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Sai a Coca-Cola e entra o vinho na Casa Branca

Donald Trump preferia o refrigerante que é um símbolo dos EUA. Barack Obama era fã de cerveja. Já Joe Biden se diz abstêmio. Mas sua vice-presidente, Kamala Harris, não dispensa um bom rótulo da Califórnia, principal região produtora do país e sua base eleitoral

 

Kamala Harris, a vice-presidente eleita dos EUA

Depois de um presidente que prefere a Coca-Cola, como Donald Trump, e outro que era fã da cerveja, como Barack Obama, o vinho pode ganhar protagonismo na Casa Branca, a sede do governo dos Estados Unidos.

O presidente eleito Joe Biden já se declarou abstêmio, mas a sua vice, Kamala Harris, não nega a sua preferência pelos vinhos californianos.

Kamala é membra de um clube de vinho local, o Rock Wall Wine Co, que pertence a vinícola urbana de mesmo nome, localizada em um antigo hangar de avião em Alameda, na Califórnia, segundo o jornal San Francisco Chronicle.

No clube, Harris usa um pseudônimo e, durante a pandemia, conta a publicação, ela própria foi retirar os seus vinhos. Há informações que a chardonnay é a sua variedade favorita.

Essa preferência, no entanto, pode ter razões políticas. A futura vice-presidente defende o vinho não apenas em seus momentos de lazer. Kamala tem sua base eleitoral na Califórnia, região mais relevante para os vinhos do país, responsável por 80% de todos os brancos e tintos elaborados nos EUA e onde está localizada uma das mais importantes áreas produtoras do país, o Napa Valley.

Harris se tornou procuradora-geral em São Francisco em 2004. Seis anos depois, ela foi eleita procuradora-geral da Califórnia. Em 2016, foi eleita senadora por este estado. Quando assumiu como senadora, Kamala se tornou membra do Congressional Wine Caucus.

O grupo foi criado em 1999 para defender os interesses da comunidade vitivinícola junto aos senadores do país e realiza diversos encontros entre os políticos e os produtores, com o objetivo de “promover a vibrante indústria vinícola americana”.

A produção de vinhos é importante economicamente para a Califórnia. O setor reúne mais de 4 mil vinícolas e movimentou, no ano passado, US$ 43,6 bilhões com a venda de seus vinhos apenas no mercado interno. Em exportações, dos US$ 1,36 bilhão de vinhos americanos vendidos ao exterior no ano passado, 95% foram dos rótulos californianos.

Os Estados Unidos são o quarto maior produtor mundial de vinho, atrás apenas da França, Itália e Espanha. A produção vinícola na região começou no século 18, com os espanhóis, que precisavam de vinhos para as celebrações religiosas.

Mas foi apenas depois da década de 1960 que os produtores californianos começaram a focar na qualidade, apostando em variedades francesas (a cabernet sauvignon, nas tintas, e a chardonnay, nas brancas, são os maiores destaques).

Um fato importantíssimo para que os vinhos californianos conquistassem a imagem (e os preços) que têm hoje é conhecido como “O Julgamento de Paris”. Em 1976, o inglês Steven Spurrier, então dono de uma loja de vinhos em Paris, promoveu uma degustação às cegas entre alguns dos melhores rótulos franceses e os incipientes vinhos californianos.

Spurrier vinha acompanhando o aumento da qualidade dos vinhos californianos e decidiu colocar os vinhos a prova. Revelado os rótulos, os vencedores foram os californianos: o Château Montelena 1973, um 100% chardonnay, nos brancos; e o Stag’s Leap Wine Cellar 1972, um cabernet sauvignon, nos tintos.

Antes de conhecer os rótulos, os degustadores afirmavam que com aquela qualidade, estes vinhos só poderiam ser franceses. A história completa é narrada no livro “O Julgamento de Paris”, de George Taber, que tem o prefácio escrito por Robert Mondavi, o precursor dos vinhos de qualidade na Califórnia.

Os produtores californianos, eleitores de Kamala, certamente esperam que ela tenha um papel nos vinhos semelhante ao de Thomas Jefferson (1801-1809), o terceiro presidente do país. Embaixador da França antes de presidir o país, ele foi um entusiasta, principalmente, dos rótulos franceses, e formou uma das maiores (ou melhores) adegas americanas quando voltou ao país.

Uma das melhores histórias sobre Jefferson são de garrafas de vinho encontradas na década de 1980 e leiloadas pela Christie’s em 1985. Com as iniciais Th.J. gravadas no rótulo, acreditou-se que elas teriam pertencido a Jefferson.

Em um leilão, a garrafa do Château Lafite 1787, o vinho preferido de Jefferson, foi arrematada por US$ 156 mil, então o valor mais alto pago por um vinho. A questão é que investigações colocaram dúvidas sobre a procedência da garrafa e a maneira de gravar o vidro não existia na época de Jefferson. A história é narrada no delicioso livro “O vinho mais caro da História, de Benjamin Wallace.

Jefferson apreciava, principalmente, os vinhos de Bordeaux e da Borgonha. Mas, naquela época, ainda não havia a pujante indústria vinícola da Califórnia para defender.

Quando assumir o posto de vice-presidente, há de se perguntar qual será o posicionamento de Kamala sobre a sobretaxa que o presidente Trump colocou nos vinhos franceses.

Desde o fim do ano passado, estes vinhos pagam uma sobretaxa de 25% para entrar no mercado americano. Foi uma represaria na batalha comercial na produção de aviões, entre Boeing e a Airbus.  Os Estados Unidos são o maior mercado para o vinho francês e a taxa é reclamada pelos produtores europeus.

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