Em livro, Ray Dalio analisa a ascensão e a queda dos impérios. E faz alerta aos EUA

O fundador da Bridgewater Associates volta cinco séculos no tempo para analisar as moedas dos impérios mais sólidos do mundo. E alerta para desigualdade crescente, dívida nacional expressiva e para o sistema político disfuncional dos EUA

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Ray Dalio, fundador da Bridgewater Associates

Uma das máximas do mercado financeiro é de que performance passada não garante rentabilidade futura. Em outras palavras, não adianta escolher investir em um ativo ou em fundo só porque o histórico dele é positivo.

Mas, para o bilionário americano Ray Dalio, um dos investidores mais famosos de Wall Street, é possível olhar para o passado de uma maneira mais produtiva. Afinal de contas, se você conhece bem os fatores que geraram crises anteriores ou eras de prosperidade, poderá estar pronto para identificar os sinais da próxima.

“Estudar, por exemplo, a Grande Depressão (de 1929) me permitiu prever a crise financeira de 2008. Ganhamos uma quantia significativa de dinheiro, quando a maioria das pessoas perdeu”, afirma Dalio, em entrevista ao site Business Insider.

De tanto estudar, o investidor decidiu escrever um livro que mistura história e finanças, chamado, em tradução livre para o português, “Princípios para lidar com a mudança da ordem mundial”, lançado nesta semana nos Estados Unidos.

Fundador e codiretor de investimentos da Bridgewater Associates, o maior hedge fund do mundo, com US$ 105 bilhões em ativos, Dalio investiga no livro as histórias dos impérios holandês, britânico e americano, ao longo dos últimos 500 anos, para entender como as moedas deles se tornaram as moedas de reserva do mundo.

A conclusão de Dalio é que esses impérios passaram por ciclos econômicos, de dívida e políticos relativamente previsíveis, com uma tendência de queda depois de 250 anos. Ele também analisa os impérios chinês, indiano, alemão, francês, japonês e russo.

Depois de se aprofundar no assunto, o investidor demonstra preocupação com os EUA, onde ele enxerga uma desigualdade crescente, dívida nacional expressiva e um sistema político disfuncional.

Ao mesmo tempo, o principal rival dos EUA na disputa pelo controle da ordem mundial, a China, vive um período de aumento da prosperidade, com os seus cidadãos desfrutando de rendas mais altas e expectativa de vida mais longa do que nunca.

“Estamos (nos EUA) em um momento crítico”, ele diz. “Ou superamos nossas diferenças e trabalhamos juntos, ou teremos alguma forma de guerra civil interna e/ou guerra externa.”

Não é a primeira vez que Dalio faz essa análise. No ano passado, ao participar da Expert XP, ele disse que o poder dos EUA, “de diversas maneiras”, está em declínio. “E a China, por sua vez, está em ascensão como potência.”

Atento a essas possíveis mudanças de cenário, Dalio afirma que, para um investidor minimizar os danos, o segredo é diversificar. É uma forma de reduzir os riscos sem diminuir o retorno, argumenta. “Diversificação é o almoço grátis.”

Uma das suas preocupações é evitar a inflação. Por isso, nunca deixa o dinheiro parado. “Veja o dinheiro não como o ativo mais seguro, mas um ativo muito ruim, porque tem um rendimento significativamente negativo em relação à inflação. Você perderá poder de compra”, afirma.

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