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Fique em casa: Beep Saúde, de atendimento domiciliar, capta R$ 110 milhões

Aporte é liderado pelo Valor Capital e conta com a participação de DNA Capital, Bradesco, Endeavor Catalyst e David Vélez, fundador do Nubank. Na rodada, a healthtech, que oferece vacinação e exames laboratoriais em domicílio, foi avaliada em R$ 670 milhões

 

A Beep Saúde, uma healthtech que vai até a casa dos clientes para fazer a coleta para exames laboratoriais e aplicar vacinas, captou R$ 110 milhões em uma rodada série B, liderada pelo Valor Capital.

A rodada foi seguida por DNA Capital, gestora que tem entre seus investidores a família Bueno, controladora do laboratório Dasa, o Bradesco e a Endeavor Catalyst. O fundador e CEO do Nubank, David Vélez, participou do aporte como investidor-anjo.

“Apostamos em saúde domiciliar desde 2017. Esse investimento mostra que olhamos para a tese certa, na hora certa”, diz o fundador e CEO da Beep Saúde, Vander Corteze, ao NeoFeed. Até então, a startup havia captado apenas R$ 23 milhões em duas rodadas. Neste aporte, a healthtech foi avaliada em R$ 670 milhões.

Segundo Corteze, a pandemia acelerou uma mudança de comportamento que favorece o formato de saúde domiciliar. A startup faturou R$ 55 milhões em 2020 e a projeção é superar os R$ 140 milhões em 2021. “O faturamento é uma consequência da demanda e do serviço que oferecemos”, diz Corteze.

Com os recursos, a Beep Saúde pretende dobrar o tamanho da equipe, fechando o ano com mil funcionários. Hoje, ela conta com 500 empregados, dos quais cerca de 350 são equipes operacionais, entre enfermeiros e motoristas. Os demais estão alocados em posições administrativas. No momento, há 300 vagas abertas

“A Beep tem potencial de provocar uma mudança estrutural no mercado da saúde no Brasil”, diz Michael Nicklas, sócio do Valor Capital. “Sabemos que a oferta de serviços médicos em domicílio já existe há muito tempo, mas em uma escala reduzida, como um serviço premium.”

A healthtech quer expandir as regiões em que atua a partir dessa captação. Atualmente, a startup está presente no Rio de Janeiro, Distrito Federal, São Paulo e Paraná. Em breve, vai entrar também em Minas Gerais e no Espírito Santo.

Nas praças em que opera, a Beep Saúde criou o que chama de “cloud clinics”, que têm toda a regulamentação de clínicas de saúde, mas que funcionam como hubs logísticos de onde saem as equipes operacionais que aplicam vacinas ou fazem a coleta para exames laboratoriais nas casas dos clientes.

Vander Corteze, fundador da Beep Saúde

A estratégia da healthtech é oferecer um custo inferior ao reduzir seus gastos imobiliários e otimizar a logística da operação. “Se você levanta nosso capô, somos 50% healthtech e 50% logística”, diz Corteze. “Usamos indicadores de performance característicos das empresas de logística, com foco em otimizar rotas e sermos mais eficientes nessa entrega.”

A operação da Beep Saúde começou com vacinas. Atualmente, a startup oferece todos os imunizantes infantis, além de opções como a vacina contra a febre amarela. Nos últimos anos, a startup vem dobrando a quantidade de vacinas aplicadas. No ano passado, bateu a marca de 300 mil doses.

Corteze afirma que consegue oferecer as vacinas a preços semelhantes ou inferiores às clínicas, mas com a vantagem de fazer a aplicação na casa do cliente.

Em São Paulo, por exemplo, a vacina de febre amarela custa R$ 154 na Beep Saúde, valor até R$ 100 inferior ao de concorrentes, segundo a startup. A de hepatite B para adultos custa R$ 123, preço semelhante ao de grandes laboratórios.

“As vacinas são para nós o que os livros foram para a Amazon”, diz Corteze sobre a gigante que começou como uma livraria online e hoje vende de tudo.

O passo seguinte, para a Beep, foi oferecer exames laboratoriais. Atualmente, a startup faz apenas testes do pezinho, sexagem fetal e testes de Covid-19. Os próximos da lista são a coleta de exames de sangue e de urina, infusão de medicamentos e exames de vista.

O material coletado vai para as “cloud clinics” e, de lá, é enviado para ser processado no núcleo técnico operacional da Dasa, com quem a startup tem uma parceria na análise dos resultados.

O objetivo da Beep é se tornar um “one-stop-shop” para a área de saúde. “Queremos que a Beep seja a principal referência quando alguém precisar fazer um exame, tomar uma vacina, ou precisar fazer a infusão de um medicamento”, diz Corteze. Todas as solicitações são feitas diretamente pelo aplicativo da startup.

Aplicativo da Beep Saúde

No caso dos exames, a Beep mantém parcerias com planos de saúde, como Bradesco e Bupa Care Plus, para que os segurados possam usar os serviços sem precisar pagar taxas adicionais. No caso das vacinas, boa parte dos serviços são contratados de forma particular.

“A saúde domiciliar é uma tendência global. A Beep conseguiu se antecipar a essa tendência”, diz Jeff Plentz, que lidera o fundo de venture capital Techtools Ventures, focado em empresas de saúde. Segundo ele, a atenção primária é cara para ser feita nos hospitais. Nesse cenário, a digitalização tem tornado a saúde domiciliar mais viável.

A Beep Saúde, cuja sede é no Rio de Janeiro, tem um central de treinamento na cidade para capacitar suas equipes de enfermagem. Todos os novos funcionários passam por um treinamento presencial, com duração de 40 dias.

“Em um business que depende das pessoas entrando na casa dos clientes, é preciso uma disciplina militar”, afirma Corteze, em referência ao período em que atuou como oficial militar do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.

Fundada em 2016, a Beep Saúde é a segunda jornada empreendedora de Corteze. Filho de médico, ele foi cofundador da BR Med, rede de clínicas de medicina do trabalho. Embora tenha se afastado de funções executivas, ainda é acionista da empresa.

Com a Beep, Corteze conta ter se inspirado em apps de e-commerce. A facilidade para comprar e receber em casa chamou sua atenção. Na época do fique em casa (se puder), a chance de o negócio dar certo aumentou.

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