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Negócios

EXCLUSIVO: Vitacon entra no mercado de compra de imóveis

A incorporadora lança hoje uma plataforma de iBuyer e bota pressão nos competidores de mercado: tanto as startups de aluguel e revenda quanto as construtoras que vendem imóveis na planta

 

Alexandre Lafer Frankel, fundador e CEO da Vitacon

A incorporadora Vitacon, liderada pelo empresário Alexandre Lafer Frankel, já lançou mais de 10 mil unidades desde a sua fundação há dez anos. Mas foi nos últimos dois anos que a companhia deu um salto exponencial: lançou 2 mil unidades em 2018, 3,5 mil em 2019 e se prepara para mais 4 mil neste ano.

O crescimento acelerado, com expectativa de Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 2 bilhões em 2020, é azeitado por uma máquina de vendas com 10 mil vendedores espalhados pelo Brasil, apartamentos compactos com preço médio de R$ 400 mil em localizações privilegiadas e o uso intensivo da tecnologia.

Em 2019, a empresa lançou a Housi, uma plataforma de locação e gestão dos imóveis próprios e de terceiros para aluguel, que recebeu investimentos de R$ 50 milhões do fundo Redpoint eventures, liderado por Romero Rodrigues. Também criou a Vitacon Capital, braço voltado a investidores institucionais estruturando Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Letras de Crédito Imobiliário (LCIs).

Agora, Frankel dá mais um passo ousado na construção de uma companhia cada vez mais tecnológica em um mercado tradicional que sempre foi movido a concreto e tijolo. A Vitacon lança hoje uma plataforma de instant buyer ou, como já é popularmente chamada, iBuyer.

“Uma das grandes preocupações de quem compra um imóvel é saber se vai conseguir vender”, diz Frankel, com exclusividade ao NeoFeed. “Agora, ao colocar o imóvel dele na nossa plataforma de iBuyer, o proprietário receberá uma proposta de compra em 48 horas”, diz Frankel.

Na prática, a Vitacon está garantindo a recompra do imóvel dos clientes que adquiriram e que pretendem adquirir um imóvel da incorporadora. “Não tenho notícia de nenhuma incorporadora no mundo que tenha feito isso”, diz Frankel. Trata-se de um negócio estratégico que promete impulsionar as vendas da empresa e botar pressão nos concorrentes.

Inicialmente, os apartamentos construídos a partir de 2018 entrarão na plataforma. “A ideia é ir sentindo a receptividade para depois possibilitar a entrada de todos os imóveis erguidos pela Vitacon desde a sua fundação”, afirma Frankel. E, futuramente, abrir até para parceiros.

O empresário não revela o montante separado para as aquisições, mas a companhia está capitalizada. Em abril do ano passado, a Vitacon fechou uma joint-venture com o fundo americano 7 Bridges Capital Partners que pode chegar a R$ 10 bilhões em investimentos nos próximos anos.

A incorporadora precificará os imóveis na plataforma de iBuyer com a ajuda de uma ferramenta baseada em um big data próprio, com informações de oferta e de demanda em tempo real. Mas, afinal, para quê recomprar os imóveis?

Frankel explica que a ideia é, acima de tudo, garantir liquidez aos investidores e, claro, gerar mais vendas para a incorporadora. Mas há também outros negócios conectados por trás dessa estratégia. Como a Vitacon se tornou quase que uma plataforma imobiliária, a companhia consegue aproveitar os imóveis recomprados de várias formas.

A primeira delas é revendendo. “Temos uma grande rede de distribuição. Vendemos para investidores em mais de 45 países”, diz o empresário de 42 anos. Outra forma de aproveitar os imóveis é trazendo-os para dentro da Housi, que já tem R$ 3 bilhões sob gestão, onde eles podem ser alugados.

Além disso, esses apartamentos também podem entrar no portfólio da Vitacon Capital, que, desde que foi lançada, em março do ano passado, já captou R$ 2 bilhões, estruturando produtos voltados a investidores institucionais. “Essa é a beleza de ter uma plataforma”, diz Frankel. “Gerar outras fontes para a marca.”

Mercado em alta

O novo negócio da Vitacon nasce num ambiente que já conta com outras plataformas explorando esse mercado de iBuyer, prática que está revolucionando o setor imobiliário no mundo. As companhias que atuam neste segmento são, geralmente, empresas que fazem muito uso da tecnologia.

Munidas de big data e inteligência artificial, avaliam desde a região onde os imóveis estão localizados, transações passadas, média de preços, entre outras variáveis. Compram as residências rapidamente, reformam e colocam de novo no mercado – ou para venda ou para locação.

Nos Estados Unidos, duas companhias atuam com muita força neste nicho de mercado. A Opendoor, fundada em 2014, é uma delas. Ela tem entre seus investidores o Softbank, General Atlantic, entre outros fundos, e já recebeu US$ 1,5 bilhão em oito rodadas de investimentos. Hoje, é avaliada em US$ 3,8 bilhões.

A outra companhia que também tem conquistado espaço no mercado americano é a Zillow. Com ações negociadas na Nasdaq e valor de mercado de US$ 10,5 bilhões, ela faturou US$ 1,3 bilhão em 2018.

Por aqui, quem adotou esse modelo de negócio foi a Loft, hoje avaliada em mais de US$ 1 bilhão, e o Grupo Zap, que tem entre os seus investidores o Grupo Globo e fundos como o Monashees e o Kaszek Ventures.

Aos poucos, estão resolvendo “as dores” dos proprietários de imóveis. Segundo dados do Grupo Zap, a espera para vender um imóvel no mercado brasileiro chega, em média, a 468 dias. Um tempo muito longo que, com a ajuda dessas empresas, pode ser reduzido instantaneamente.

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