Negócios

Depois de quase ir à falência, Deliveroo prepara IPO de US$ 12 bilhões em Londres

No início da pandemia, a empresa de delivery britânica foi socorrida por um investimento da Amazon para não ir à bancarrota. Agora, está prestes a abrir o capital e captar US$ 1,4 bilhão no que pode ser o maior IPO da bolsa de Londres em 10 anos

 

A Amazon, de Jeff Bezos, tem uma fatia minoritária da Deliveroo

O IPO do aplicativo de delivery britânico Deliveroo pode se tornar uma das maiores aberturas de capital da bolsa de Londres dos últimos 10 anos, superando a gigante de commodities Glencore

Nesta segunda-feira, 22 de março, a empresa definiu a faixa de preço de suas ações entre £ 3,90 e £ 4,60, o que pode levar a uma avaliação entre £ 7,6 bilhões e £ 8,8 bilhões (aproximadamente US$ 10,5 bilhões e US$ 12,2 bilhões).

A meta da Deliveroo é captar £ 1 bilhão (US$ 1,4 bilhão). A startup também reservou £ 50 milhões (aproximadamente US$ 70 milhões) em ações para seus consumidores. Aproveitando o interesse crescente dos investidores de varejo, a empresa está fazendo propaganda do IPO em seu app, incentivando os clientes a comprarem os papéis.

“Ao nos tornarmos uma empresa com capital aberto vamos continuar a investir em inovação, desenvolver novas ferramentas tecnológicas para apoiar restaurantes e lojas de alimentos, oferecer mais trabalho aos entregadores e aumentar as opções disponíveis aos consumidores”, disse o fundador e CEO, Will Shu, em um comunicado.

A data para o IPO não foi ainda definida. Os planos da empresa de abrir seu capital foram anunciados no início de março e espera-se que aconteça em algum momento de abril.

O sucesso da Deliveroo foi impulsionado por conta do aumento da demanda durante a pandemia. Após anos operando no vermelho, a companhia de Will Shu se tornou lucrativa no segundo semestre do ano passado.

Além da entrega de comida, o app permite que seus consumidores comprem produtos de supermercado e a modalidade já representa 10% da receita da empresa.

Em 2020, o faturamento da companhia foi de £ 1,2 bilhão (US$ 1,7 bilhão), alta de 54%. No período, a empresa movimentou £ 4,1 bilhões (aproximadamente US$ 5,7 bilhões) em pedidos de restaurantes e supermercados, um crescimento de 64,3%.

Apenas no Reino Unido, a Deliveroo tem cerca de 50 mil entregadores cadastrados. No ano passado, 20 mil novos restaurantes passaram a fazer parte da plataforma. Hoje, o cliente tem mais de 30 mil opções. Outras 36 redes de supermercados e lojas de alimentos também passaram a oferecer seus produtos no aplicativo da startup.

Apesar do bom resultado no segundo semestre de 2020, a companhia fechou o ano no vermelho, com perdas de £ 223,7 milhões (aproximadamente US$ 310 milhões).

No início da pandemia, no entanto, a Deliveroo quase foi à falência, o que fez com que as autoridades antitruste do Reino Unido dessem sinal verde para um investimento de US$ 575 milhões, em rodada liderada pela Amazon, que passou a deter uma fatia de 16% da startup.

O aporte da Amazon havia sido anunciado em maio de 2019, mas foi suspenso pelos autoridades de antitruste, que alegaram preocupações com a competição.

O ano de 2021 já começou com bons resultados. O valor total das transações feitas na plataforma em janeiro registrou um aumento de 130% em relação ao ano anterior, na Inglaterra e Irlanda, e 112% nos outros mercados em que opera.

Desde sua fundação, em 2013, Deliveroo já captou US$ 1,7 bilhão. Além do Reino Unido está presente em outros países. Na Europa, os serviços estão disponíveis na Bélgica, França, Itália, Holanda e Espanha. A startup tem operações também em Hong Kong, Austrália, Cingapura, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.

O Deliveroo não foi o único aplicativo do tipo beneficiado pelos novos hábitos de consumo. Nos Estados Unidos, as quatro startups mais populares, DoorDash, UberEats, Grubhub e Postmates registraram uma receita combinada de US$ 5,5 bilhões entre abril e setembro de 2020, mais do que o dobro dos US$ 2,5 bilhões registrados no mesmo periodo de 2019, de acordo com dados do MarketWatch.

No Brasil, o efeito foi semelhante. De acordo com o relatório e-commerce no Brasil, elaborado pela consultoria Conversion, pesquisas sobre o setor de comidas e bebidas cresceram 77,61% em janeiro de 2021 em relação a 2020. O app iFood é o termo mais buscado, com 43% do total, superando marcas como Pão de Açúcar e concorrentes diretos, como Uber Eats e Rappi. Trata-se de um reflexo da demanda por esse tipo de serviço.

O iFood anunciou que 100 mil novos estabelecimentos se cadastraram na plataforma no ano passado. Os pedidos saíram de uma média de 30 milhões ao mês para quase 50 milhões, no início de 2021. Com o interesse crescente, lançou outros serviços, como o iFood Refeição, um vale para empresas.

A Rappi viu um aumento de 300% nos pedidos entre março e junho de 2020, especialmente nas compras feitas em farmácias e supermercados. E o 99Food, braço de delivery da 99, tem explorado a estratégia de oferecer o serviço em cidades menores, com até 500 mil habitantes. Está presente em municípios de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Leia também

UM CONTEÚDO:

BRAND STORIES

VÍDEOS

Assista aos programas CAFÉ COM INVESTIDOR e CONEXÃO CEO