Amazon compra fatia da Total Express e entra na corrida da última milha no Brasil

Em seu primeiro investimento inorgânico no País, a gigante americana compra uma fatia de 9,68% da brasileira Total Express para ganhar mais tração nas entregas rápidas aos consumidores

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A aposta em entregas cada vez mais rápidas é uma das etapas mais recentes na disputa dos marketplace pelos cliques e compras dos consumidores no mercado brasileiro. Para isso, os principais nomes do setor começam a reforçar suas estratégias de M&A de olho em ativos ligados à última milha.

Uma das pioneiras desse mercado no mundo, a Amazon é o nome mais recente a usar esse recurso para ganhar ainda mais fôlego e tração no mercado brasileiro. A gigante americana fechou nesta semana a aquisição de uma fatia de 9,68% na Total Express, empresa brasileira de entregas de mercadorias.

Primeiro investimento local do grupo, o acordo foi firmado com a Abril Comunicações S.A, que controla a Total Express e seguirá com 90,32% do ativo. Os termos financeiros não foram revelados e a transação ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

“A conclusão da transação não alterará o controle, a governança ou o modelo de gestão da Total Express, que seguirá operando de forma independente, com sua estrutura organizacional inalterada”, informou a Total Express, em comunicado sobre o acordo obtido pelo NeoFeed.

No documento, a empresa ressalta ainda que o negócio não confere à Amazon o direito de indicar “qualquer membro dos órgãos de administração da companhia”. Procurado pelo NeoFeed, o grupo americano não se manifestou sobre o negócio até o momento.

Fundada em 1993, a Total Express teve seu controle adquirido em 2011 pelo Grupo Abril. Na época, o negócio envolveu uma participação de 90% e foi realizado por meio da DGB, holding de logística e distribuição do grupo brasileiro. Os 10% restantes seguiram com Marcos Monteiro, um dos fundadores da Total.

No fim de 2018, a Total foi adquirida por Fábio Carvalho, como parte do pacote incluído na aquisição do grupo Abril, que estava em recuperação judicial. Agora, a partir do acordo com a Amazon, o investidor encontra uma maneira de extrair valor de um dos ativos envolvidos nesse processo.

Com um faturamento estimado em R$ 1,2 bilhão, hoje, a Total Express opera com 16 hubs e mais de 120 bases de apoio para operações na última milha. Segundo a empresa, essa estrutura responde por mais de 1 milhão de entregas diárias, sendo que 68% delas são concluídas em até 48 horas.

Além da Amazon, a carteira de clientes da companhia inclui concorrentes diretos da empresa americana, como Mercado Livre, Magazine Luiza e Via, além de players como Centauro e Arezzo.

O aporte na Total Express é o primeiro movimento inorgânico da Amazon no Brasil. Fora do País, a empresa não tem medido esforços para acelerar suas capacidades logísticas e turbinar o crescimento do Amazon Prime, plataforma que inclui ofertas exclusivas no e-commerce, frete gratuito e acesso ao serviço de streaming da empresa.

O último acordo nessa direção veio à tona na quarta-feira, 6 de julho, com a compra de 2% da Grubhub, startup americana de delivery de refeições. Em abril deste ano, em mais uma iniciativa para encorpar a plataforma, a Amazon anunciou a criação do Amazon Industrial Innovation Fund, fundo que, a princípio, irá destinar até US$ 1 bilhão para aportes em startups e empresas de logística e supply chain.

No Brasil, como parte dessa estratégia, a Amazon começou a realizar entregas gratuitas em até um dia para os assinantes do Prime em agosto de 2021. A largada incluiu a disponibilidade dessa oferta em 50 cidades, entre elas, São Paulo, Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre (RS).

Entretanto, os principais rivais da Amazon no País saíram na frente nessa corrida. Ao menos, no que diz respeito às aquisições e investimentos na área. É o caso do Mercado Livre que, em agosto do ano passado, anunciou a compra da Kangu, startup brasileira focada em serviços de logística na última milha.

Antes, por meio do Meli Fund, o Mercado Livre já havia investido na Mandaê, outra startup local de logística. No caso da Kangu, o primeiro aporte, envolvendo uma participação minoritária, não revelada, foi feito em setembro de 2020 e antecipado, na época, pelo NeoFeed.

A partir desse primeiro laço com o Mercado Livre, a Kangu ganhou um atalho para chegar a mercados como Colômbia e México. No Brasil, a estrutura da Kangu envolve, por exemplo, mais de 5 mil pontos de coleta e entrega.

Outro nome forte desse mercado com investimentos na última milha é o Magazine Luiza. O pacote da empresa comandada por Frederico Trajano envolve ativos como a Logbee, comprada em 2018, e a transportadora GFL, adquirida em 2020, além de plataformas de entrega como Sode, Plus Delivery e AiQFome, que adicionaram outras categorias ao marketplace do grupo.

Dona das redes Casas Bahia e Ponto, a Via também estreou nessa disputa inorgânica recentemente. Em janeiro desse ano, o grupo anunciou a aquisição de 100% do capital da CNT, logtech brasileira com 11 anos no mercado e clientes como Goodyear, Cimed e Kraft Heinz.

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