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De “carros voadores” à preservação do caixa: Embraer traça seu futuro sem a Boeing

A Embraer já está executando seu plano estratégico traçado para o período de 2021/205, que passa por ganhos de eficiência, ampliação das vendas e diversificação dos negócios, como a Eve, que vai desenvolver um veículo elétrico de decolagem e pouso vertical

 

Eve, a empresa da Embraer que vai desenvolver um veículo elétrico de decolagem e pouso vertical

Pandemia, dólar nas alturas e o insucesso do longo acordo para a criação de uma joint venture de aviação comercial com a americana Boeing. Em 2020, não foram poucos os desafios no caminho da Embraer. Como um fator agravante nesse cenário, os sinais recentes que apontam para uma segunda onda da Covid-19.

Diante desse horizonte ainda recheado de incertezas, a empresa não está, no entanto, parada. Enquanto lida com os desafios de curto prazo e enxerga um cenário mais favorável a partir de 2021, a companhia está centrada no desenvolvimento e na execução de seu plano estratégico para o pós-crise.

“Estamos sendo bastante realistas e conservadores”, disse Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer, em teleconferência nesta terça-feira, 10 de novembro. “No curto prazo, o foco segue na preservação de caixa. Em paralelo, estamos nos preparando para uma performance bem melhor em 2021 e para crescer nos anos seguintes.”

Segundo o executivo, o plano estratégico traçado para o período de 2021 a 2025 conta com três pilares. O primeiro deles é o ganho de eficiência, que passa por iniciativas como a criação recente de uma área de inteligência de logística e pela implantação, em andamento, de um grande projeto de gestão de estoques.

“Temos uma equipe dedicada para avaliar o planejamento de materiais e de logística de ponta a ponta”, afirmou Gomes Neto, que também destacou a busca pela redução no ciclo de produção de aeronaves como outra frente para diminuir custos e liberar mais capital de giro para a operação.

Em uma segunda vertente, o plano foca a ampliação das vendas. “Temos o benefício de ter produtos novos e competitivos em todos os segmentos em que operamos”, disse Gomes Neto. “Além disso, vamos focar na adaptação de aeronaves para segmentos específicos, como os E-jets, para transporte de cargas na cabine de passageiros, e o recém-lançado Phenom 300, para evacuação médica.”

O terceiro pilar, por sua vez, prioriza a busca por potenciais parcerias estratégicas para a abertura de novos mercados ou o desenvolvimento de produtos, como um novo Turboélice. E pela diversificação de negócios.

Nessa última ponta, um destaque recente foi o lançamento, em outubro, da Eve, spin-off da Embraer X, braço de inovação da Embraer, dedicado a projetos na área de mobilidade aérea urbana. Entre eles, um veículo elétrico de decolagem e pouso vertical (eVTOL), além da criação de serviços de solução de gestão de tráfego aéreo urbano. Outras fabricantes, como a Airbus, estão investindo nessa seara.

“Estamos trabalhando no ecossistema completo e acreditamos que podemos ter uma solução ainda nesta década”, disse o executivo, ressaltando que o spin-off teve como objetivo alavancar fundos para acelerar esse desenvolvimento.

“Esse produto pode mudar a dinâmica do transporte de passageiros nas grandes metrópoles e a própria dinâmica da Embraer”, afirmou Neto. “Ao todo, a estratégia 2021/2025 tem 18 projetos. É um plano realista, com metas desafiadoras, mas factível.”

Terceiro trimestre

Enquanto vislumbra essas perspectivas, a Embraer ainda sofre com os efeitos do contexto desafiador do ano. No terceiro trimestre, a empresa reportou um prejuízo líquido de R$ 649 milhões, contra uma perda de R$ 314,4 milhões, um ano antes.

A receita líquida recuou 12,8%, para R$ 4,09 bilhões. Todos os segmentos de atuação da fabricante registraram quedas: aviação comercial, de 23,4%; aviação executiva, de 28%; defesa e segurança, de 20,4%; e serviços e suporte, de 28%.

Entre julho e setembro, a Embraer entregou 7 jatos comerciais e 21 jatos executivos, contra 17 aeronaves comerciais e 27 executivas no terceiro trimestre de 2019. “Muitos clientes reprogramaram as entregas para o terceiro e o quarto trimestre”, afirmou Antônio Garcia, vice-presidente financeiro, que ressaltou ainda o fato de a empresa não ter contabilizado nenhum cancelamento de pedido.

Garcia também destacou a “forte posição de caixa” da empresa, de R$ 12,3 bilhões, semelhante ao nível que a fabricante detinha antes da pandemia. Entre outras iniciativas, no período, a Embraer emitiu US$ 750 milhões em títulos com vencimento em 2028.

Desse montante, US$ 250 milhões foram usados para quitar antecipadamente parcelas de seus títulos de 2022 e 2023. Os US$ 500 milhões restantes reforçaram o caixa da companhia que, no trimestre, também ampliou seu prazo médio de endividamento de 3,8 anos para 4,5 anos.

O período também foi marcado por três programas de demissão voluntária, com o corte de 2,5 mil profissionais. “Temos feito o possível para preservar empregos, mas não temos controle sobre a crise. E ela não acabou”, disse Neto, acrescentando que é difícil prever se será preciso fazer novas demissões.

Com a divulgação do balanço, as ações da Embraer estavam sendo negociadas em queda de 4,45% por volta das 12h15. Avaliada em R$ 5,2 bilhões, a empresa registra uma desvalorização superior a 62% em seus papéis no acumulado do ano.

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