Os dois lados da Covid-19 na área de seguros do Bradesco

O Bradesco teve perdas por conta da pandemia, mas enxerga uma mudança no comportamento dos consumidores que abre espaço para um maior crescimento nos próximos meses: maior peso dado à saúde e a ampliação da digitalização

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É fato que nenhuma empresa ficou imune aos efeitos dos 17 meses vividos sob a influência da Covid-19. Mas, sem desconsiderar os impactos negativos desse período, já há quem enxergue alguns elementos trazidos pela própria pandemia que irão influenciar decisivamente seus negócios.

Esse é o caso do Bradesco e, mais especificamente, da Bradesco Seguros. À espera do dia em que o novo coronavírus estiver sob controle, o banco já identifica algumas das tendências que irão contribuir para a recuperação do seu braço de seguros.

“A pandemia trouxe a lição de que as pessoas precisam ter seguro de vida, de saúde, e protegerem suas famílias e funcionários”, afirmou Octavio de Lazari Jr., CEO do Bradesco, em teleconferência com analistas nesta quarta-feira. “Isso é um indutor de maior faturamento e um pouco do quadro que leva a perspectiva de um crescimento expressivo da seguradora nos próximos trimestres.”

Além dessa mudança de abordagem do consumidor no que diz respeito a uma maior preocupação com a saúde, o executivo ressaltou outro aspecto intensificado com a pandemia e cujos reflexos foram observados na própria operação da seguradora.

“Nós entramos muito forte no mundo digital, na seguradora”, afirmou Lazari. “Já vendemos mais de 1 milhão de itens nesse semestre, só no digital, gerando um faturamento de prêmio de seguros adicional de R$ 700 milhões.”

Outros números reforçam a relevância dos canais digitais para a operação. No primeiro semestre, as vendas via dispositivos móveis cresceram 164% na comparação com um ano antes. No período, as vendas de previdência privada e de seguros automotivos avançaram, respectivamente, 91% e 77%.

Além de trazerem expectativas positivas para o futuro, essas duas questões foram os pontos positivos em meio aos números contabilizados pela seguradora no segundo trimestre, justamente ainda sob os efeitos da Covid-19.

No período, o resultado da área registrou uma queda de 58,3%, para R$ 1,57 bilhão. Entre abril e junho, o lucro líquido da operação ficou em R$ 655 milhões, 51,8% inferior a um ano antes.

No primeiro semestre, por sua vez, o resultado recuou 29,8%, para R$ 4,71 bilhões. Nesse intervalo, o lucro da operação representou uma fatia de 17,8% do lucro do Bradesco, contra a contribuição de 33%, há um ano.

Com esses indicadores, o Bradesco revisou o guidance da seguradora para 2021. O banco projeta agora uma queda entre 15% e 20% para esse braço, frente a uma previsão anterior de crescimento entre 2% e 6%.

“Tivemos um trimestre extremamente ofensivo para os números da seguradora em função da sinistralidade da Covid”, disse Lazari. “Mas a vacinação vem acelerando e nós entendemos que o pior já passou com relação a esses gastos. As despesas deixam de existir e esse resultado volta”

Ao destacar que os números desse trimestre já mostram uma retomada, Lazari acrescentou. “A partir do terceiro trimestre, a seguradora volta a ter uma participação de 15%, 20%, 25% até 30% no resultado do banco”, afirmou. “O pior disso são as mais de 525 mil mortes no Brasil. A despesa já aconteceu. É coisa do passado.”

Resultado

Entre abril e junho, o Bradesco reportou um lucro líquido recorrente de R$ 6,3 bilhões, um crescimento de 63,2%. No primeiro semestre, o lucro líquido recorrente cresceu 68,3%, para R$ 12,8 bilhões.

A receita de prestação de serviços no período foi de R$ 8,4 bilhões, o que representou um salto de 10,3% em relação ao segundo trimestre de 2020. A margem financeira ficou em R$ 15,7 bilhões, alta de 1% na mesma base de comparação.

No trimestre, a carteira de crédito expandida somou R$ 726,5 bilhões, um crescimento de 9,9% quando comparado a igual período, um ano antes. O banco destacou a expansão de 20,7% da carteira de pessoas físicas, para R$ 282,1 bilhões, sob o impulso das operações de financiamento imobiliário, cartão de crédito e crédito consignado.

Já na carteira de pessoas jurídicas, que ficou em R$ 264,3 bilhões, o destaque ficou com as pequenas e médias empresas, que registraram um avanço de 28,7% na comparação anual.

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