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A união faz a força? Empresas se unem contra lojas de aplicativos de Apple e Google

Grupo formado por Epic Games, Spotify, Deezer, Tile e Match Group cria a Coalition for App Fairness com o objetivo de lutar contra as práticas, consideradas abusivas por eles, das lojas de aplicativos de Apple e Google

 

A loja de aplicativos da Apple

Longe do game over, a batalha entre desenvolvedores de aplicativos e as companhias detentoras das lojas de aplicativos acaba de entrar em uma nova fase.

Gigantes como Epic Games, dona do Fortnite, Spotify, Deezer, Tile e Match Group, que tem o aplicativo Tinder, se uniram a outras empresas de tecnologia para formar a Coalition for App Fairness (CAF) – algo como “Coalizão pela Justiça aos Apps”. 

A instituição, sem fins lucrativos, foi registrada em Washington DC sob a justificativa de que companhias como Apple e Google, que administram a App Store e a Google Play, respectivamente, cobram taxas abusivas dos desenvolvedores de softwares e favorecem os próprios produtos.  

Para tornar o ambiente mais igualitário, a coalizão está promovendo uma lista com 10 propostas. A primeira pede o fim da exclusividade das lojas de aplicativos. A segunda, que nenhum desenvolvedor seja banido de uma loja de aplicativo por conta de seu modelo de negócio.

A lista segue reivindicando que os desenvolvedores tenham o direito a se comunicar diretamente com o usuário dentro do aplicativo e que o favorecimento de produtos internos seja encerrado, tal como as taxas consideradas abusivas. 

“As plataformas gatekeepers que operam essas lojas de aplicativos não devem abusar do controle que desfrutam e devem aderir à supervisão para garantir que seus comportamentos promovam um mercado competitivo e forneçam aos consumidores uma escolha justa”, disse a CAF, em comunicado oficial.

O grupo reafirma que sua fundação não é um resposta à disputa entre Epic Games e Apple, que começou em 13 de agosto, quando a empresa de jogos passou a oferecer planos de compras diretos para acessórios do Fortnite, o que a livraria da taxa de 30% cobrada pela Apple. Como resposta, a empresa comandada por Tim Cook removeu o aplicativo do game de sua loja.

Fora do ambiente virtual, as companhias travam uma dura batalha jurídica e os desdobramentos são sentidos por todos – até por consumidores. Alguns usuários que têm o app do Fortnite instalado em seus iPhones, por exemplo, passaram a anunciar a venda dos aparelhos por preços muito acima do praticado no mercado. Um iPhone X, que tenha o joguinho, por exemplo, pode ser adquirido por US$ 10 mil, quando o mesmo aparelho, sem o aplicativo, não custaria US$ 2 mil. 

De acordo com a agência de análise Sensor Tower, o Fortnite foi baixado por 133 milhões de usuários de aparelhos Apple e movimentou US$ 1,2 bilhão via App Store. Isso significa que, cobrando 30%, a empresa da maçã faturou cerca de US$ 360 milhões com o jogo da Epic Games.

No último relatório financeiro anual da empresa, a categoria “Serviço”, onde entra a App Store, foi assinalada como a segunda maior fonte de renda da companhia, perdendo apenas para a venda de iPhone. A Apple ganhou US$ 46,2 bilhões com serviços e US$ 142,3 bilhões com a venda de seus smartphones. 

O Google, que também cobra os mesmos 30%, faturou US$ 3 milhões entre abril e agosto deste ano, graças ao Fortnite. Neste período, o app foi baixado 11 milhões de vezes na Google Play e movimentou US$ 10 milhões.

A Alphabet, holding que controla o Google, ainda não se pronunciou sobre os processos em andamento e nem sobre a formação desta coalizão. A Apple há tempos insiste que as taxas que aplica estão alinhadas com a prática do mercado e que, em troca, oferece serviços como de segurança e privacidade.

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