Após Rede D’Or comprar SulAmérica, quais as opções da Bradesco Saúde?

Em relatório, o Bank of America destaca que a Bradesco Saúde pode ter seu poder de barganha reduzido nesse cenário. E aponta a venda da operação, com um valuation de R$ 18 bilhões, como uma das saídas

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Na onda de consolidação do mercado de saúde, um segmento, em particular, vem ganhando protagonismo nas últimas semanas – as operadoras de planos de saúde. Foi assim na noite da última quarta-feira, quando a Rede D´Or anunciou a compra da SulAmérica, em um acordo que avaliou a empresa em R$ 15 bilhões.

Um mês antes, no início de janeiro, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a fusão entre a Hapvida e a NotreDame Intermédica, anunciada no início de 2021.

Já a Bradesco Saúde, outro nome relevante nesse espaço, parece seguir à margem dos acordos envolvendo os grandes grupos de planos de saúde. E entender quais são as alternativas para a operação nesse cenário é justamente o foco de um novo relatório do Bank of America (BofA).

Para os analistas do banco, as movimentações recentes sinalizam que, com a crescente consolidação na área, a Bradesco Saúde, com cerca de 3,8 milhões de beneficiários, caminha para ser a última seguradora “pure player” de grande porte.

Nesse contexto, a operação de planos de saúde do Bradesco teria seu poder de barganha reduzido e estaria numa encruzilhada. Especialmente com a incorporação da SulAmérica pela Rede D’Or.

“O Bradesco é altamente dependente dos serviços hospitalares da Rede D’Or (cerca de 20% do volume), que está ganhando escala e poder de negociação”, afirmam os analistas Mario Pierry, Flavio Yoshida, Fred Mendes, Antonio Ruette, Ernesto Gabilondo e Gustavo Tiseo.

Diante desse quadro, o relatório do BofA coloca algumas opções na mesa para a Bradesco Saúde. Entre elas, a venda da operação. Nesse caso, a projeção dos analistas é de que o negócio tenha um valuation de R$ 18 bilhões, ou, na prática, cerca de 10% do valor de mercado atual do Bradesco, na casa de R$ 180 bilhões.

Na contramão dessa possibilidade, outra escolha passaria pelo investimento na aquisição da Amil. Aqui, no entanto, o Bradesco com certeza teria forte concorrência, à medida que crescem os rumores no mercado de que a UnitedHealth, dona da Amil, estaria disposta a vender a operação e que a Dasa seria uma das principais interessadas.

Em busca de condições mais favoráveis de precificação no campo dos laboratórios e diagnósticos, uma terceira alternativa para o Bradesco seria firmar uma parceria com a Dasa ou ampliar sua participação no grupo Fleury. Hoje, essa fatia é de 25%.

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