Startups

Na onda dos cliques, a fintech do Santander vai financiar compras no e-commerce

Depois de consolidar a oferta de empréstimos com garantia em carros e motos, a Sim prepara uma linha de empréstimos voltada a consumidores de lojas virtuais e mira alcançar uma carteira de R$ 1 bilhão até o início de 2021

 

Vinicius Aloe, CEO da Sim

Boa parte dos 14 anos da trajetória de Vinicius Aloe no mercado financeiro foi cumprida em um único CNPJ. Em 2010, quatro anos depois de iniciar a carreira no Banco Real, ele passou a bater cartão no Santander, em meio ao processo de fusão das duas instituições.

Em março de 2019, no entanto, o executivo passou a ter um novo endereço profissional. Sem que para isso, precisasse deixar a “velha casa”. Ao lado de Gustavo Andres, Aloe construiu, desde o dia zero, o projeto da Sim, fintech de empréstimo pessoal do Santander.

No intervalo de apenas seis meses, a dupla colocou a startup em operação, a partir de uma plataforma digital e da oferta de empréstimos com garantia em carros e motos. Agora, a Sim está encorpando esse portfólio com o lançamento de uma linha de crédito para produtos comprados em lojas virtuais.

“Estamos apontando nossos canhões para que essa seja a solução de crédito no e-commerce”, diz Aloe, CEO da Sim, ao NeoFeed. “Esse é um produto mal explorado no Brasil e ainda não existe um player bem posicionado nesse espaço.”

O plano é oferecer uma alternativa para a compra de produtos de maior valor, como eletrodomésticos. A linha está em fase de formatação de prazos e taxas, por meio de testes que vem sendo realizados com três varejistas. O objetivo é lançar o produto oficialmente até o fim do ano.

Além dos parceiros envolvidos nessa etapa, a Sim já mantém conversas avançadas com mais cinco empresas para distribuir a oferta. A ideia é plugar a linha tanto em lojas virtuais e marketplaces quanto em plataformas de fornecedores de soluções para o e-commerce.

Nesse ano, a Sim também vai lançar um seguro para quem contratar empréstimos na plataforma. “É um produto que ainda tem um certo estigma no mercado”, diz Aloe. “Mas estamos formatando uma proteção para o usuário que não puder pagar suas parcelas.”

A fintech não descarta ampliar ainda mais o leque de alternativas à disposição dos clientes. Apesar de não ter nenhum projeto concreto no momento, a oferta de crédito com garantia em imóveis e o empréstimo consignado são duas modalidades no radar da companhia.

Carro-chefe

Hoje, com taxa de 1,79% ao mês, o empréstimo com garantia em veículos está se consolidando como a principal aposta da Sim. No caso dos carros, o crédito pode chegar a até 85% do valor do automóvel, com limite de até R$ 50 mil. O pagamento pode ser parcelado em até 60 meses.

Já na linha voltada a motos, o crédito vai até 60% do valor do veículo e tem como teto R$ 25 mil. Essa mesma cifra é o limite dos empréstimos sem garantia concedidos pela Sim. Nesse caso, a taxa mensal de juros varia de 1,49% a 7,5%, dependendo do histórico e perfil do cliente, e do montante envolvido.

Com esse modelo, a fintech já atraiu mais de 3 milhões de simulações de crédito. E, embora não revele o volume de empréstimos concedidos na plataforma, a projeção é chegar a uma carteira de R$ 1 bilhão entre o fim de 2020 e o primeiro trimestre de 2021.

A fintech projeta chegar a uma carteira de R$ 1 bilhão em empréstimos entre o fim de 2020 e o primeiro trimestre de 2021

A Sim já encontra concorrência no caminho para concretizar essa meta. Apesar de ainda pouco difundido no País, o empréstimo com garantia, seja em veículos ou mesmo em imóveis, vem atraindo cada vez mais empresas.

É o caso da Creditas. A fintech é uma das companhias que está investindo pesado nesse espaço e, para isso, conta com o respaldo de R$ 1,2 bilhão captados em sete rodadas, junto a investidores como o Softbank e o próprio Santander, por meio do Santander InnoVentures, seu braço de venture capital.

À parte desse investimento, o banco vem fortalecendo a criação de startups em suas próprias fronteiras. Além da Sim, esse esforço inclui, por exemplo, a Pi, plataforma de investimentos; a Superdigital, conta de pagamentos para não correntistas; e a Santander Auto, insurtech em parceria com a HDI Seguros.

“De um lado, o Santander está marcando território nesse espaço das fintechs”, diz Fabricio Winter, sócio da consultoria Boanerges & Cia. “Ao mesmo tempo, o banco tem um ambiente com mais liberdade para experimentar e consegue chegar a clientes que hoje ele não alcança.”

Na Sim, o plano é ocupar uma faixa que cobre desde os usuários restritos às altas taxas de financeiras tradicionais até os correntistas que não se enquadram nos perfis de crédito cobertos pelos grandes bancos, incluindo, eventualmente, nessa lista, o próprio Santander.

Hoje, segundo Aloe, o perfil do tomador de crédito na Sim está bem dividido em todas as faixas etárias. A que mais se destaca é a de 41 a 50 anos, com 20% de participação. Em termos de renda, a cifra, em média, é de R$ 3 mil a R$ 4 mil.

À frente de um time de 70 pessoas, o executivo comemora o fato de ter o melhor dos dois mundos à disposição para ampliar essa base. A fintech compartilha estruturas de back office, a expertise em crédito e o poder de fogo do Santander para financiar a operação. “Ao mesmo tempo, temos autonomia, leveza e independência para consolidar o nosso modelo.”

Siga o NeoFeed nas redes sociais. Estamos no Facebook, no LinkedIn, no Twitter e no Instagram. Assista aos nossos vídeos no canal do YouTube e assine a nossa newsletter para receber notícias diariamente.

Leia também

UM CONTEÚDO:

BRAND STORIES

VÍDEOS

Assista aos programas CAFÉ COM INVESTIDOR e CONEXÃO CEO