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Negócios

A luta do dono do Pão de Açúcar para não perder seu império

Pressionado por bancos e com dívidas de 3 bilhões de euros, o francês Jean-Charles Naouri, CEO e controlador do grupo francês Casino, enfrenta seu maior desafio

 

Jean-Charles Naouri, presidente e controlador do Casino, dono do Pão de Açúcar no Brasil

Ao longo das últimas três décadas, o empresário francês Jean-Charles Naouri construiu seu império varejista com mão de ferro e um estilo centralizador que caracteriza seu modo de administração.

O todo-poderoso do varejo francês é dono do grupo Casino, que detém a sofisticada marca Monoprix e a loja de conveniência Franprix, na França. A companhia mantém ainda da Cdiscount, um site de comércio eletrônico. Na América Latina, o Casino controla o Pão de Açúcar no Brasil e a rede Éxito, na Colômbia.

No primeiro semestre deste ano, as operações do Casino faturaram 17,8 bilhões de euros e tiveram um prejuízo de 232 milhões de euros, mais do que o triplo do que o registrado no mesmo período do ano passado.

Mas esse balanço vermelho do Casino está longe de ser a maior preocupação de Naouri. Com dívidas de mais de 3 bilhões de euros, o império construído por Naouri está passando por um de seus momentos mais turbulentos.

Nos últimos meses, Naouri travou uma queda de braço com o mercado, que apostava na sua insolvência. Mas, em maio, o empresário tirou uma carta da manga, que surpreendeu a todos.

Ele ingressou com um “procédure de sauveguarde”, uma espécie de recuperação judicial, que garante salvaguarda para empresas com problemas financeiras.

Duas holdings com ações na bolsa, a Rallye e a Finatis, e a entidade privada Euris, que controlam o Casino, conseguiram a salvaguarda. O Casino, por sua vez, ficou fora do regime de salvaguarda.

Com isso, o tribunal francês congelou a dívida do grupo controlador por 18 meses. Foi um alívio temporário para Naouri, que manteve o controle, enquanto busca uma solução.

“Ele sempre tem plano A, B, C e até mesmo D. Ele não está fazendo nada no desespero”, diz uma fonte

“Desde que eu o conheço, sei que ele planeja, de forma cautelosa, cada passo”, afirma uma fonte, que trabalhou com Naouri. “Ele sempre tem plano A, B, C e até mesmo D. Naouri não está fazendo nada no desespero, não tenho dúvida.”

O problema é que o tempo está correndo e as opções para sair dessa situação estão se estreitando, o que aumentam as especulações sobre quais são os próximos passos do Casino.

A venda das joias da coroa, o Monoprix e o Franprix, parecem enfrentar, por enquanto, resistência de Naouri. Suas vendas reduziriam drasticamente a dívida do Casino.

O jornal britânico Financial Times publicou, na semana passada, que o Casino poderia vender parte ou toda a sua operação latino-americana.

Até mesmo uma fusão com o arquirrival Carrefour, que foi motivo de embate entre o empresário Abilio Diniz e Naouri, em 2011, estaria sendo considerada. Nenhuma das informações são confirmadas pelas partes envolvidas.

“Isso está se configurando como a maior batalha da história de Naouri no varejo”, afirmou Olivier Salomon, diretor de desempenho em varejo da consultoria AlixPartners, de Paris, em entrevista ao Financial Times. “O que está em jogo é se ele conseguirá manter o controle de uma das marcas mais antigas do varejo de alimentos francês.”

Estilo durão

Nascido na Argélia, Naouri é o primogênito de uma professora de inglês e de um médico francês. Desde cedo, mostrou uma inteligência acima do normal. Aos 17 anos, foi para Paris estudar na École Normale Supérieure, um centro de excelência francês.

Sua formação inclui mestrado em matemática pela mesma escola, aos 20 anos. Mais tarde, graduou-se em administração na Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

É leitor voraz de filósofos gregos, especialmente Platão, que lê no original. Sua formação de negócios o levou a assumir, em 1984, o posto de chefe do gabinete do ministro socialista da Economia e Finanças, Pierre Bérégovoy.

O cargo lhe garantiu uma valiosa agenda de contatos, entre eles David Rothschild, um dos herdeiros do banco que leva seu sobrenome. Com Rothschild criou o fundo Euris, com o qual comprou em 1991, a pequena Rallye, em dificuldades financeiras na ocasião, entrando no mercado de varejo.

Na vida pessoal, Naouri é extremamente discreto. Tanto que quando nasceu seu filho do segundo casamento foi trabalhar normalmente. Só informou a equipe do nascimento da criança 15 dias depois. É visto com frequência com o seu indefectível terno preto. Não gosta de piadas e sorri com parcimônia.

Uma de suas qualidades é a forma minuciosa com que analisa os contratos. Dizem que é viciado em detalhes

Uma de suas qualidades é a forma minuciosa com que analisa os contratos. Dizem que é viciado em detalhes. Antes da assinatura, passa as noites examinando todas as opções. Por isso, quando há conflitos, sabe exatamente como agir.

Sua ascensão no varejo foi construída a base de processos judiciais e lutas acirradas pela tomada de controle. Alguns de seus sócios ficaram para trás, como o caso dos Baud, ex-donos do Franprix e do Leader Price.

O empresário Abilio Diniz, da família fundadora do Pão de Açúcar, vendeu sua parte ao francês, em 2013, depois de uma longa e desgastante batalha com Naouri.

Agora dono de ações no rival Carrefour, Diniz falou recentemente sobre a situação de seu ex-sócio. “É uma pena o que está acontecendo. Espero que ele [Naouri] saia disso. Não estou vibrando nem um pouco”, disse ao jornal Valor.

Ao mesmo tempo em que brigava com seus sócios, Naouri usava de uma sofisticada engenharia financeira para conquistar o controle de ativos, ao custo de uma alta alavancagem. “Ele sempre esteve endividado”, diz uma fonte do setor de varejo.

Próximos passos

O mercado aguarda os próximos passos de Naouri para sair dessa enrascada. Na América Latina, a tendência é pela reestruturação da operação, através da simplificação acionária.

Se a estratégia for levada adiante, o Pão de Açúcar passaria a controlar o grupo colombiano Éxito e as operações na Argentina e no Uruguai.

No começo deste ano, apesar de dizer que não tinha interesse em vender o Pão de Açúcar, os dirigentes recebiam potenciais interessados na operação brasileira. O fundo Advent, que comprou o Walmart, chegou a fazer uma proposta, mas ela foi recusada.

No período, o Pão de Açúcar conseguiu vender a Via Varejo, por R$ 2,3 bilhões, comprada por um grupo de investidores liderados por Michael Klein, que retomou o comando da companhia fundada por seu pai, Samuel (a Via Varejo é dona das marcas Ponto Frio e Casas Bahia).

Naouri anunciou que deixará de pagar dividendos nos próximos 18 meses, uma economia de 500 milhões de euros

Na França, Naouri anunciou que deixará de pagar dividendos nos próximos 18 meses, medida significará uma economia de 500 milhões de euros.

Ao mesmo tempo, os bancos credores sabem que não há uma solução fácil. Executar a dívida seria deixar o Casino à deriva e reduzir as chances de receber os recursos. Brigar com Naouri e tirá-lo da frente dos negócios pode ser também uma decisão equivocada.

Afinal, ao longo de sua trajetória Naouri comprou diversas brigas. E venceu quase todas. Será que conseguirá sair vencedor dessa nova batalha?

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