Negócios

Fusão cria gigante no setor de distribuição de insumos agrícolas no Brasil

O fundo de private equity Aqua Capital promoveu a fusão de diversas empresas de seu portfólio e criou a AgroGalaxy, grupo de distribuição de insumos agrícolas do País com faturamento anual de R$ 4,3 bilhões, 81 lojas e presença em nove Estados

 

Trator pulverizando com defensivo agrícola uma área de soja

A  consolidação chegou ao campo. Desde 2016, o fundo de private equity Aqua Capital, especializado em investimentos em empresas de alimentos e do agronegócio, foi às compras na área de distribuição de insumos agrícolas.

Naquele ano, a Aqua Capital, que tem US$ 650 milhões de ativos sob gestão, comprou a Rural Brasil, que atuava na região do Cerrado brasileiro. Um ano depois foi a vez de adquirir a Agro 100, com presença no Paraná e no Mato Grosso do Sul.

A fome de aquisições da Aqua Capital seguiu forte em 2018, quando comprou a Agro Ferrari e a Grão de Ouro e chegou a São Paulo e Minas Gerais, respectivamente. No ano passado, foi a vez de adquirir a Sementes Campeã e os ativos da Sementes Fróes e CDB.

Essa coleção de empresas está se unindo agora debaixo da holding AgroGalaxy, criando um grupo de distribuição de insumos agrícolas do País gigante, com faturamento anual estimado em R$ 4,3 bilhões, 81 lojas e presença em nove Estados. A fusão já recebeu o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômico (Cade).

“O setor de insumos era e continua muito fragmentado, com um potencial muito grande de investimento de private equity”, afirma Tomás Romero, sócio da Aqua Capital e responsável pela tese da AgroGalaxy, que diz que está nos planos seguir fazendo mais aquisições no setor.

Com a criação da AgroGalaxy, o executivo Welles Pascoal foi nomeado CEO do grupo, que conta com 1.500 funcionários (450 deles são agrônomos), atende 16,5 mil agricultores em mais de 900 cidades brasileiras.

“Não vendemos apenas insumos, temos também uma série de serviços, como de assistência técnica ao agricultor, soluções de barter e de crédito, além de capacitação de tecnologias de ponta”, diz Pascoal. “Eu costumo definir que somos a loja do campo.”

Apesar da criação do grupo, as marcas vão permanecer porque a avaliação é de que elas são fortes regionalmente. Mas a ideia da holding é usar as sinergias para compras e negociações com fornecedores. “No barter, que é a troca de insumos por grãos, estamos mais competitivos”, afirma Pascoal.

A AgroGalaxy trabalha com os principais fornecedores de insumos agrícolas presentes no País, entre eles Bayer, Corteva e Basf. A holding tem também parceria com os principais bancos brasileiros para o fornecimento de crédito, como Banco do Brasil, Caixa, Itaú, Bradesco e Santander.

O novo grupo entra na briga por um mercado de R$ 46,8 bilhões, segundo dados da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (ANDAV). A área que mais contribui para o faturamento foi a de insumos para grãos e cereais, com 54%. As hortícolas representaram 4%, com a pecuária e o café, com 3% cada um.

De acordo com estimativas da AgroGalaxy, o setor de defensivos tem um faturamento anual de US$ 10,5 bilhões no Brasil. Já o de fertilizantes, US$ 10,4 bilhões. A holding estima que há 6 mil distribuidores de insumos agrícolas no País.

Essa fragmentação do setor de distribuição de insumos agrícolas tem atraído também a atenção de outros investidores. A Agro Amazônia, por exemplo, que faturou R$ 1,6 bilhão em 2019, é controlada pelo grupo japonês Sumitomo.

A SinAgro, distribuidora com sede em Goiânia, que fatura mais de R$ 1 bilhão, conta também com investidores internacionais. A indiana de agroquímicos UPL é dona de uma fatia de 45% da empresa desde 2015. E o fundo das Ilhas Maurício Global Capital Fund adquiriu 46% em 2018.

(da esq. à dir) Os sócios da Aqua Capital Sebastián Popik e Tomas Romero e o CEO da AgroGalaxy, Welles Pascoal

A fusão que cria um gigante na área de distribuição de insumos agrícolas é uma jogada da Aqua Capital, um fundo de private equity fundado em 2009 por Sebastián Popik, que hoje é o managing partner da gestora.

Desde então, a Aqua Capital fez mais de 30 investimentos, organizados pelo que a gestora chama de 14 plataformas. Essas empresas contam com 6 mil funcionários e devem gerar mais de R$ 6 bilhões de receita operacional bruta em 2020.

Faz parte do portfólio da Aqua Capital empresas como a Comfrio, operador de logística frigorificada, com 18 centros de distribuição espalhados pelo Brasil; a Grand Cru, varejista especializada em vinhos; Yes, empresas de aditivos para alimentação animal; e Lac Lélo, produtora de queijo localizada em Santa Catarina, entre outros negócios

A Aqua Capital compra participações majoritárias de empresas familiares. “Mas a ideia é sempre manter os fundadores junto do negócio”, diz Romero. A gestora foca no Brasil, onde está localizada sua sede, mas mantém escritórios na Argentina e Colômbia. Atualmente, conta com 22 profissionais de investimentos.

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