A Gol tem mostrado que sabe dançar conforme a música, acredita o BTG

A companhia aérea ainda tem um longo caminho a percorrer até voltar a ter a demanda de antes da pandemia, mas tem conseguido manter o nível de ocupação de seus voos acima de 80%

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Uma das companhias mais afetadas pelas restrições de mobilidade urbana, a Gol Linhas Aéreas ainda está longe de retomar os níveis de operação que tinha antes da pandemia, mesmo com o avanço da vacinação e a redução do número de mortes no Brasil.

Não significa, porém, que os aviões estejam voando vazios. Com a redução na oferta de voos e ajustes nos preços, a companhia aérea tem conseguido dançar conforme a música e manter o preenchimento dos assentos em nível similar a 2019, notaram os analistas do BTG Pactual, em relatório publicado nesta quarta-feira, 8 de setembro, a respeito de resultados operacionais.

Em agosto, a taxa de ocupação dos voos da companhia aérea foi de 80,2%, próximo dos 82,5% registrados em agosto de 2019. “A Gol tem sido capaz de manter a taxa acima de 80%, o que indica uma dinâmica construtiva de preços”, escreveram os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Aline Gil. “Isso realça também a capacidade da companhia de se adaptar à baixa demanda.”

No mesmo mês, no entanto, o indicador que multiplica o número de passageiros transportados pelo total de quilômetros voados – conhecido pela sigla RPK e utilizado pelo setor para medir a demanda – teve queda de 48% em relação a igual mês de 2019, antes da crise sanitária. No acumulado do ano, cai 53% em comparação a igual intervalo de dois anos atrás.

Em relação a julho, os números também caem, com um recuo de 15% em agosto. Para o BTG Pactual, este tombo é explicado pela sazonalidade, uma vez que julho é mês de férias escolares. “É, historicamente, o mês mais forte para as companhias aéreas”, destacam os analistas.

A empresa informou ainda que reduziu suas operações nos últimos 10 dias de agosto para efetuar a migração do seu sistema de serviço ao passageiro. Além disso, não realizou voos internacionais durante o mês, em razão das restrições do exterior a passageiros brasileiros.

Embora a Gol esteja abaixo do nível pré-pandemia, o BTG Pactual vê potencial para a empresa. “Vemos o avanço da vacinação como o principal gatilho para impulsionar a companhia, já que o Brasil tem apenas 32% da população totalmente vacinada, em comparação a taxas de 54% e de 49% nos EUA e na Europa, respectivamente”, argumentam os analistas.

O BTG Pactual, que recomenda a compra do papel da companhia, estima o preço-alvo da ação de R$ 31, uma valorização potencial de 59,1% em relação ao fechamento de segunda-feira, 6 de setembro. Por volta das 17h, a ação era negociada a R$ 19, queda de 2,46%.

Avaliada em R$ 6,1 bilhões, a Gol teve lucro líquido de R$ 642,9 milhões no segundo trimestre deste ano, revertendo prejuízo de R$ 1,99 bilhão registrado em igual período do ano passado, nos primeiros meses da pandemia.

A receita líquida, por sua vez, atingiu R$ 1 bilhão, alta de 187% na mesma comparação, mas ainda 67% abaixo do nível anterior à crise sanitária.

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