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Investidora de Kovi e The Coffee aposta em fintech de crédito consignado privado

A fintech Paketá Crédito levantou R$ 9 milhões com a Shift Capital, a mesma gestora que investiu na empresa de aluguel de carros para motoristas de aplicativos Kovi e na cafeteria tecnológica The Coffee. Mas será que há espaço para mais uma empresa nessa área?

 

Fabian Valverde, fundador e CEO da Paketá Crédito

A Paketá Crédito, que atua na área de crédito consignado privado, acaba de levantar uma rodada seed de R$ 9 milhões com a Shift Capital, a mesma gestora que apostou na startup de aluguel de carros para motoristas de aplicativos Kovi e na cafeteria tecnológica The Coffee.

Fundada em 2019 por Fabian Valverde, a Paketá (que significa foguete em russo) conta com convênios com 655 empresas que, somadas, empregam 150 mil funcionários. A startup tem R$ 800 milhões disponível para ser emprestado a funcionários CLTs de empresas privadas, captados através de diversos formas de funding. Entre elas, FIDCs (Fundo de investimento em direitos creditórios).

“Em 2021, o objetivo é dobrar o número de convênios com empresas privadas e atingir 350 mil funcionários elegíveis ao crédito consignado”, afirmou Valverde, ao NeoFeed, explicando como deve usar os recursos da Shift Capital.

Valverde define a Paketá Crédito como uma empresa de tecnologia que quer automatizar processos e que usa os dados para fornecer menores taxas aos funcionários das empresas privadas – a taxa média é 2,56%. Nos empréstimos, o tíquete médio é de R$ 6 mil e prazo de pagamento, 24 meses. A taxa de inadimplência é de apenas 0,5%.

O empreendedor diz também que trabalha próximo às empresas para desenvolver produtos personalizados. Um exemplo foi a conversa com um diretor de financeiro, em que ele relatou que um dos problemas que enfrentava era a alta taxa de absenteísmo. “Passamos a dar uma taxa mais baixa para quem faltava menos. E o absenteísmo se reduziu”, diz Valverde.

A modalidade de crédito consignado privado movimentou R$ 24,1 bilhões, em setembro, segundo dados do Banco Central. O montante representa pouco mais de 5% do total de estoque de crédito consignado no País.

Nos últimos tempos, essa modalidade de crédito vem atraindo diversos competidores, que desafiam os bancos tradicionais, como o Banco Pan. A maioria deles altamente financiados por fundos de venture capital.

É o caso da Creditas, que estreou no segmento em 2019, com a aquisição da Creditoo e, desde então, tem reforçado sua atuação nesse espaço. A startup fundada pelo espanhol Sergio Furio tem na sua base de acionistas o Softbank e a Kaszek. A Neon, que recebeu R$ 1,6 bilhão em uma rodada liderada pela General Atlantic, comprou a Consiga+ em meados de novembro deste ano, entrando no mercado de crédito consignado.

A concorrência inclui ainda a Meu Tudo, dona de um marketplace de crédito consignado. A startup recebeu um aporte de R$ 12 milhões da gestora Domo Invest, em maio deste ano. Outra novata é a Facio, que captou US$ 5 milhões, em novembro, junto a fundos como o Monashees e ONEVC.

Será que há espaço para mais uma empresa? “O mercado de crédito consignado privado ainda é pouco explorado no Brasil, apesar de ser muito grande”, diz João Maia, sócio da Shift Capital. “Conversamos com quase todas as fintechs antes de seguir em frente com a Paketá.”

No caso da Paketá Crédito, a experiência do empréstimo é toda digital. Atualmente, 95% das contratações são feitas por celular. Os funcionários, segundo a startup, levam três minutos para solicitar o crédito. Depois de aprovado, em até 24 horas, o dinheiro é liberado na conta corrente.

“Se você olha o mercado de crédito, a tecnologia tem muito a agregar”, diz Maia. “O crédito não é um negócio que aceita desaforo: precisa ser rápido, mas não pode dar um passo maior do que a perna.”

A Shift Capital é uma gestora fundada há 3,5 anos por Maia, um ex-executivo do BofA Merrill Lynch, Bernardo Garcia, que atuou no Pátria Investimentos, e Fernando Jamra, ex-Credit Suisse Hedging-Griffo.

O trio não estruturou um fundo de venture capital e faz os aportes caso a caso. Até agora, já são seis investimentos, tendo aportado R$ 50 milhões. A Shift Capital participa de rodadas seed até séries B. No caso das rodadas iniciais, prefere liderar. “Gostamos de negócios da economia real, mas que tenham uma camada de tecnologia”, explica Maia.

São os casos da Paketá Crédito, da Kovi e da The Coffee, todas startups que são negócios tradicionais, mas que usam a tecnologia para obter um diferencial competitivo. Os outros investimentos da Shift Capital são a academia de baixo custo Bluefit, a empresa de dark kitchen Mimic e a marca de cosméticos Skelt.

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