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Para Roberto Setubal, do Itaú Unibanco, pandemia acelera fechamento de agências

O presidente do conselho de administração do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, afirmou que os serviços bancários vão ficar ainda mais digitais e que a tendência é os clientes irem menos às agências

 

Roberto Setubal, presidente do conselho de administração do Itaú Unibanco

Há poucas certezas sobre como será o mundo pós-Covid-19. Mas é quase unanimidade que ele será mais digital. E, em alguns setores, como o bancário, que já usa de forma intensiva a tecnologia, isso deve ser acelerado. É o que acredita o presidente do conselho de administração do Itaú Unibanco, Roberto Setubal.

“No mundo financeiro, o digital tem um espaço enorme para continuar se desenvolvendo. Os clientes têm usado cada vez mais. Antes da crise, os níveis de transação chegavam a 70%, 80%, 90%, dependendo do serviço. E agora vai crescer ainda mais. O que significa no futuro menos agências”, disse Setubal.

A declaração foi feita durante uma live nesta quinta-feira, 16 de abril, no Fórum da Liberdade, evento organizado pelo Instituto de Estudos Empresariais, de Porto Alegre. Participaram também do debate o empresário Jorge Paulo Lemann, José Galló, da Renner, e David Vélez, da Nubank.

Segundo Setubal, são os clientes que vão definir o número de agências que o Itaú vai ter. “Se eles não querem ir às agências, não há razão de ter”, disse ele. “Isso tudo é uma evolução que os próprios clientes vão definindo ao longo do tempo.”

Hoje, muitos clientes ainda gostam de ir às agências, comentou Setubal. Mas ele lembrou que o pessoal mais jovem prefere o atendimento virtual.

“Portanto, temos uma tendência de continuar reduzindo as agências. Nos últimos anos, a gente vem reduzindo num ritmo de mais ou menos 400 agências por ano. E acho que essa tendência pode até se acelerar neste momento”, disse Setubal.

“Nos últimos anos, a gente vem reduzindo num ritmo de mais ou menos 400 agências por ano. E acho que essa tendência pode até se acelerar neste momento”, disse Setubal

A visão de Setubal se baseia no fato de que muitas pessoas que eram resistentes ao uso de tecnologia digital nos serviços bancários agora estão usando o smartphone para essas transações.

“Muitos clientes que eram pouco afeitos a utilizar o celular, neste momento, estão tendo que aprender, gostam e utilizam cada vez mais”, afirmou o presidente do conselho do Itaú Unibanco.

Setubal elogiou as medidas do Banco Central, que garantiram mais liquidez ao sistema financeiro e acrescentou que os bancos têm um papel importante para atravessar e sair da crise.

De acordo com ele, o Itaú Unibanco está “rolando” dívidas dos clientes e aumentando sua carteira de crédito. Setubal citou também a doação de R$ 1 bilhão, anunciada pela instituição, a maior doação privada da história do Brasil, para ajudar ao combate do Covid-19.

Durante o debate, Setubal cobrou reformas urgentes para que o Brasil retorne a um nível de crescimento mais rápido. Ele disse que, nessa década, o PIB brasileiro será zero ou levemente negativo. “Nem na década de 1980, que é considerada a década perdida, o PIB foi zero”, lembrou Setubal.

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