Desembarque da BlackRock na China é um “erro trágico”, diz George Soros

O investidor criticou a gestora, que captou US$ 1,03 bilhão em seu primeiro fundo com base na China, e afirmou que a iniciativa prejudicará os interesses dos EUA e de outras democracias

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O bilionário e investidor George Soros

Maior gestora do mundo, com US$ 9,5 trilhões de ativos, a BlackRock alcançou outro feito em maio deste ano, quando foi a primeira empresa estrangeira do setor a receber o sinal verde das autoridades chinesas para operar no país asiático.

Nesta semana, a companhia liderada por Larry Fink, deu a largada desse projeto ao anunciar que levantou US$ 1,03 bilhão para o seu primeiro fundo mútuo de investimento com base na China, que atraiu mais de 110 mil investidores.

A estreia da BlackRock no país da Grande Muralha está, no entanto, longe de ser uma unanimidade. Uma das vozes que engrossaram o coro dos descontentes foi a do bilionário húngaro-americano George Soros.

“Derramar bilhões de dólares na China agora é um erro trágico”, escreveu Soros em artigo publicado nesta semana no The Wall Street Journal. “É provável que os clientes da BlackRock percam dinheiro e, mais importante, isso prejudicará os interesses da segurança nacional dos Estados Unidos e de outras democracias.”

Em seu texto, Soros destacou que a gestora leva a sério sua responsabilidade na administração de recursos de seus clientes e é uma líder no movimento de ESG. Mas ressaltou que a empresa parece não ter entendido o cenário político chinês.

Um dos pontos criticados pelo investidor à frente da Open Society Foundations é o fato de a BlackRock ter feito uma distinção entre as empresas estatais e as empresas privadas chinesas. Ele destacou que isso está longe de ser uma realidade, já que o governo do presidente chinês Xi Jinping considera todas as companhias locais como “instrumentos de um Estado de partido único”.

“Esse possível mal-entendido poderia explicar a decisão da BlackRock, mas pode haver outra explicação”, ressaltou. “Os lucros a serem auferidos ao entrar nos mercados financeiros até então fechados da China podem ter influenciado sua decisão.”

Entre outras críticas ao presidente da China, Soros observou que os gestores da BlackRock devem estar cientes de que há enorme crise se formando no mercado imobiliário do país. E lembrou ainda da recente ofensiva das autoridades locais a empresas chinesas de tecnologia, como o Alibaba e a Didi Chuxing.

E voltou a frisar:“O dinheiro investido na China ajudará a apoiar o regime do presidente Xi Jinping, que é repressivo em casa e agressivo no exterior”, escreveu. “O Congresso deve aprovar uma legislação autorizando a Securities and Exchange Commission a limitar o fluxo de fundos para a China.”

Em comunicado enviado ao site americano CNBC, a BlackRock respondeu aos comentários feitos por Soros. “Por meio da nossa atividade de investimento, gestores de ativos sediados nos Estados Unidos e outras instituições financeiras contribuem para a interconexão das duas maiores economias do mundo”, afirmou a gestora.

Batizado de China New Horizon Mixed Securities Investment Fund, o primeiro fundo da gestora na China vai investir em segmentos como energia verde, digitalização e manufatura, e foi lançado em agosto, quando a BlackRock aconselhou investidores a dobrarem ou mesmo triplicarem suas exposições a ações chinesas.

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