Spotify confirma boa trilha de 2020, mas desafina nas projeções

O serviço sueco de streaming fechou o ano com uma base de 155 milhões de assinantes pagos, além de avanços na oferta de podcasts e nos ganhos de publicidade com esse formato. Entretanto, o guidance conservador para 2021 desagradou Wall Street

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Spotify está avaliado em US$ 59 bilhões

Nesta quarta-feira, 3 de fevereiro, quando o Spotify divulgou seus resultados referentes ao ano de 2020, um indicador, em especial, soou como música aos ouvidos dos investidores: o forte crescimento reportado na base de assinantes pagos do serviço sueco de streaming.

No quarto trimestre, a companhia adicionou 11 milhões de usuários nessa modalidade, um crescimento anual de 24%, que resultou em um volume de 155 milhões de assinantes premium no ano, acima das expectativas dos analistas.

Já em termos de usuários mensais ativos, o serviço chegou a 345 milhões de “ouvintes”, alta de 27% na mesma base de comparação, sendo que a Europa respondeu por 35%, seguida por América do Norte, com 24%, e América Latina, com 22%. A receita líquida no ano, por sua vez, avançou mais de 16%, para € 7,88 bilhões.

Esses números coroam um ano no qual as ações do Spotify, avaliado em US$ 59 bilhões, acumularam uma valorização superior a 106%, muito em função das mudanças de comportamento na Covid-19.

Apesar das boas notícias, o Spotify não se mostrou, no fim das contas, muito afinado com Wall Street. As ações da empresa operam em queda de mais de 7% no pregão da Nasdaq nesta tarde. A razão por trás do recuo foram as projeções conservadoras divulgadas pela empresa para esse primeiro trimestre e o ano de 2021.

As dúvidas quanto à Covid-19 foram justamente um dos elementos centrais dessas projeções. Em conferência sobre os resultados, Daniel Ek, fundador e CEO do Spotify, afirmou que as mudanças de comportamento no período impulsionaram o número de assinantes na plataforma no segundo semestre de 2020, o que torna difícil prever se a empresa conseguirá repetir esse desempenho nesse ano.

Entre janeiro e março, a empresa espera alcançar uma base total de usuários mensais ativos entre 354 milhões e 364 milhões, e um volume de assinantes pagos entre 155 milhões e 158 milhões, com uma receita líquida variando entre € 1,99 bilhão e € 2,19 bilhões.

Já para o ano, o guidance envolve a faixa entre 407 milhões e 427 milhões de usuários ativos mensais; uma base entre 172 milhões e 184 milhões de assinantes premium; e uma receita total entre € 9 bilhões e € 9,4 bilhões. A empresa prevê ainda a manutenção do seu histórico de perdas, com um prejuízo entre € 200 milhões e € 300 milhões.

Podcasts

Uma das prioridades do Spotify em 2020 foi ampliar a oferta de conteúdos não musicais na plataforma, em especial, os podcasts, uma frente que traz mais potencial de ganhos em publicidade, mas na qual a empresa ainda está atrás do Apple Music, serviço da Apple.

Além da empresa da maçã, outra gigante que começa a reforçar sua aposta nesse espaço é a Amazon que, no início do ano, anunciou a aquisição da Wondery, startup de podcasts, em um acordo que movimentou mais de US$ 300 milhões, segundo o The Wall Street Journal.

O Spotify também apresentou avanços na área. Entre outubro e dezembro, as receitas de publicidade cresceram mais de 29%, para € 281 milhões. Entre outros fatores, a empresa destacou que houve um crescimento de 50% no número de anunciantes nos podcasts da plataforma, em relação ao terceiro trimestre.

Outro fator ressaltado foi um engajamento de 25% do total de usuários mensais ativos com esses formatos no quarto trimestre, contra uma fatia de 22% no trimestre anterior. Nessa mesma base de comparação, o Spotify saiu de uma oferta de 1,9 milhão de podcasts, entre julho e setembro, para 2,2 milhões de podcasts no fim de 2020.

No ano, um dos movimentos destacados pelo Spotify foi a adição do “The Joe Rogan Experience”, do comediante Joe Rogan, que chegou ao serviço em setembro e, três meses depois, fechou um acordo de exclusividade com a plataforma de streaming.

Além dessas iniciativas, a empresa também tem investido em sua expansão internacional. Depois do lançamento recente na Índia e na Rússia, no início desta semana, a plataforma passou a estar disponível também no mercado sul-coreano.

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