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No Softbank, a aposta em inteligência artificial começa na base

Assim como um time de futebol, o fundo japonês investiu em um curso para formar talentos e melhorar capacitação em ciência de dados na América Latina. Os primeiros profissionais formados estão voltando às suas startups cheios de ideias

 

Estudantes do curso Data Science for All. Com a pandemia, só a primeira semana foi presencial

No começo desta semana, a brasileira Cortex recebeu um aporte de R$ 120 milhões liderado pelo Softbank. Fundada pelos empreendedores Daniel Pires e Leonardo Rangel, a empresa desenvolveu uma plataforma voltada para marketing e vendas baseada em inteligência artificial e ciência de dados.

O aporte na Cortex, no entanto, é a parte mais visível dos investimentos que o Softbank está fazendo em inteligência artificial. A imensa maioria das startups do portfólio do fundo criado por Masayoshi Son tem também, em maior ou menor grau, essa tecnologia embarcada em seus produtos e soluções.

Mas, para o Softbank, isso é ainda pouco. Há dados demais e profissionais de menos para analisar tanta informação gerada pelas empresas do portfólio do fundo.

A carência de profissionais de ciência de dados e de inteligência artificial é muito grande no Brasil”, diz Cezar Taurion, presidente do Instituto de Inteligência Artificial Aplicada e titular da coluna Mente Programada, no NeoFeed. “No Brasil, de forma geral, a base matemática é muito ruim e a inteligência artificial não se resolve num passe de mágica.”

Como resolver esse dilema? O Softbank resolveu investir na base. Como se fosse um time de futebol, o fundo saiu à caça desses talentos, ajudando-os em sua formação através de um curso desenhado pela Correlation One, uma empresa de treinamento de ciência de dados, que teve o apoio também de Microsoft for Startups, iNNpulsa Colômbia, IDB Lab, WeWork e Google Cloud.

Na terça-feira, 2 de junho, a primeira turma do curso Data Science for All (DS4All), que teve a participação de 205 estudantes de mais de 30 cidades, incluindo Bogotá, Buenos Aires, Cidade do México e São Paulo, chegou ao fim.

Foram dez semanas de aulas ministradas por Natesh Pillai, cientista-chefe da Correlation One e professor titular de estatística da Universidade de Harvard, com a ajuda de professores assistentes de MIT e Stanford.

A grand finale contou com a apresentação de projetos, desenhados por 48 times, que foram reduzidos para oito finalistas e, finalmente, aos três principais. Numa “live”, o top 3 fez apresentações para jurados do Softbank e o projeto de profissionais da Loggi, uma startup de logística do portfólio do Softbank, foi o grande vencedor.

Laura Gaviria, do Softbank

“A ciência de dados e a inteligência artificial são as mais importantes ferramentas para transformar todo tipo de negócio”, disse Laura Gaviria, chefe de parcerias e iniciativas estratégicas do Softbank International, ao NeoFeed.

E o Softbank quer transformar suas próprias empresas. Os projetos desenvolvidos pelos estudantes do DS4All, dos quais 60% deles eram de funcionários das startups que o fundo investe, agora começam a ser testados na vida real.

Observe o exemplo de Bruno Kloss, head de business intelligence da Buser, startup que é uma espécie de Uber dos ônibus. Durante o curso, ele desenvolveu um projeto de otimização de rotas para criar um modelo de conexão de ônibus através dos melhores hubs.

Imagine uma pessoa que precisa ir de Santos (SP) para Ouro Preto (MG). Ela não encontraria uma linha direta até o seu destino final. Quais então seriam as melhores conexões para chegar até lá?

A inteligência artificial pode ajudar a encontrar as melhores rotas. “Baseado em dados existentes, eu estimo o potencial das conexões e quais podem ser as mais interessantes”, afirma Kloss. “Isso impacta diretamente o modelo de negócios da Buser.”

É claro que Kloss não saiu do curso com um algoritmo pronto para ser colocado em operação. Mas aprendeu as principais técnicas que podem ajudá-lo a pensar em algo que possa transformar o negócio da startup. “Ele pode ser aplicado dentro da Buser sem grande esforço”, diz Kloss.

O curso, no entanto, não foi restrito aos profissionais do portfólio do Softbank. André Moraes, head de tecnologia da agência de marketing de influência BR Media Group, é um dos exemplos dos participantes que não têm relação com o fundo japonês.

Durante o curso, ele desenvolveu, em conjunto com outros alunos, uma API que auxilia na construção de sites de comércio eletrônicos inteligentes. Com base na navegação do consumidor, o algoritmo identifica aquele com maior chance de fazer uma compra e cria estratégias para realizar a conversão.

Moraes vai levar os aprendizados para a BR Media Group, com o objetivo de desenvolver algoritmos que tornem as campanhas da agência mais eficientes para os clientes, otimizando o orçamento de marketing para que alcancem melhores resultados.

O objetivo do Softbank não foi apenas capacitar os profissionais das suas próprias startups. O fundo também quer encontrar talentos e recrutá-los para as companhias de seu portfólio.

“Estamos vendo quem se saiu melhor no curso e tentando ajudar a colocar em posições nas nossas empresas”, afirma André Maciel, um dos sócios do Softbank na América Latina. “É uma boa fonte de talento.”

Durante o curso, as empresas do portfólio do Softbank puderam apresentar as vagas abertas em suas empresas aos participantes. Na Buser, segundo Kloss, muitas entrevistas foram agendadas.

Não há dúvida de que a inteligência artificial vai transformar o mundo dos negócios. Masayoshi Son, o fundador e CEO do grupo, chegou a dizer, no fim do ano passado, que a inteligência artificial era tão importante que deveria ser matéria obrigatória para os alunos ingressarem em universidades no Japão.

Na América Latina, região onde o Softbank já aportou recursos em 18 empresas, os alunos agora voltam para as suas startups cheios de ideias para colocar em prática.

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