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Startups

Startup, bilionária e deficitária? A farra dos IPOs pode acabar

Segundo o Bank of America, 70% das startups que abriram capital neste ano são deficitárias. E o mau desempenho das estreantes em bolsa está colocando esse modelo na berlinda

 

Lyft e Uber abriram o capital neste ano. As duas são deficitárias

Uma estratégia, em particular, une boa parte das startups de tecnologia: a busca por altas taxas de crescimento, sob o custo não menos elevado de uma intensa queima de caixa. E de seguidos resultados deficitários.

Financiado por injeções de capital da indústria de venture capital, especialmente nos Estados Unidos, esse modelo ganhou ainda mais força nos últimos anos. E ultrapassou a fronteira dos aportes e avaliações bilionárias por parte dos fundos de investimento.

É o que aponta um relatório do Bank of America, divulgado pelo site americano Business Insider. Segundo o banco, 70% das companhias de tecnologia que abriram capital em 2019 são empresas não lucrativas. Essa é a maior alta no índice desde o pico da bolha da internet, no ano 2000.

As conexões entre esses dois períodos também são o tema de um estudo recente de Jay Ritter, professor da Universidade da Flórida. De acordo com a pesquisa, os IPOs de startups avaliadas em US$ 10 bilhões ou mais realizados no primeiro semestre de 2019 captaram, em média, US$ 472 milhões. O montante é o maior registrado desde boom das empresas pontocom no início do século.

Mas se o capital vem se mostrando mais abundante nas estreias em bolsa dessas novatas, o desempenho sofrível pós-IPO cada vez mais remete às incertezas sobre a consistência de muitas das primeiras empresas de internet. E, nesse contexto, os principais questionamentos recaem sobre a validade da estratégia de apostar no crescimento a qualquer custo.

“O que aproxima esses dois períodos são as avaliações irracionais de muitos ativos”, diz Daniel Domeneghetti, CEO da consultoria E-Consulting. “Já a diferença é o fato de que, hoje, a indústria tem casos de sucesso para contar. E é mais madura em todos os seus elos.”

Domeneghetti destaca os reflexos desse ecossistema mais sólido. “Atualmente, o mercado tem muito mais critérios e referências para comparar. De um lado, há mais diluição de risco, mas a régua está subindo”, afirma. “E o tombo é muito maior, de bilhões de dólares. Essas empresas estão pagando o preço dessa nova avaliação do mercado.”

Ele cita alguns exemplos: “A Uber tem um bom modelo, mas que é facilmente replicável”, observa. “Já o WeWork buscou uma avaliação bilionária como se fosse inovador quando, na prática, é apenas uma empresa de real state.”

Dados compilados pela consultoria americana Renaissance Capital, especializada em IPOs, mostram claramente o resultado dessa avaliação mais rígida do mercado de capitais. As 32 companhias que abriram capital neste ano tiveram um retorno médio sobre o preço inicial de suas ações de 5%. Em 2018 e 2017, esse índice foi de 13% e de 94%, respectivamente.

O adiamento recente de algumas aberturas de capital, em especial, o IPO da própria WeWork, só reforça a perspectiva de que a combinação startup bilionária e deficitária pode deixar de prevalecer.

“Cancelamentos recentes de ofertas podem ser um sinal de alerta de que os investidores estão mudando o foco para a lucratividade”, afirmou o relatório do Bank of America. “O potencial efeito cascata pode ser significativo.”

Avaliada em mais de US$ 2 bilhões, a última unicórnio a adiar os planos de abrir capital foi a americana Postmates. Depois de programar seu IPO para esse semestre, a startup de entregas decidiu postergar a estreia na bolsa no início da semana passada.

Mudança no foco

Talvez o maior nome entre os fundos responsáveis pelo financiamento de startups nos últimos anos, o Softbank, ao que tudo indica, pode contribuir para consolidar essa nova abordagem na indústria de venture capital.

A empresa japonesa estaria negociando um novo aporte no WeWork, companhia na qual detém cerca de um terço da operação e que corre o risco de ficar sem caixa a partir de novembro..

Com a possível injeção de mais US$ 1 bilhão, o Softbank assumiria o controle do negócio. E, de quebra, reduziria ainda mais a participação e o poder de Adam Neumann, cofundador do WeWork, que foi forçado a deixar o posto de CEO no fim de setembro.

Ao mesmo tempo, uma reportagem da americana CNBC destacou que Masayoshi Son, CEO do Softbank, está considerando em mudar o foco dos investimentos realizados pela empresa.

Em um contraponto à tese pela qual a companhia ficou conhecida, a nova abordagem privilegiaria as “empresas com caminhos mais claros para lucratividade e ofertas públicas”, em detrimento das startups de crescimento acelerado, às custas da perda de dinheiro.

Além do insucesso no IPO do WeWork, a alteração no curso teria como pano de fundo a má performance de empresas de seu portfólio, como a Uber, depois de seus respectivos IPOs.

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