Por que saída de Ferreira Júnior não abala ações da Vibra Energia

Papéis da distribuidora de combustíveis reagem ao fim do mistério sobre futuro do agora ex-CEO da companhia, junto com a impressão de que melhorias na empresa não serão abaladas

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Wilson Ferreira Júnior – Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O anúncio de que Wilson Ferreira Júnior vai deixar o cargo de CEO da Vibra não produziu o efeito que esse tipo de notícia normalmente teria sobre ações. Em vez de derrubar os papéis, as ações da ex-BR Distribuidora estão subindo nesta quarta-feira, dia 20 de julho. 

Por volta das 15h55, as ações da Vibra registravam alta de 5,64%, a R$ 17,04, levando o valor de mercado da empresa a R$ 19,5 bilhões. No ano, elas acumulam queda de 20,4%. 

Um dos motivos para que a ação não esteja caindo é que a saída de Ferreira Júnior da Vibra já estava sendo especulada desde que ocorreu a capitalização de R$ 33,7 bilhões da Eletrobras, no começo de junho, que reduziu a participação da União para abaixo de 35%. 

Os investidores já vinham avaliando que ocorreria uma “dança das cadeiras” no setor elétrico após a capitalização, com o futuro de Ferreira Júnior sendo um dos mais especulados, ainda mais pelo fato de ter comandado uma elogiada reestruturação na Eletrobras durante os quase cinco anos em que esteve na cadeira de CEO da então estatal.

A impressão de “dança das cadeiras” ganhou ainda mais força com a saída de Raimundo Nonato do cargo de CEO da Light, no final de junho, segundo Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos.

“O anúncio tira um peso, um overhang, sobre as ações da Vibra”, diz ele. “A partir do momento que o mercado começou a ver troca de cadeiras, acho que começou-se a precificar de alguma forma essa mudança na Vibra.”

Outro fator que está ajudando o desempenho das ações da Vibra é a impressão dos investidores de que o bom trabalho promovido por Ferreira Júnior não será desfeito em um próximo mandato. 

Ele assumiu o cargo de CEO em março de 2021 e foi o responsável por realizar a transição da Vibra de um apêndice da Petrobras que atuava na distribuição de derivados de petróleo para uma companhia que também atua com fontes renováveis.

Durante seu comando, a Vibra viu seu faturamento crescer em mais de 30%, alcançando R$ 38,4 bilhões no primeiro trimestre, contando com mais de 18 mil clientes corporativos, além de uma rede de 8,3 mil postos de combustíveis pode onde passam, mensalmente, 30 milhões de consumidores. 

Além disso, em menos de um ano, costurou uma série de joint ventures e parcerias para marcar sua entrada ou estender sua atuação em novos segmentos. Isso inclui a aquisição de 50% da comercializadora de energia elétrica Comerc, a joint venture com a Copersucar em etanol e uma parceria com Zeg Biogás para produzir biometano. 

Para os analistas do Citi, a diretoria da Vibra possui bastante experiência e deve manter a estratégia de longo prazo desenhada para a companhia, inclusive com nomes que podem substituir Ferreira Júnior. 

“Vale destacar que a maior parte dos resultados operacionais vem da área de distribuição de combustíveis, na qual a Vibra conta com um time bastante experiente, capaz de prover continuidade e bons resultados”, diz trecho do relatório enviado aos clientes.

Ainda nessa linha, a Vibra montou em abril um conselho de administração com pessoas com anos de experiência no setor corporativo. Entre eles estão Sergio Rial, ex-CEO do Santander; Walter Schalka, CEO da Suzano; e Nildemar Secches, ex-CEO da Perdigão. 

Em entrevista ao NeoFeed, o próprio Ferreira Júnior reconheceu que essa equipe seria fundamental para o futuro da Vibra, “Precisávamos de um time para compartilhar responsabilidade, risco e decisão nesse segundo turno da jornada da companhia”, disse ele, em referência ao fim da participação da Petrobras no capital da empresa. Em julho do ano passado, a estatal vendeu o restante de sua posição em um follow on de R$ 11,3 bilhões. 

Nem todo mundo ficou tranquilo com a saída de Ferreira Júnior da Vibra. Para os analistas do Goldman Sachs e do Credit Suisse, a notícia é negativa, por entenderem que o trabalho na transição da companhia em direção a matrizes renováveis ainda está incompleto. 

Eletrobras

O destino de Ferreira Júnior não foi confirmado oficialmente, mas a expectativa é de que ele, de fato, vá para a Eletrobras. De acordo com informações que saíram ao longo do dia, ele deve voltar ao comando da antiga estatal. Seu retorno vem sendo costurado nos bastidores pelos principais acionistas da estatal.

O executivo foi CEO da Eletrobras por quase cinco anos e foi responsável por comandar uma grande reestruturação da companhia, melhorando as condições financeiras da empresa – a Eletrobras foi uma das empresas que mais sofreu com a Medida Provisória 579, que reorganizou o setor elétrico brasileiro e resultou em perdas da ordem de R$ 10 bilhões. 

Para Arbetman, da Ativa Investimentos, se Ferreira Júnior for para a Eletrobras, será um desafio que estará a sua altura, por já conhecer a empresa, por ter experiência em administrar grandes companhias e pela liberdade que agora terá para promover mudanças então dificultadas pela mão pesada da União. “O Wilson é um cara de trajetória, que gosta de pegar histórias grandes, de estar a frente de cases transformadores”, afirma.

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