos como China, Cingapura e Coreia do Sul.

“Entretanto, as exportações para o México, Emirados Árabes Unidos, África do Sul e Chile mais do que compensaram esse recuo, adicionando diversificação à pauta”, escreveram os analistas do Bank of America.

Além de também ressaltar o desempenho e os volumes em carnes suínas, os analistas observaram que as expectativas são de mais um ano positivo para as exportações no segmento, mesmo diante da forte base de comparação registrada em 2021.

Já nas carnes bovinas, o relatório também traz uma visão mais otimista, após uma queda de 9% nos volumes de exportações em 2021 e de um recuo de 15% nos preços em outubro, na sequência do embargo chinês.

“Esperamos que os volumes se recuperem em 2022, dadas as perspectivas construtivas para a demanda chinesa, à medida que os consumidores troquem a carne suína pela bovina”, afirmaram os analistas do Bank of America.

Essa expectativa mais positiva encontra subsídios nos números contabilizados logo após o fim da suspensão dos embarques para a China, em meados de dezembro. No mesmo mês, os volumes mostraram o início de uma recuperação, com um salto de 51% sobre novembro.

Nesse cenário, a avaliação sobre a JBS inclui upside risks como a manutenção das margens da carne bovina acima dos níveis históricos nos Estados Unidos; uma melhora acima do esperado nas exportações e no consumo doméstico da proteína; e preços mais elevados do frango no Brasil e no mercado americano.

Em contrapartida, as possíveis questões negativas no horizonte da companhia envolvem uma aceleração no fornecimento global de aves e a recuperação acima das expectativas nos preços dos grãos, entre outros fatores.

Na Marfrig, os potenciais ganhos passam por frentes como maior geração de fluxo de caixa livre e melhora nas margens da carne bovina brasileira. Na contramão, a valorização do real e possíveis impactos nas exportações de carne bovina em função da Covid-19 estão entre os downside risks.

A análise da BRF, por sua vez, compreende riscos de baixa como o crescimento da receita líquida inferior ao esperado no mercado doméstico, a elevação do preço dos grão em função do clima desfavorável e a possibilidade de a Marfrig acionar a poison pill para adquirir a fatia restante de 67% da operação.

No lado positivo, o cenário inclui um turnaround mais rápido da operação e a execução bem-sucedida do plano de crescimento de longo prazo da companhia.

Já na Minerva, uma forte recuperação nos preços da carne bovina no mercado interno e uma queda adicional nos preços do gado estão entre os potenciais pontos positivos. Enquanto os downside risks estão associados a questões como exportações mais fracas, especialmente para a China, e riscos sanitários.

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