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A “Revolução dos Bichos” capitalistas

A fauna de tubarões, sardinhas e unicórnios, uma baixa na Eletrobrás, os milhões – e bilhões – da Netflix e uma ideia “disruptora” do Ministério das Comunicações

 

O escritor inglês George Orwell escreveu “A Revolução dos Bichos”, em 1945, numa clara sátira ao comunismo, a revolução que deu origem à ex-União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e ao ditador Joseph Stálin.

O livro, que retrata os animais de uma fazenda se rebelando contra o proprietário explorador, se tornou leitura obrigatória para entender o século passado.

É também um clássico, sempre listado como um dos livros mais importantes da literatura mundial. Mas, velhotes, se Orwell estivesse vivo, certamente ele teria inspiração de sobra para escrever “A Revolução dos Bichos II”. E que revolução!

Sardinhas, tubarões e unicórnios seriam certamente as estrelas desse novo livro. Só que aí a sátira seria contra o capitalismo, o sobe-e-desce das bolsas, manipulação de mercado e aos cheques exorbitantes dos fundos de venture capital.

Enquanto ninguém se inspira para escrever essa história, aqui vão alguns tópicos do que aconteceu no mercado nesta semana e, claro, algumas dicas do Arthurito, né “meo”?

DAVID CONTRA GOLIAS

A combinação inflamável entre o crescente número de investidores PF + redes sociais + criadores de memes + day traders causou uma das distorções mais emblemáticas do mercado financeiro em todos os tempos.

A ação coordenada de investidores de varejo reunidos no fórum online Reddit desencadeou um prejuízo enorme aos grandes investidores institucionais de Wall Street por meio de um “short squeeze” na ação da GameStop e contou até com a estrela de filmes adultos, Mia Khalifa, passando “call” de compra para ação da Nokia (e o brasileiro chocado com a Gabriela Pugliesi trader!).

No Brasil já começam ensaios de tropicalização desse movimento sardinhas x tubarões e um grupo reuniu 20 mil pessoas no Telegram para tentar replicar o short squeeze com a combalida ação da IRB. Velhotes, minha sugestão seria tentar inflar a ação da Conga (COGN3) tendo a Gretchen como analista de sell side.

CAVALARIA?

Falando em sardinha, tubarão, qual é o coletivo de unicórnios? O Nubank chegou ao valuation de 25 unicórnios, ou meio Itaú, ou quase um Santander Brasil inteiro, como preferirem.

A galera descolada que fica ali no bairro de Pinheiros, em São Paulo, já representa a 4ª maior instituição financeira do País após o recente aporte de US$ 400 milhões e que, muito provavelmente, foi o último antes do esperado IPO.

Vale destacar que os caras ainda nem digeriram a Easynvest e nem entraram de cabeça na “briga de faca no escuro” que é o ambiente concorrencial no mundo dos investimentos. Vamos aguardar os próximos passos do unicórnio, ou dos 25 unicórnios, velhotes.

2021: A ERA DO RÁDIO

Na esfera pública, destaque para a iniciativa do nosso ministro das Comunicações, Fábio Faria, talvez em um resgate histórico da atuação de seu sogro, Silvio Santos, propôs a obrigatoriedade de termos rádio FM em todos os celulares fabricados no Brasil.

No País onde há mais smartphones do que gente, a ideia é fomentar o brasileiro a andar pra trás. Entre medidas ainda em estudo estão a volta do jogo da cobrinha e o bolsa vitrola.

APAGOU A LUZ

Outra triste notícia é a saída de Wilson Ferreira Jr. (foto) do comando da Eletrobras. Além do porta-retrato com foto da família e da caneta Montblanc, ele leva embora também a perspectiva de privatização da companhia, algo que vinha sendo preparado desde a sua chegada em 2016 ainda no governo Temer (saudades, Michel).

VAMOS ASSISTIR NETFLIX AQUI EM CASA?

Com a volta da fase vermelha e a aparente constatação de que o coronavírus só assombra as ruas de São Paulo a partir das 20h, o que nos resta é chamar aquele contatinho para assistir um Netflix. Quem não fez isso pelo menos uma vez em 2020?

É, velhotes, essa mudança de hábitos refletiu diretamente nos números da companhia, que bateu o recorde de 200 milhões de assinantes no ano passado.

A receita da empresa no quarto trimestre atingiu US$ 6,64 bilhões, ante US$ 5,4 bilhões em 2019, segundo os dados do balanço. Fica a dica para o fim de semana: aliás, assistam Lupin (foto)!

YES WE “CAN” 

Uma tendência que aparentemente veio para ficar é o consumo de diversas bebidas alcoólicas em lata. O recipiente, que era predominantemente usado pela indústria de cervejas, chegou com tudo no mundo dos vinhos (algo inimaginável) e também em drinks com base de destilados.

A Lovin Wine, primeira startup de vinhos do Brasil, é uma das empresas que despontam nesse segmento, sob o comando de Eduardo Glitz, também sócio da Startse e Yuool.

Outro nome que vem chamando a atenção é a gringa F!VE DRINKS CO que chegou no final do ano passado ao Brasil. Eles já disponibilizam Gin tônica, Mojito, Voilá tônica (uma espécie de frisante) e há planos de expandir esse portfolio.

“É uma categoria nova que cresce em todo mundo. Em março teremos nova produção e dois novos sabores”, conta Andre Clemente, executivo que liderou diversas áreas na Ambev durante quase 20 anos e atual responsável pela F!VE DRINKS CO no Brasil.

Antes de eu perguntar o que realmente interessa, ele já me interrompeu e disse “O adorado Negroni já está em estudo também”.

Arthurito da Faria Lima tem mais de uma década de experiência no mercado financeiro e lançou seu perfil no Instagram, em agosto de 2020, para comentar os bastidores do Condado da Faria Lima – de preferência apreciando um bom Negroni. Nos fins de semana, costuma desembarcar com a sua “tropa” na Baleia, em Campos ou na Península.

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