Negócios

À espera do sinal verde no Brasil, o apetite da Ericsson pelo 5G só aumenta

Em entrevista ao Conexão CEO, Eduardo Ricotta, presidente da Ericsson para o Cone Sul da América Latina, fala sobre o potencial de disrupção da tecnologia e conta como a empresa está se preparando para esse cenário na região. Mas alerta que o País pode largar atrasado nessa corrida com a demora na realização dos leilões da frequência

 

Avaliada em US$ 35,9 bilhões e uma das principais fornecedoras globais de equipamentos de telecomunicações, a sueca Ericsson é um dos nomes na ponta da tecnologia 5G, a próxima grande onda do setor.

Alguns números traduzem a presença da companhia nesse novo espaço. A fabricante tem 111 contratos assinados e 65 redes 5G já implantadas ao redor do mundo. Em seu mapa de operações, no entanto, uma região ainda aguarda ansiosa para entrar de vez nessa frequência: a América do Sul.

À frente dos negócios da Ericsson no Brasil, Argentina, Chile, Peru e Uruguai, Eduardo Ricotta acompanha de perto essa situação. E alerta para os riscos da demora na realização dos leilões da tecnologia na região. Entre eles, o brasileiro, previsto para o primeiro semestre de 2021.

“Outros países já estão acessando uma plataforma que nós ainda não temos”, diz Ricotta, presidente da Ericsson para o Cone Sul da América Latina, em entrevista ao programa Conexão CEO (vídeo completo acima). “O 5G vai quebrar muitas barreiras. E a grande preocupação é ficar para trás nessa inovação.”

Apesar da urgência, o executivo mineiro, que ingressou na Ericsson em 1993, como trainee, entende que, superadas as barreiras, o País e a região têm boas perspectivas para se beneficiar do amplo espectro de possibilidades aberto nesse contexto.

A própria Ericsson já vem testando iniciativas com o uso da tecnologia no País. Entre outros projetos, a empresa realizou um exame de ultrassonografia a distância, com o equipamento operado por meio de um joystick.

Para Ricotta, esse é uma pequena amostra do potencial do 5G, em uma área com sérias lacunas de cobertura no País. “Podemos fazer hospitais digitais remotos”, observa. “E levaríamos apenas sensores e a conexão para fazer exames na população a distância na população.”

Ao lado da saúde, ele cita educação, indústria e entretenimento como alguns setores de maior potencial nesse contexto. Além de um segmento no qual o Brasil se destaca. “O agronegócio será um dos campos mais férteis para invenções com a chegada do 5G”, diz.

O setor está justamente no centro do esforço mais recente da companhia em direção a esse novo mundo. No fim de setembro, a empresa fechou uma parceria com o grupo sucroalcooleiro São Martinho para desenvolver soluções 5G para o setor.

Instalado em Indaiatuba (SP), o centro local de pesquisa e desenvolvimento da Ericsson terá um papel essencial nessa e em outras parcerias. A unidade já acumula uma carteira de 140 patentes e recebeu cerca de R$ 1 bilhão em investimentos nos últimos quinze anos.

Enquanto espera o sinal verde dos leilões, a companhia já demonstrou seu apetite pela tecnologia em outras iniciativas no País. A principal delas, em 2019, quando anunciou um aporte de R$ 1 bilhão para produzir equipamentos 5G em sua fábrica de São José dos Campos (SP).

A nova linha, que ainda não está em operação, receberá esses investimentos no decorrer dos próximos cinco anos. E deve seguir a mesma orientação dos demais itens fabricados na unidade, uma das cinco da Ericsson no mundo, e que destina 40% de sua produção para os países da América Latina.

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