Startup de Tom Brady chega ao Brasil em parceria com a Adventures

A Religion of Sports, startup de mídia cofundada pelo quarterback sete vezes campeão do Super Bowl desembarca no País para produzir conteúdos de esporte e entretenimento com a empresa brasileira

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Tom Brady, quarterback do Tampa Bay Buccaneers e cofundador da Religion of Sports

Sete vezes campeão do Super Bowl e considerado por muitos como o melhor quarterback da história da NFL, Tom Brady tem mostrado sua habilidade também em outro campo: os negócios. Aos 44 anos, o atleta americano é um dos nomes por trás da Religion of Sports, empresa fundada em 2017.

Assim como o Tampa Bay Buccaneers avança jardas a cada jogada arquitetada por Brady, a startup de mídia vem ganhando terreno na criação de conteúdos em áudio e vídeo relacionados aos esportes. E, agora, essa estratégia está trazendo a companhia ao mercado brasileiro.

O passaporte para desembarcar no País é uma parceria com a brandtech Adventures. Com foco em conteúdos originais unindo esportes e entretenimento, o acordo poderá envolver desde a criação até a produção e a comercialização a quatro mãos para e a partir do mercado brasileiro.

“O Brasil está entre os principais mercados de todas as grandes plataformas sociais e de conteúdo”, diz Sergio Floris, sócio e diretor geral de conteúdo original da Adventures, ao NeoFeed. “A Religion of Sports já tinha um pé no País e esse era um roteiro natural dentro da sua expansão internacional.”

O laço com o País citado por Floris não é uma referência ao casamento de Brady com a modelo brasileira Gisele Bündchen. E sim à rodada de US$ 10 milhões captada pela startup em 2020, que foi liderada pelo Elysian Park Ventures, braço de investimentos do time americano de beisebol LA Dodgers.

Entre outros investidores, o aporte contou com a participação de um “time” de 25 brasileiros. A lista inclui nomes como os tenistas André Sá e Thomaz Bellucci, o jornalista Felipe Andreoli e o fundo Verve Capital.

A Religion of Sports, que tem ainda entre seus fundadores o cineasta Gothan Chapra e Michael Strahan, ex-atleta do New York Giants e outra estrela da NFL, já produziu séries como “Tom vs. Time”, que mostrava a busca de Brady por se manter relevante no esporte e foi premiada com um Emmy.

O leque também inclui títulos como “Simone vs. Herself”, que retrata a preparação da ginasta Simone Biles para a Olimpíada de Tóquio, e “Greatness Code”, série com histórias até então inéditas contadas por grandes nomes do esporte, como Lebron James, Tony Hawk e Kelly Slater.

O plano é conectar essa abordagem com a estrutura da Adventures, que também cuidará dos perfis da parceira em redes sociais no País. Fundado em dezembro de 2020, o grupo brasileiro tem unidades de tecnologia, de dados e inteligência, publicidade e criação de conteúdos, entre outros braços.

No campo das produções, a Adventures desenvolve desde de vídeos de 15 segundos para o TikTok até séries, documentários e reality shows. A empresa já criou projetos e estratégias para marcas como Stone, TikTok, Tinder, Disney, Lojas Americanas e Domino’s.

A partir da combinação dos ativos das duas companhias, o objetivo é criar conteúdos com atletas locais que despertem o interesse de anunciantes e plataformas de serviços de streaming.

Olivia Chiesi, sócia e produtora executiva da Adventures

“Hoje, temos atletas brasileiros de renome internacional e muitas boas histórias para contar, mas isso é ainda pouco explorado no País”, diz Olivia Chiesi, sócia e produtora executiva da Adventures. “O esporte tem uma questão de resiliência, que é bem a pegada da Religion e que se aplica muito ao Brasil.”

Floris acrescenta que o plano é buscar inspiração nas produções da Religion of Sports para fugir da abordagem tradicional do esporte no mercado local, ainda muito centrada em um viés jornalístico e factual. E com pouco espaço para o entretenimento.

“O ethos deles é tratar esporte como religião. Vamos olhar esses formatos, tropicalizar e entender como eles podem se conectar com as marcas. Não será um simples copy paste”, diz. “Da mesma forma, podemos criar projetos do zero. Vai ser uma troca constante.”

Do Brasil para o mundo

A fonte inicial para a criação dessas produções será o portfólio de atletas brasileiros representados pela Adventures. Entre eles, o surfista Gabriel Medina; o zagueiro Thiago Silva; e Leticia Bufoni, skatista e maior vencedora do XGames.

O plano é desenvolver produções que possam ganhar o mundo. “Tudo vai depender da história e das marcas envolvidas”, explica Olivia. “Mas esse é um processo natural. Hoje, muitos dos atletas de ponta do Brasil estão competindo fora do País.”

A ideia é que todos os projetos sejam produzidos com o apoio de marcas ou plataformas de streaming já na largada. “Hoje, o anunciante sabe que pode gastar milhões em comerciais de 30 segundos ou milhões em uma série original, que vai ficar muito mais tempo no ar.”

Sergio Floris, sócio e diretor geral de conteúdo original da Adventures

O primeiro projeto da parceria tem previsão de lançamento em 2022. A produção terá como fio condutor a cultura e o mundo do futebol. “Mas não vamos nos restringir ao futebol. Hoje, o Brasil também o país do skate e do surf, por exemplo”, diz Floris.

O surf é a fonte de duas produções recentes no Brasil com esse olhar diferenciado. A primeira é “A Curiosa História de Italo Ferreira”, sobre a trajetória do campeão mundial e medalha de ouro de surf em Tóquio. Coproduzido pela O2 e a Billabong, o documentário está sendo veiculado na RedBull TV.

Outro exemplo é “Brasil do Surfe”, filme produzido com apoio da World Surf League (WSL) e patrocínio de Oi, Corona e Neston, com a participação dos atletas brasileiros que levaram o País a uma posição de destaque no circuito mundial.

Professor de marketing esportivo da ESPM, Ivan Martinho destaca que conteúdos esportivos com esse enfoque ainda estão engatinhando no Brasil. Ele ressalta, porém, o potencial dessas narrativas.

“Há muito mais histórias para contar além do que acontece nas quatro linhas, nas quadras ou no mar”, diz. “O esporte tem drama, emoção e todos os ingredientes de uma boa história.”

Martinho acrescenta que esse tipo de produção tem um grande apelo para as marcas. Mas faz uma ressalva.“As plataformas de streaming ainda não abrem seus números de assinantes e essa é uma métrica importante para quem foi educado por décadas a comprar audiência”, diz. “Superada essa barreira, o apetite das marcas será enorme.”

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