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Um “cheque em branco” traz a Playboy de volta à bolsa

A Playboy entrou na onda das SPACs (Special Purpose Acquisition Company) e fez uma joint venture com a Mountain Crest Acquisition que vai marcar seu retorno ao mercado de capitais em 2021. Empresa abandonou as famosas revistas para apostar em e-commerce e licenciamentos

 

Playboy teve suas ações negociadas na bolsa por 39 anos

A Playboy vai voltar a mostrar todos os seus dados financeiros “sem censura”. A companhia que ficou famosa pela publicação da revista masculina homônima vai retornar à bolsa de valores depois de uma década privada.

A reestreia da marca na bolsa de valores acontece mediante uma joint venture com uma SPAC (Special Purpose Acquisition Company), companhias conhecidas também como “cheque em branco”.

A Mountain Crest Acquisition concordou em desembolsar US$ 381 milhões para fechar negócio. Neste valor, está incluído US$ 142 milhões de dívida líquida da Playboy.

Uma SPAC capta recursos no mercado de capitais para fazer aquisições no prazo de até dois anos. Os investidores apostam sem saber qual a empresa a ser comprada até que o negócio se concretize – daí o termo “cheque em branco”.

Em comunicado oficial, o CEO da Playboy, Ben Kohn, disse que a transação vai colocar no caixa da empresa US$ 100 milhões, dinheiro suficiente para expandir o atual e-commerce da marca, que vende roupas e produtos íntimos. “Esse capital vai realmente permitir que aceleremos nosso crescimento”, assinalou Kohn.  

Desde a morte de seu fundador, Hugh Hefner, aos 91 anos, em 2017, a Playboy tem buscado linhas alternativas de negócios, apostando em licenciamento e outros acordos comerciais. 

No começo deste ano, a empresa encerrou de vez a publicação de sua icônica revista, colocando um ponto final nos quase 70 anos de história. Em fevereiro, a companhia adquiriu a marca de roupa e acessórios adultos Yandy.com por um valor não divulgado.

A estratégia era se aproveitar da longa lista de clientes existentes e da infraestrutura de entregas. O negócio ajudou a alavancar a receita anual da Playboy, que deve crescer 68% em 2020, sem especificar a cifra exata.

Paralelamente, a empresa tem US$ 400 milhões em contratos que garantem fluxo de caixa até 2029, de acordo com reportagem do Business Insider.

Mesmo diante da novidade, a empresa de private equity Rizvi Traverse vai continuar no controle da empresa. O fundo tem 66% das ações da marca, sendo que uma parcela foi adquirida em 2011, quando a Playboy fechou seu capital, e outros 35% foram comprados por US$ 35 milhões, em 2018, diretamente da família Hefner.

A expectativa é que os papéis da marca sejam listados na Nasdaq no primeiro trimestre de 2021, sob o tíquete PLBY. 

A Playboy era uma veterana na bolsa, onde teve suas ações negociadas por 39 anos. Até que, em 2011, Hugh Hefner aceitou uma oferta de US$ 207 milhões para voltar a ser uma empresa privada. 

Na época, o acordo foi considerado como uma espécie de “tiro de misericórdia”, já que o império de conteúdo adulto viu suas ações despencarem 82% desde que atingiu seu pico, em 1999, quando cada papel valia US$ 33,44. Para fechar o capital, Hefner pagou US$ 6,15 por ação.

Onda de SPACs

Segundo o Goldman Sachs, mais de 50 ofertas de SPACs já foram realizadas até o momento em 2020. Com um salto de 145% no volume comparado a igual período de 2019, esses IPOs arrecadaram mais de US$ 20 bilhões.

Até o bilionário Richard Branson entrou na onda das empresas de “cheque em branco”. O fundador do Grupo Virgin planeja captar US$ 460 milhões para criar uma SPAC, chamada VG Acquisition.

Com esse movimento, Branson engrossa uma lista de bilionários e de empresas que já seguiram esse caminho. A relação inclui, por exemplo, o investidor e bilionário Bill Ackman, e a gestora Apollo Global Management que registrou um pedido para captar US$ 750 milhões por meio da empresa de cheque em branco Apollo Strategic Growth.

Até no Brasil essa onda chegou. O frigorífico brasileiro Minerva assinou uma carta de intenções não vinculativa com uma SPAC, para a venda de uma fatia de 23,3% da Athena Foods, subsidiária da companhia.

Algumas empresas já pegaram essa estrada há mais tempo. É o caso de fabricantes de veículos elétricos como Fisker, Lordstown e Nikola, que usaram desse expediente para levantar recursos e abrir capital no mercado americano.

Para a Nikola, o terreno depois desse processo se mostrou acidentado. Em 8 de setembro, a GM comprou uma participação de 15% na fabricante. Dois dias depois, a Hindenburg Research publicou um dossiê indicando que a startup de caminhões elétricos poderia ser uma fraude.

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