Com inflação em alta, BTG recomenda cautela e ações da Arezzo, Soma e Assaí

Em relatório, os analistas do BTG Pactual destacam as companhias com capacidade de repassar custos aos consumidores e com produtos cuja demanda não vai recuar com ajustes de preços

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Loja da Schutz, marca de roupas femininas da Arezzo

No terceiro ano da pandemia, mais do que o próprio coronavírus, quem está dominando as manchetes dos noticiários é a inflação. Com o índice oficial do País, o IPCA, acumulando uma alta de 12,13% nos 12 meses até abril, muitos analistas de ações começam a coçar a cabeça para selecionar quem pode se sair melhor nesse cenário. 

A inflação causa um problema ainda maior para o setor de varejo, que contava com o fim das restrições à circulação para retomar plenamente as atividades, mas vê agora a alta dos preços corroendo o poder de compra dos consumidores e prejudicando seus custos operacionais. 

Diante desta situação, os analistas do BTG Pactual entendem que o momento é de adotar uma postura conservadora em relação aos papéis de varejo e preferir ações de companhias com capacidade de repassar custos aos consumidores e que vendam produtos cuja demanda não vai recuar muito com ajustes de preços. 

Neste sentido, os analistas Luiz Guanais, Gabriel Disselli e Victor Rogatis entendem que as melhores opções são as companhias de vestuário voltadas às classes com poder de compra elevado, casos de Arezzo &Co, Grupo Soma e Grupo SBF, dono da Centauro, e nomes do setor de alimentos, com o Assaí sendo a melhor opção, dado seu bom histórico de entrega de resultados. 

“A inflação continua erodindo o poder de compra das famílias, gerando preocupações de que os consumidores eventualmente irão reduzir seus gastos à medida que se cansam dos preços altos pesando sobre suas carteiras e sem sinal de alívio à vista”, escrevem os analistas, em um trecho do relatório. 

Os analistas do BTG Pactual destacam que as redes de vestuário expostas aos consumidores de alta renda tiveram os melhores resultados dentro de todo o universo do varejo no primeiro trimestre, justamente por terem conseguido proteger as margens diante da aceleração da inflação.

O Grupo SBF, por exemplo, registrou no primeiro trimestre um Ebitda 18,3% acima do esperado pelos analistas. O Grupo Soma também superou as expectativas, com Ebitda 12,6% superior ao esperado.

Nomes como Lojas Renner e C&A, embora estejam crescendo acima dos níveis pré-pandemia nos últimos meses, devem sofrer para manter a rentabilidade diante da alta dos custos e menor espaço para repassá-los aos consumidores. 

No setor de alimentos, as empresas tiveram um desempenho melhor que o esperado pelos analistas do BTG Pactual, depois das dificuldades enfrentadas no final do ano passado, e mesmo os consumidores mudando para marcas mais baratas. O Assaí registrou um Ebitda 6,5% acima do esperado no primeiro trimestre. 

Se o cenário melhorar nos próximos trimestres, com a desaceleração da inflação e os investidores de olho nos múltiplos mais normalizados das companhias para 2023, os analistas do BTG Pactual acrescentam à sua carteira recomendada os papéis de Mercado Livre, Petz e Burger King

Para eles, essas ações sofreram muito nos últimos meses, em função da piora das perspectivas macroeconômicas e a postura mais arredia a riscos dos investidores, mas são empresas cujo desempenho deve ser o melhor em seus respectivos mercados. 

Por volta das 13h30, as ações da Arezzo recuavam 1,28%, a R$ 81,71, mas acumulam alta de 13% no ano. Os papéis do Grupo Soma caíam mais intensamente – baixa de 3,24%, a R$ 11,06, acumulando baixa de 7%. A Centauro tinha queda de 2,58%, a R$ 23,01, com as ações subindo 9,3% no ano. 

Os papéis do Assaí também recuavam no pregão desta quarta-feira, dia 18, caindo 1,58%, a R$ 15,58. No ano, eles apresentam valorização de 22,5%.

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