“Se você consegue vencer no Brasil, você vence em qualquer lugar do mundo”, diz chefão do Softbank

Marcelo Claure, CEO do Softbank International, afirmou em conversa com o CEO do Banco Inter, João Vitor Menin, que as coisas no Brasil são tão difíceis que forçam os empreendedores a se prepararem para os piores cenários possíveis

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Marcelo Claure, COO do Softbank Group e CEO do Softbank International

Como COO do Softbank Group e CEO do Softbank International, o executivo Marcelo Claure tem uma visão privilegiada do setor de inovação. Por isso, seus conselhos costumam ser recebidos com atenção. E a mensagem que dá para os empreendedores brasileiros é direta.

“Se você consegue vencer no Brasil, você vence em qualquer lugar do mundo”, disse Claure, que também é responsável pelos investimentos do fundo na América Latina, em um bate-papo com o CEO do Banco Inter, João Vitor Menin, no primeiro episódio da série de podcasts Conversas com Grandes Líderes. “As coisas no Brasil são tão difíceis que forçam os empreendedores a se preparem para os piores cenários.”

Claure tem experiência para falar sobre empreender no Brasil. Em 1997, o boliviano radicado nos EUA fundou a Brightstar, empresa que fornecia soluções de telefonia móvel, como a revenda de aparelhos usados. A operação começou em Miami, nos Estados Unidos, e se espalhou pela América Latina, incluindo o Brasil.

“Tivemos que criar uma cadeia que usava caminhões, barcos e até canoas para chegar em regiões da Amazônia”, lembra o executivo. “Quando chegamos nos Estados Unidos era ótimo ver os produtos chegando ao destino em 24 horas.”

Por seis anos, a Brightstar se tornou a maior empresa americana liderada por um executivo de ascendência latina. Em 2014, Claure vendeu a companhia para a empresa de telecomunicações Sprint (que por sua vez se fundiu à T-Mobile no ano passado).

O conselho de Claure também foi usado como exemplo para dizer que o Inter tem grandes chances de obter sucesso em sua estratégia de expansão internacional. “Temos uma plataforma avançada de produtos que vão além dos serviços financeiros”, afirma João Vitor Menin.

Para os executivos, a pandemia acelerou a digitalização e a disrupção de praticamente todos os setores, de logística e serviços financeiros à educação e ao entretenimento. Nesse cenário, as empresas que não se atualizarem ficarão obsoletas.

É o caso das instituições financeiras. Grandes bancos estão correndo atrás de inovação para não perderem espaço para as novas fintechs, que facilitam o acesso e desburocratizam o setor. “A tecnologia fez com que a bancarização de boa parte da população brasileira se tornasse acessível”, afirma Menin.

Para os próximos meses, Claure prevê uma retomada econômica acelerada. Com mais otimismo, aliado aos pacotes de estímulos que estão sendo aprovados, e um impulso de sair de casa, os consumidores tendem a gastar mais. “O último semestre de 2021 e o primeiro trimestre de 2022 serão ótimos”, diz ele.

Em sua visão, essa recuperação econômica chegará ao Brasil, mas de modo um pouco mais lento. “O país vive um momento complicado, com o aumento de casos de infecção”, afirma. “Não gosto de criticar governos, mas não acredito que o Brasil vá ganhar um prêmio por lidar com a Covid de forma eficaz”, diz Claure.

“Não gosto de criticar governos, mas não acredito que o Brasil vá ganhar um prêmio por lidar com a Covid de forma eficaz”, diz Claure.

Claure é responsável por supervisionar os investimentos do Softbank na América Latina. O fundo de venture capital destinou US$ 5 bilhões para investir em startups na região e foi determinante na “criação” de unicórnios no Brasil, como Gympass, QuintoAndar, Loft, Rappi e Loggi. O Banco Inter, que tem capital aberto e é avaliado em R$ 34,9 bilhões, também recebeu aporte do fundo quando já era listado na B3.

Como braço direito de Masayoshi Son, o fundador do Softbank, Claure também foi o escolhido para resolver alguns dos maiores problemas do fundo. Ele é o chairman do WeWork, operação de escritórios compartilhados que tentou abriu o capital no ano passado e não conseguiu, quase foi à falência e precisou ser resgatado pelo Softbank, que era o principal investidor da empresa.

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