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O TikTok está na mira do governo americano e pode ser banido dos EUA

Em mais um capítulo da ofensiva do presidente Donald Trump contra empresas chinesas, Mike Pompeo, secretário de Estado dos Estados Unidos, afirmou que o governo americano avalia banir a rede social e outros aplicativos chineses no país

 

Ao atrair mais de dois bilhões de usuários, a rede social chinesa de vídeos curtos TikTok se consolidou como uma ameaça real a nomes como Facebook, Instagram e YouTube. Depois de despertar a atenção da concorrência, o aplicativo parece ter encontrado, definitivamente, outro grande rival: o governo americano.

O sinal de que o cenário é, de fato, pouco amistoso para o serviço foi dado por Mike Pompeo, secretário de Estado dos Estados Unidos. Entre outras considerações, ele afirmou que o governo está avaliando proibir o TikTok e outros aplicativos de redes sociais chinesas no país.

“Estamos levando esse assunto muito a sério e certamente estamos olhando para essa questão”, disse Pompeo, em entrevista concedida à rede Fox News. Ele acrescentou que os americanos só devem baixar o aplicativo “se quiserem ter suas informações privadas nas mãos do Partido Comunista Chinês.”

Coincidência ou não, um dos rivais do TikTok teve bom desempenho no pregão da Nasdaq de hoje, após a entrevista. As ações da Snap fecharam em alta de 5,94%. No decorrer da terça-feira, o preço dos papéis chegou a subir mais de 8%. Facebook e Twitter, por sua vez, fecharam o dia com valorizações mais modestas, de 0,24% e 2,01%, respectivamente.

À parte do mercado de capitais, a intenção declarada por Pompeo é mais um capítulo da ofensiva liderada pelo presidente Donald Trump contra as empresas chinesas de tecnologia, dentro do contexto mais amplo das tensões na disputa comercial entre os dois países.

Depois de mirar companhias como ZTE e, principalmente, Huawei, Trump e companhia estenderam o embate ao TikTok a partir do fim de 2019, à medida que o aplicativo foi ficando popular entre os americanos. Entre outros argumentos, o governo americano alega justamente o risco de que os dados dos usuários sejam acessados pelo governo chinês.

Controlado pelo grupo ByteDance, sediado em Pequim, o TikTok adotou algumas medidas para reduzir essa desconfiança. Em maio, por exemplo, contratou o americano Kevin Mayer, um ex-executivo da Disney, como CEO.

O serviço também ressalta que, além de Mayer, centenas de funcionários e executivos de áreas como segurança e produto da operação são dos Estados Unidos. Assim como os dados dos usuários americanos são armazenados no país e que todos os seus data centers estão fora da China. Mas o esforço, ao que tudo indica, tem sido em vão.

Nesse cenário, outros fatores com certeza têm contribuído para colocar o TikTok na berlinda do governo americano. O aplicativo foi usado, por exemplo, para sabotar o primeiro comício da campanha da reeleição de Trump, realizado em Tulsa, no estado de Oklahoma, em 20 de junho.

No caso em questão, um grupo de usuários da rede social se reuniu para confirmar presença no evento. A mobilização criou grande expectativa na equipe de Trump, o que levou o presidente, inclusive, a se gabar no Twitter.

No dia do comício, porém, pouco mais de 6 mil pessoas compareceram. E a imagem dos clarões entre a audiência rodaram o mundo. Nos dias que sucederam o evento, outros usuários passaram a adotar o TikTok para criar e colocar em prática iniciativas para minar a campanha de reeleição do presidente americano.

Em outras fronteiras

O mercado americano não é, no entanto, o único no qual o TikTok e outros serviços chineses estão encontrando barreiras. Na semana passada, 59 aplicativos do país, entre eles, o próprio TikTok e também o WeChat, foram proibidos na Índia.

Segundo comunicado do Ministério da Tecnologia da Informação indiano, esses aplicativos são “prejudiciais à soberania, integridade e defesa da Índia, à segurança do Estados e à ordem pública.”

Ao mesmo tempo, o TikTok anunciou nesta terça-feira que planeja deixar de operar em Hong Kong, diante da nova e controversa lei de segurança sancionada pelo governo chinês, que, na prática, restringe ainda mais a já relativa autonomia no mercado local.

Até então, as plataformas e redes sociais estrangeiras operavam livremente em Hong Kong, em um contraponto a China, onde esses serviços geralmente são proibidos. Mesmo sendo parte de uma empresa chinesa, o TikTok se encaixa nesse grupo, já que o aplicativo opera apenas fora da China continental.

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