Mesmo sob o ataque do governo, Tencent tem tudo para virar o jogo, acredita Goldman Sachs

As ações da companhia, dona do WeChat e de diversas empresas da games, cairam 42% desde fevereiro deste ano, por conta da ofensiva regulatória de autoridades chinesas. Mas o Goldman Sachs acredita que eles vão se recuperar

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O jogo “Honor of Kings”, da Tencent

A recente ofensiva regulatória das autoridades chinesas contra as empresas de tecnologia do país tem afastado os investidores desses ativos. E, por consequência, vem provocando uma grande onda de desvalorização dessas companhias no mercado de capitais.

Um dos principais nomes dessa lista, a Tencent ilustra bem esse contexto. Dono, entre outros negócios, do WeChat, aplicativo de mensagens que concentra um amplo ecossistema de produtos e serviços, o grupo viu suas ações recuarem 42% desde 12 de fevereiro, quando o papel alcançou seu pico em 2021.

À primeira vista, a queda intensa traz um cenário nada positivo e extremamente preocupante para a Tencent, avaliada atualmente em US$ 554 bilhões. Mas não na visão do banco americano Goldman Sachs, que enxerga um potencial de valorização de 73% nas ações nos próximos meses.

“Em nossa opinião, o risco-recompensa é o mais atraente em vários anos, uma vez que a variação do preço das ações no acumulado do ano reflete 2018, quando as licenças de jogos foram interrompidas abruptamente na China”, escreveram os analistas do Goldman Sachs, em relatório citado pelo portal americano Business Insider.

Ao reiterarem a recomendação de compra do papel da Tencent, os analistas recorreram justamente à recuperação da empresa há três anos. Na época, depois de as autoridades chinesas adotarem uma postura mais rígida em relação aos games, as ações da companhia mais do que triplicaram de valor.

Nesse sentido, o Goldman Sachs enxerga que uma configuração semelhante pode estar se consolidando a partir da nova caça às bruxas capitaneada pelo governo chinês e replicada pelos braços estatais do país.

Na última terça-feira, 3 de agosto, por exemplo, o jornal estatal chinês Economic Information Daily publicou um artigo trazendo, entre outras afirmações, que os adolescentes do país estão viciados em jogos online e que os games são “drogas eletrônicas” e um “ópio espiritual”.

Ao defender controles mais severos para essa indústria, um dos nomes usados para ilustrar essa visão é um o Honor of Kings, título criado pelo TiMi Studios, uma das empresas de games da Tencent. Segundo o artigo, os jovens chineses passam até oito horas diárias jogando este game.

Na área de jogos, outros negócios de destaque da Tencent são a Riot Games, estúdio responsável por franquias de sucesso como League of Legends; a Activision Blizzard; e o investimento na Epic Games, criadora do Fortnite, outro grande sucesso entre os gamers.

Com a publicação, as ações da Tencent e também da NetEase, abriram o pregão da Bolsa de Hong Kong em queda de mais de 10%. Pouco tempo depois, o jornal retirou o artigo do seu perfil na plataforma de rede social do WeChat.

No mesmo dia da publicação do artigo, a Tencent anunciou algumas medidas. Entre elas, a redução do tempo que os menores de 18 anos poderão jogar os títulos da empresa em dias úteis, que passaram de 90 minutos para uma hora. E, nos feriados, de três para duas horas.

O grupo já vinha investindo em algumas iniciativas para acalmar os ânimos das autoridades chinesas. Em julho, o grupo lançou uma ferramenta de reconhecimento facial para verificar se quem está jogando é um jovem ou um adulto. A empresa também passou a exigir registros dos nomes reais para os gamers.

Além dessas movimentações, o Goldman Sachs chamou a atenção para outra estratégia da Tencent. O banco destacou que a empresa, conhecida pelo seu apetite por aquisições, já fez 168 investimentos em empresas no acumulado de 2021, mais do que o dobro e o triplo de acordos realizados em 2020 e 2019, respectivamente.

“A Tencent está executando sua estratégia de reduzir o desconto de holding adquirindo ativos que resultam em ganhos maiores”, acrescentaram os analistas.

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