Negócios

Sem Boeing, Embraer foca no caixa para dar voos mais altos

Com o fim das negociações com a gigante americana, a fabricante brasileira foca na preservação de caixa e se diz bem posicionada para a recuperação da indústria de aviação no pós-crise

 

Boeing desistiu de fusão com Embraer. Negócio vai ser discutido em arbitragem

Dois dias depois de a Boeing anunciar o encerramento das negociações para a formação de uma joint venture com a Embraer, a fabricante brasileira começa a desenhar o seu plano de voo para os próximos meses.

De um lado, a companhia anunciou que irá buscar todos os meios possíveis para recuperar os danos provocados pelo fim das negociações com a Boeing. Segundo a empresa, o custo inicial estimado com o longo processo de negociação, iniciado há mais de dois anos, é de US$ 485,5 milhões.

“Nesse momento, há um processo de arbitragem em curso, mas não podemos dar mais detalhes”, afirmou Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer, em teleconferência realizada com analistas na manhã desta segunda-feira, 27 de abril.

Sob o impacto do cancelamento do negócio, as ações da Embraer abriram o pregão de hoje em queda de mais de 14%. A negociação do papel chegou a ser paralisada na B3. Por volta das 11h30, o recuo era de 14,3%.

À parte do fim da  negociação, a preservação de caixa é uma das prioridades da Embraer para reduzir os impactos não apenas da negociação frustrada, mas também da Covid-19.

Nessa direção, a empresa já identificou um potencial de redução de custos para o ano de cerca de US$ 1 bilhão. O montante passa por iniciativas como a renegociação com fornecedores e sindicatos, além da redução de salários dos executivos do alto escalão e do Conselho de Administração.

Segundo Antônio Carlos Garcia, vice-presidente financeiro e de relações com investidores, a empresa também já negocia uma linha adicional de crédito de até US$ 1 bilhão com bancos brasileiros e internacionais.

Ao mesmo tempo, a Embraer entende que está bem posicionada diante das perspectivas do setor de aviação pós-pandemia. Especialmente pela forte presença da fabricante no segmento de aviação regional.

“Nós acreditamos que os jatos regionais vão liderar a recuperação da indústria de aviação nos próximos trimestres”, afirmou Neto. “À medida que as companhias aéreas vão concentrar a retomada em rotas domésticas e regionais, que são nossos principais mercados.”

O executivo destacou ainda um fator no contexto da retomada. “A nossa exposição ao mercado americano é mais uma vantagem”, observou Gomes Neto. “As companhias aéreas americanas estão tendo mais acesso a um pacote amplo de resgate por parte do governo.”

“Nós acreditamos que os jatos regionais vão liderar a recuperação da indústria de aviação nos próximos trimestres”, diz Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer

Com a joint venture frustrada no segmento de aviação comercial, o executivo não quis comentar sobre eventuais negociações para o estabelecimento de novos acordos no segmento de aviação comercial. Hoje pela manhã, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que pode negociar a venda da operação com outra companhia.

“Primeiro, temos nossa lição de casa a fazer e isso demandará um bom tempo”, disse Neto. “Depois disso, vamos avaliar quais serão os próximos passos estratégicos no nosso negócio de aviação comercial.”

Em relatório, Myles Walton, analista do UBS, ressaltou que a perspectiva é de que a Embraer seja alvo do interesse de outras empresas do setor para uma possível fusão. Ele aponta, especialmente, a chinesa Comac, que “ainda inspira a uma posição de liderança aeroespacial global”.

Para ele, em um eventual acordo entre as duas empresas, a Embraer “traria tanto o talento para o design, quanto o desenvolvimento e a capacidade de uma rede global de serviços e suporte.”

A divisão de aviação comercial é o principal negócio da Embraer. Em 2019, a área reportou uma receita líquida de R$ 8,92 bilhões, o que representou 40,9% da receita líquida total da fabricante brasileira, de R$ 21,8 bilhões no ano. Apesar de um crescimento de 16% nesse último indicador, a companhia registrou um prejuízo de R$ 1,3 bilhão no período.

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