Além de escritórios, WeWork vai “vender” software as a service no Brasil

De olho no “novo normal”, a companhia de escritórios compartilhados quer lançar no primeiro trimestre de 2022, no Brasil, uma plataforma para as empresas que precisam organizar como os funcionários vão atuar no modelo híbrido

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A WeWork, companhia de escritórios compartilhados que foi duramente afetada pela imposição do home office ao longo da pandemia, quer se adaptar ao “novo normal” e se prepara para lançar no Brasil uma solução de tecnologia voltada a empresas que estão apostando no modelo híbrido ou em outros caminhos que buscam a flexibilidade.

O novo produto, com lançamento previsto para o primeiro trimestre de 2022, será uma espécie de plataforma de gestão, destinada a companhias que pretendem organizar, por exemplo, os dias da semana em que cada funcionário vai ao escritório, os times, a disposição das salas e outras variáveis que garantam uma certa harmonia.

“Um dos debates que mais vejo acontecendo nas empresas é como os times se encontram. Não adianta eu estar no presencial, se a minha líder não está: vamos continuar conversando por uma tela”, afirma, ao NeoFeed, a CEO da WeWork para a América Latina, Claudia Woods, que assumiu o cargo há quatro meses após deixar o comando da operação da Uber no Brasil. “Espaço de escritório nunca foi pauta de CEO como está sendo agora”.

A ferramenta de gestão marca a entrada da companhia no modelo de software as a service, que estará disponível para as empresas que usam ou não os escritórios da WeWork. A precificação ainda está sendo discutida, mas uma licença será cobrada dos clientes que usarem a ferramenta.

O valor poderá ser mensal ou anual e representará uma nova fonte de receita, para além do que a empresa ganha com os escritórios e com o trabalho de consultoria que presta para outras empresas. A companhia, porém, ainda não tem uma estimativa de qual poderá ser a representatividade do produto no negócio da WeWork.

O novo produto, naturalmente, será mais atrativo para as grandes empresas, que precisam lidar com uma quantidade maior de funcionários. A WeWork – que antes da pandemia costumava ser uma saída para pequenas e médias empresas que buscavam economia e praticidade nos escritórios compartilhados – acredita que, agora, as companhias de maior porte devem virar maioria entre seus clientes.

Hoje, as grandes empresas, com mais de 500 funcionários, representam metade do total de clientes, enquanto a outra metade é formada por pequenos e médios negócios. “Nos próximos 12 meses, as grandes empresas podem chegar a 60%”, estima a CEO da WeWork na América Latina. Uma delas, por exemplo, é a Sky, que tem cerca de 1,4 mil funcionários e só usa os escritórios da WeWork, em espaços exclusivos.

Claudia Woods, CEO da WeWork na América Latina

Uma tendência que a WeWork também vê para depois da pandemia é que as grandes companhias podem recorrer a um misto entre os próprios espaços e escritórios compartilhados. Nesse sentido, ganha força a ideia de instalar espaços da WeWork em bairros mais residenciais, que estariam mais próximos das casas dos trabalhadores.

“Em São Paulo, por exemplo, estamos vendo uma maior demanda pelos escritórios compartilhados em bairros como Perdizes e Lapa. Ainda não sabemos se é uma tendência, mas é um insight relevante”, afirma Claudia.

Afetada pela pandemia, a WeWork tem gradualmente conseguido se recuperar no Brasil. Em comparação ao “fundo do poço” atingido no início da crise, em março de 2020, a companhia apresenta alta de 45% no nível de novas vendas. A companhia, no entanto, afirma que ainda não retomou os níveis de vendas e ocupação anteriores à pandemia.

Segundo ela, o mercado de escritórios compartilhados tem espaço para expansão. “No mundo, as estimativas apontam avanço de 116% até 2024”, diz a executiva. “E, no Brasil, os escritórios compartilhados representam apenas 3% do setor imobiliário”.

Além disso, a WeWork segue fazendo um trabalho de consultorias para empresas que querem reorganizar seus espaços, com análise de dados de comportamento dos funcionários que possam apontar soluções, e de gestão terceirizada. O Cubo, hub de inovação do Itaú, por exemplo, é gerido pela companhia.

A ex-Uber Claudia chegou à WeWork a convite do SoftBank, que formou neste ano uma joint venture com a operação da companhia na América Latina. Ela trouxe Felipe Rizzo, também ex-Uber, para comandar a operação brasileira.  Na região, o SofBank tem US$ 8 bilhões em recursos, mas não informa qual é o valor investido na operação da WeWork.

Globalmente, a WeWork também luta para se reerguer dos estragos causados pela pandemia. Em 2020, a empresa teve prejuízo de US$ 3,2 bilhões no mundo, segundo informações publicadas por Financial Times.

No mês passado, a companhia teve receita global de US$ 228 milhões, o maior valor mensal deste ano, e tem visto a taxa de ocupação crescer. No final do terceiro trimestre, estava em 60%, acima dos 52% registrados no trimestre anterior. Há dois anos, a proporção girava em torno de 70%.

A WeWork, que fracassou em fazer um IPO em 2019, com expectativa de atingir um valuation de US$ 47 bilhões, retomou os planos de abertura de capital e espera se listar em Nova York ainda em 2021, por meio de uma fusão com a empresa de aquisição de propósito específico (SPAC, na sigla em inglês) BowX Acquisition. A companhia estima que será avaliada em US$ 9 bilhões.

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